Crítica | 300: A Ascensão do Império

estrelas 3,5

Após o grande sucesso de sua adaptação 300 da HQ, Os 300 de Esparta, de Frank Miller, Zack Snyder demonstrou interesse em dirigir sua continuação que também seria baseada na graphic novel do mesmo autor, desta vez a ainda não publicada Xerxes. No entanto, devido ao seu engajamento na produção de Homem de Aço o papel de diretor acabou caindo nos ombros de Noam Murro, ainda que nos aspectos artísticos este seja, sem dúvidas, uma obra de Zack Snyder.

A Ascensão do Império, ao contrário de que seu título sugere, gasta muito pouco tempo nas origens tanto do Império Persa quanto do próprio surgimento de Xerxes I. O filme foca nas batalhas navais travadas pela frota ateniense em paralelo à batalha de Termópilas. Na HQ original tais embates são, inclusive, citados, embora tenham sido deixados de lado pela primeira adaptação. Seguimos o general Temistócles (Sullivan Stapleton), herói da batalha de Maratona, enquanto ele enfrenta, no mar, a armada comandada por Artemísia. As batlhas que assistimos são as de Artemisium e Salamina, ambas de igual importância às Termópilas para a vitória grega em Plateia (que vimos no final do primeiro longa).

Como dito anteriormente, o lado visual desta continuação mantém toda a alma de seu antecessor. Há o constante uso das câmeras lentas, CGI, além dos diversos filtros que garantem a estética similar aos quadrinhos originais. O ode ao espetáculo do primeiro filme se mantém, desta vez, no mar – e o que não falta é a violência já exibida em 300. O trabalho de fotografia de Simon Duggan, juntamente do trabalho de montagem de David Brenner e Wyatt Smith, nos entregam cenas de ação muito bem construídas e claras, ao invés da usual confusão que são os filmes de ação contemporâneos.

Enquanto os espartanos afunilavam as tropas persas nos Portões Quentes, a frota ateniense utiliza a geografia do mar Egeu para sua vantagem. Esse uso, contudo, depende das estratégias ousadas de Temistócles. Nesse aspecto a continuação é uma constante mostra de criatividade militar ao ponto que não se limita à falange hoplítica de 300. A importância do general ateniense, portanto precisaria ser ressaltada através de seu carisma. O longa, contudo, deixa a desejar não oferecendo um personagem tão marcante em seus discursos, como Leônidas. O destaque de Temistócles, portanto, se limita ao campo de batalha.

Do outro lado, porém, Eva Green nos entrega uma ótima Artemísia que convence como comandante em um mundo ainda dominado pelos homens (pelo menos do lado militar). Sua retratação chega ao ponto de ofuscar a figura de Xerxes, principalmente no terço final do filme. Não são somente os persas, contudo, que contam com uma forte figura feminina. Lena Headey reprisa seu papel de rainha Gorgo, agora viúva de Leônidas. Mesmo que tenha pouco tempo em tela, suas aparições são de destaque e, mesmo que o roteiro peque na relação entre Atenas e Esparta, sua presença é notavelmente importante dentro da trama.

A Ascensão do Império é um filme que, ao mesmo tempo, é bastante similar e distante do primeiro 300. No visual e na progressão da trama ele funciona de forma igual e encaminha a história para o mesmo ponto. A diferença está, essencialmente, nas batalhas que oferecem diferentes estratégias diante de cada investida persa. Pode não ser a obra mais fiel em termos históricos, mas é claramente de Zack Snyder (mesmo que ele não esteja na direção) e, definitivamente, uma boa continuação.

300: A Ascensão do Império (300: Rise of an Empire, EUA, 2014)
Roteiro: Zack Snyder, Kurt Johnstad, baseado na graphic novel de Frank Miller
Direção: Noam Murro
Elenco: Sullivan Stapleton, Eva Green, Lena Headey, Hans Matheson, Callan Mulvey, David Wenham, Rodrigo Santoro, Jack O’Connell, Andrew Tiernan, Igal Naor, Andrew Pleavin, Ben Turner.
Duração: 102 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.