Crítica | American Horror Story – Asylum / 2X02: Tricks and Treats

Embora pareça ser muito diferente do primeiro episódio dessa temporada, Tricks and Treats foi uma espécie de mal necessário para que se introduzisse o episódio de Halloween neste ano em American Horror Story. Ambientado na noite de véspera da comemoração, o episódio nos mostra que os mortos (e desta vez, os demônios) saíram um pouco mais cedo, o que promete uma verdadeira tempestade de acontecimentos para o próximo episódio, o verdadeiro episódio do Dia das Bruxas.

No ano passado, a data também gerou dois capítulos, que se configuraram como dois dos melhores da temporada. Neste ano, não poderemos adicionar Tricks and Treats nesta lista de melhores episódios porque James Wong não soube amadurecer todas as propostas de seu argumento e acabou deixando a história sem cliffhanger e com tramas internas aparentemente jogadas, mas mesmo assim, não temos em mãos um episódio medíocre ou menor, muito pelo contrário. Tricks and Treats mantém aceso o interesse do espectador e não chega a ser decepcionante, apenas menos interessante que o episódio de estreia.

Embora seja uma obrigação minha julgar negativamente o roteiro pela má condução de todos os acontecimentos deste 2×02, eu preciso defender James Wong quando olhamos seu roteiro um pouco mais de longe, considerando todos os elementos da série. Para isso, no entanto, é preciso atentarmos para algumas coisas antes de prosseguirmos.

Não sei se ficou claro para todos os espectadores, mas a linha de abordagem do Halloween em American Horror Story é a da comemoração pagã, algo que gira entre a festa da colheita e a celebração aos mortos, a dualidade entre a vida e a ausência dela. Uma nova realidade se aproxima para Briarcliff e o marco de passagem para esta nova realidade começou agora em Tricks and Treats, na véspera do Halloween. Alguns demônios, como já dissemos, resolveram sair mais cedo, e nesse caso, temos a possessão do corpo da irmã Mary Eunice após a morte do garoto que passou pelo processo de exorcismo.

Ao mesmo tempo em que isso acontece, os demônios morais do passado também vêm à tona, e quem mostra as garras é Irmã Jude, de quem conhecemos um pouco da vida antes do hábito. Há até uma pequena indicação do passado do Dr. Oliver Thredson, mas ainda é cedo para definir muita coisa a respeito dele. O que podemos dizer é que Zachary Quinto viverá mais uma personagem interessante, que começa de maneira bem tímida e aos poucos nos será revelada – acredito que esse padrão tenha ficado claro para todos os que estão acompanhando a série atentamente.

Em paralelo, entendemos de uma vez por todas que Kit Walker foi preso injustamente – ou pelo menos é isso que podemos concluir até esse momento – já que Bloody Face está realmente na Briarcliff de 2012 e ataca Leo e sua esposa. De qualquer forma, podemos abrir ainda mais o campo de possibilidades: o sr. Bloody Face pode ser Kit Walker após anos e anos de sofrimento em Briarcliff? Ou seria o mesmo serial killer que matava mulheres nos anos 1960? Se for, podemos considerar o Dr. Arthur Arden como suspeito principal? As fotos que aquela prostitua encontra no quarto do doutor – mais uma daquelas indicações inquietantes que eu tanto gosto nessa série e que demonstra a oposição entre o ser público e o ser privado – revelam alguma coisa? É claro que é muito cedo para afirmarmos em definitivo qualquer coisa, mas brincar com a ideia de possibilidades é um divertimento para qualquer fã de uma série de TV, então, aqui estamos nós.

Penso que tenham ficado claros os motivos pelos quais eu defendo o roteirista James Wong quando olho de maneira mais afastada as possibilidades para o futuro da série. Todavia, é preciso considerar, acima de tudo, o episódio fechado em si, de forma que não temos o mesmo desenvolvimento da história que tivemos na première. Embora tenham sido inseridas aqui para fazerem sentido a médio e longo prazo, sequências como o exorcismo, a aventura sexual do Dr. Arden e o ponto de ruptura entre os internos protagonistas não pareceram fazer tanto sentido para a trama do episódio em si – que na verdade não existe, justamente por se tratar de uma apresentação de conceitos temáticos para o futuro.

Mas que ninguém se engane, mesmo com um roteiro menos fechado, a série ainda mantém o nível instigante e perturbador. As característica de composição fotográfica e musical permanecem, assim como as atuações. Neste episódio, seria heresia não citar a performance do ator Devon Graye que faz o jovem possuído pelo demônio. Em toda essa sequência, percebemos que a possessão foi inclusa no roteiro como uma problemática sobrenatural que vem intensificar a maldade humana que reina em Briarcliff. Veja o leitor que tanto a irmã Jude quanto o Dr. Arden (pelo menos por enquanto) não são pessoas de boa índole e mantêm uma relação sádica com os pacientes. É nessa realidade que pessoas consideradas loucas – inclusive uma ninfomaníaca e uma lésbica – acabam habitando um lugar propenso a visitas de outras dimensões. O mau já existe em Briarcliff, ele só é piorado a cada dia.

Tricks and Treats é um daqueles inevitáveis episódios de transição entre um ponto e outro de uma série dramática. Agora é esperarmos pela verdadeira tempestade que se abaterá sobre o Asilo. Que os céus nos proteja.

Até o próximo episódio!

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.