Crítica | Contos de Asgard: A Bandeira do Corvo

estrelas 4

O que é a vida senão uma luta contra os Trolls que habitam nosso interior?
– Henrik Ibsen

A frase acima, além de estar gravada na contra capa da história, também resume um pouco da Graphic Novel Contos de Asgard: A Bandeira do Corvo, cuja crítica, acompanha a seguir.  Neste conto publicado há 29 anos, com roteiro de Alan Zelenetz (produtor do filme Darkon e escritor de quadrinhos), acompanhamos logo de início o fim de uma batalha pela segurança do reino dourado, por muitos conhecido como Asgard!

E tão logo, nos é apresentado à bandeira que precede as vitórias dos asgardianos, a Bandeira do Corvo. Ela é passada por gerações, conduzindo os exércitos de Asgard para a vitória. Sempre que seu protetor falece em campo, ela deve ser passada para seu herdeiro ou descendente mais próximo. Uma honra imensa é tê-la em mãos, seja por um guerreiro-deus de Asgard ou por um gigante das gélidas montanhas de Jötunheimr. O que não espera Grim Magnus, seu protetor no começo da Graphic é que após morrer em batalha, seu filho, Greyval Grimson, não viria buscá-la.
O jovem Grimson é um irresponsável deus, que vê nas infinitas batalhas travadas pelos deuses e outros seres mitológicos, algo completamente desnecessário. Porém, é astuto e de bom coração.

warriors3-0428Grimson e sua esposa Sygnet  adentrando na capital de Asgard

Após esta primeira batalha, Grimson casa-se com Sygnet, uma destemida valquíria que vê em seu amado, o semblante de um herói. Com as mentiras de Grimson e o desaparecimento da bandeira nas mãos de terríveis Trolls, nosso protagonista tenta retomar a responsabilidade que lhe foi destinada antes mesmo de nascer.

Partimos então para os cantos mais famosos dos nove reinos, e Zelenetz não deixa outras estrelas como Thor, Loki, Sif ou Odin, ofuscarem o conto deste desconhecido, mas importante ser de Asgard. A impressão que nos é dada é de estarmos lendo um dos contos do livro Edda em Prosa. As aventuras, como os problemas se desenrolam e o desfecho nada mais são do que uma inspiração nos antigos mitos transcritos por Snorri Sturluson. A presença de Balder, mesmo sendo mediana, dá a base para nosso protagonista enxergar que existe a coragem e a responsabilidade dentro dele, assim, outros personagens aos poucos surgem e isto o transforma em um verdadeiro herói.

A arte fica por conta de Charles Vess (ilustrador da capa de Stardust e a premiada 19ª edição de Sandman), que tem um traço propenso a fábulas, simples mas com certos detalhes. Uma referência para muitos ilustradores do gênero.

Com base em lidar com a transformação de um jovem imaturo de boas intenções, para um bravo e honroso herói até o final que todo guerreiro seja viking ou asgardiano anseia, esta obra de Zelenetz e Vess fica marcada na coleção de Graphic Marvels. Mas se o leitor não for só um “marvete” e aprecia a cultura nórdica em seus mais diferentes contos, cace e guarde tal preciosidade!

Contos de Asgard: A Bandeira do Corvo – Graphic Novel #13
Banner Raven: A Tale of Asgard – Marvel Graphic Novel #15
Publicação: EUA, 15 de Junho de 1989

Roteiro: Alan Zelenetz
Arte: Charles Vess
Editora: Marvel Comics
Editora no Brasil: Abril Jovem
Páginas: 64 páginas

ERIK BLAZ. . . .Tudo começou quando o meu pai Odin me baniu de Asgard para Midgard... Então eu fui mordido por um vampiro, quando me atacaram com kriptonita e para piorar a situação, vendi minha alma para Malebolgia (em troca de algumas HQs), enquanto meus dons mutantes de controlar o clima surgem pouco antes de ser o escolhido para portar um anel energético e obter a Equação Anti-Vida e assim, salvar todo o multiverso! Mas também possuo uma paixão pela Arte em suas mais diferentes formas e gêneros...Desenho, Pintura, Gravura, Montagens, Teatro... E claro, um louco por histórias em quadrinho e filmes antigos, sem falar na arte de comer muito e dormir pra caramba :'D