Anti-Crítica | Império Secreto #0 ou… O Capitão América Sempre Foi Vilão!

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TEXTO COM LINGUAGEM CAPAZ DE OFENDER LEITORES FRÁGEIS!!!
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Vocês já acordaram uma bela manhã de sábado e pensaram: “oi? Tudo bom? Quem é você? O que estou fazendo aqui? Será que eu escondi aqueles corpos dire…” não, vamos esquecer isso. O que eu quero dizer é: vocês já sentiram a sensação de que TALVEZ as coisas que vemos nos quadrinhos não sejam assim tão ficção? Pensem comigo. Olha o mundo hoje. Olha os chefes de Estado. Olha o que as pessoas andam endossando nas redes sociais. Olha o rumo que a humanidade tem tomado. Não parece que alguém reescreveu essa realidade para uma versão maligna que…
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MOMENTO FRAGMENTADO

__ Eeeee, maluco! Mas que porra é essa? Eu não disse pra você parar de escrever críticas para coisas que você não entende?

__ Me deixa, babaaaaca, eu faço o que eu quero!

__ É por isso que ninguém gosta de você. Vai entrar nessa onda, agora? Não bastou a vergonha alheia do Luiz com aquele lixo de texto da Patrulha do Destino?

__ Gente, o que está acontecendo? O Low-Es já traiu os outros membros do Plan…?

__ Cala a boa, Jorge, isso é segredo! Ele ainda está comprando os direitos para o futuro canal dele, o Crítico Sem Pl...

__ Chega! Vocês só me fazem passar vergonha. Quem vai escrever sobre essa caralha aqui sou eu agora!

FIM DO MOMENTO FRAGMENTADO

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Quando a Marvel Comics assinou o seu atestado de loucura em maio de 2016, eu, sempre muito ingênuo, disse o seguinte na crítica que escrevi a respeito (sim, vou citar a mim mesmo, algum problema?):

E então vem a pergunta final: por quanto tempo isso vai durar? Porque, sinceramente, eu duvido que isso seja algo definitivo. Não estou acreditando nem que a editora tenha dado o aval para uma bobagem dessas, imagine só a manutenção!

Oooh, Luizinho, tão bobinho!

E aqui estamos nós, quase um ano depois, tendo a confirmação de que o Capitão América sempre foi um espião da Hydra. Que merda, hein? Pegaram um baita símbolo da liberdade, fixado na História e no imaginário popular — não só dos Estados Unidos! — e fizeram dele um “vilão escondido”, envolvido numa sequência de reescrita de linhas do tempo que eu sinceramente não entendi. Mas chegaremos lá. Nesse ponto, fico pensando o que está rolando com a Marvel para realmente ir em frente com isso. Agora, o “voltar atrás” não existe mais.

Até Capitão América: Steve Rogers #1, havia muita chance. A situação que vimos, com o Cap dizendo HAIL HYDRA, foi, até pouco tempo depois, interpretada como uma “memória/realidade falsa” vinda pela intervenção da Kobik, influenciada pelo Caveira Vermelha, na vida do Capitão, permitindo-o se rejuvenescer mas, no processo, criar essa visão vilanesca. Vejam, é uma cagada, mas não é uma diarreia no ventilador. Com a desculpa certa, era possível consertar o problema. A Marvel atual só vem fazendo isso mesmo (viu, Guerra Civil II?). Mas aí resolveram oficializar o grande herói de uma nação como um vilão escondido que enganou gerações inteiras! É como a gente diz lá no meu Estado: fudeu a tabaca de Xola.

Sobre Xola...

Definição muitíssimo bem explicada para o ditado acima, postada pelo usuário “Luciano (PE)” no Dicionário inFormal:

“Xola” é o nome genérico de qualquer cadelinha vira-lata em Pernambuco, talvez no Nordeste. Quando ela entra no cio, vários cachorros a perseguem pelas ruas e geralmente o maior e mais feroz consegue copular. Durante o “engate” vários meninos atiram pedras, e o cachorrão arrasta “Xola” pelo pênis engatado em sua vagina (que no Nordeste é conhecida vulgarmente por “tabaca”). Durante a perseguição, “Xola”, além de arrastada, levando pedradas, tem a vagina estourada e fica exposta, sangrando. Quando uma situação está perdida e acontece uma outra coisa ainda pior no mesmo momento ou logo depois, se usa essa expressão “FUDEU A TABACA DE XOLA”.

Uma coisa eu devo admitir: o elemento estratégico da história é bom. Realmente bom. Afinal, estamos falando de Steve Rogers, não de um Manezinho da Ilha qualquer. Ele consegue manipular as peças do jogo e colocar nesse crossover que é Império Secreto as forças heroicas da Terra em vigilância ou dominá-las após forçá-las a lutar contra um inimigo que o próprio Cap preparou. Sim, esse é o nível. E sim, isso é bom! O que não é bom é o fato de vir de alguém que acreditávamos ser herói e agora sabemos que não está fingindo ou sendo dominado. Ele é quem sempre foi. Um agente — o maior! — da Hydra.

Esta edição #0, que deveria nos preparar para a saga, não nos prepara coisíssima nenhuma. Ela já começa direto com a trama principal, mas o leitor não se perde nos eventos do presente. A confusão acontece em outro ponto. Nas lutas e dominações do nosso tempo, o texto de Nick Spencer flui. Eu particularmente gostei do desespero de Sharon Carter ao se dar conta do que estava acontecendo. Aquilo foi impagável. Digno de uma ótima cena de filme de suspense. Mas não se enganem, esses momentos bons apenas ganham esse status se os vermos de maneira isolada. Pensem agora no todo. De quem parte essas ações. E aí a perspectiva muda por completo. E não adianta vir com o “argumento” abestalhado que “isso dá mais profundidade ao Capitão América; na revista Captain America: Steve Rogers temos uma revisão sólida da infância, juventude e vida adulta dele; ele entra em conflito moral; os heróis/vilões de hoje não possuem conflitos profundos assim e aceitam tudo muito fácil…mimimi… blablabla“. Minha reação a esse tipo de fala é a seguinte:

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Se a intenção era fazer um herói/vilão todo fodeloso, conflitoso, pensatoso, traidoso, maleficoso, [algum problema com os meus neologismos?] que introduzissem um novo personagem e criassem algo que já apontasse para uma timeline onde ele poderia ser diversas coisas! Se querem um personagem profundo, CRIEM A PORRA DE UM PERSONAGEM PROFUNDO!!! Dê atenção a esse personagem, joguem ele em todas as revistas da Marvel, façam vídeos, bolem propagandas nas redes sociais, façam concursos online, façam o que quiserem para tornar esse personagem conhecido! Mas não… Resolveram pegar um herói com a importância histórica do Capitão América (e olha, eu não dou a mínima pra ele, nunca gostei do Capitão, mas eu não sou um babaca, eu sei reconhecer importância em quem tem importância) e fizeram essa alteração estúpida.
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PARÁGRAFO GIGANTE DE DIVAGAÇÕES POLÊMICAS

(eu poderia dividir o parágrafo, mas simplesmente não quis. Só pra deixar claro)

Não estamos falando de algo simples, algo que organicamente sabemos que as pessoas podem esconder por diversos fatores sociais e que isso não afeta o personagem como indivíduo, a exemplo de… sexualidade [focarei nesse aspecto, mas isso pode se aplicar a uma porrada de outras coisas similares]. Alguém pode esconder ou disfarçar suas pulsões por anos, por décadas e isso não muda quem a pessoa é, porque estamos falando do tesão da pessoa, só isso. Ela não deixa de ser tal herói a partir do momento que torna público o que a excita. Isso é um detalhe. É como um personagem que nunca disse que gostava de bolo de cenoura com calda de chocolate, de repente, dizer: “galera, eu gosto de bolo de cenoura com calda de chocolate“. Ooooooh, grande coisa! Se ele nunca deu indícios do contrário, qual é o problema? Mudanças de sexualidade de heróis funcionam mais ou menos nesse sentido. Se não estamos falando de alguém que teve uma vida que indicava o contrário, o que vai mudar se descobrirmos que tal herói tem uma sexualidade nunca antes mostrada? Nada. Embora eu ainda não goste disso… Eu quero NOVOS PERSONAGENS!!! Criem bons personagens gays, bi, trans, índios, negros, asiáticos, plutonianos, interessados em bondage, gagos, anões, gordos, feios, feministas, satanistas, que acreditam em signos (brincadeirinhaaaaaaa! SQN)… Criem de tudo! Façam da diversidade nos quadrinhos algo humano, natural, não um encaixe neurótico que se aproveita de uma vida já estabelecida para lhe dar marcas, na maioria das vezes, vergonhosamente forçadas.  A culpa não é, nunca foi e jamais será da diversidade. O mundo é diverso e precisa ser retratado como tal. Mas isso tem que acontecer com pessoas que são pensadas com essas características! “Ah, mas não vai vender nada!“.  Bitch pleaseMarketing serve para divulgar coisas, não é? Se é criado um BOM PERSONAGEM e ele é bem divulgado, não é necessário se preocupar. Ele vai ganhar a atenção do público. As pessoas vão querer ler sobre ele. O encaixismo a todo custo é pior e custa mais caro! A impressão que eu tenho é que estão colocando máscaras em “coisas velhas” para se adequarem aos novos tempos; não fazendo desses novos tempos algo que realmente precisa (e merece!) ser retratado com tudo o que tem de novo. Estão brincando de JENGA nos quadrinhos de hoje. Não construindo um novo jogo. Por isso a maioria dos quadrinhos mainstream estão a bosta que estão. Mas voltemos ao Capitão América…

FIM DO PARÁGRAFO GIGANTE DE DIVAGAÇÕES POLÊMICAS

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Essa alteração do Capitão, com todo o cunho ideológico envolvido, está na ala das péssimas mudanças. Não importa se a história externa a ele funciona (e sim, nessa edição #0, funciona!). As premissas são erradas. Tanto a de mudar o status do personagem; quando a forma que fizeram isso. Particularmente não entendi nada das causas que geraram essa novidade. Vejam a minha reação quando terminei de ler a revista. Seguem IMAGENS DE DOR E SOFRIMENTO:

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Outra coisa em pauta: estabelecendo uma explicação saudável para tudo isso, o tal Cubo mudou TODA a história da Terra-616 ou só a história do Capitão? E independente da resposta que se dê a isto, existe uma justificativa razoável ou inteligente para dar suporte? Em termos de narrativa, pensem comigo: como é que um autor resolve mexer com um dos medalhões dos quadrinhos e inicia uma saga sem ao menos criar uma linha coesa de eventos para os leitores? Ou é tudo tão fácil e eu sou, como meus haters me chamam, um “crítico arrombado bosta lixo prepotente do caralho” e não quero ver a genialidade, a coragem, as glórias e aleluias dessa obra-prima da nona arte? Não consigo saber mais nada, pelo visto. Olha o que Nick Spencer fez comigo — mas tenho a leve impressão de que não é apenas comigo não.

Só de birra eu vou acompanhar esse negócio. Farei as críticas para os (até agora) dois arcos da revista polêmica do Capitão e quero saber onde isso vai chegar. Ah, antes de encerrar essa anti-crítica, quero dizer duas coisas. A primeira, que alguns leitores estão chamando o Capitão de NAZISTA só porque ele é agente da Hydra. Não é bem assim não, amiguinhos. A Hydra é uma organização terrorista que teve associação com o nazismo e alguns membros nazistas, mas isso não é um lema para a Hydra e nem para todos os seus participantes. Talvez estejam misturando o que aprenderam do Universo Cinematográfico Marvel e achando que isso é caráter basilar dos quadrinhos, o que não é. O Cap é só a nova grávida de Taubaté, ele não é um nazista só porque é da Hydra não. A outra coisa que eu queria falar é que a arte da história começa mais ou menos bem, mas depois desanda terrivelmente. A única coisa realmente boa nos desenhos é a capa de Mark Brooks.

Agora é a vez de vocês. Entenderam o que se passa nessa série? O que acham de tudo isso? Que conselhos você daria para a Marvel nesse momento trágico de suas “ideias”?

Império Secreto #0 (Secret Empire Vol. 1 #0) — EUA, 20 de abril de 2017
Roteiro: Nick Spencer
Arte e Cores: Daniel Acuña, Rod Reis
Letras: Travis Lanham
Capa: Mark Brooks
34 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.