Crítica | Aquaman: As Profundezas

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estrelas 4

Geoff Johns utilizou as primeiras quatro revistas do Aquaman dos Novos 52 com o intuito de apresentar uma nova abordagem para o herói, seguindo as exigências de um novo público. Para que a reapresentação não se tornasse enfadonha ou didática, o autor costurou essa entrega com a história do primeiro vilão da nova série, os Abissais, criaturas medonhas de grandes dentes e de característica humanoide vindas das profundezas do oceano. Sua função básica é se alimentar e coletar comida para “ela”, personagem que conhecemos mais adiante na história. O único problema é que essa “comida” são seres humanos (e um cachorro).

Mas antes desta crise se estabelecer, Johns teve a sagacidade de brincar com tudo aquilo que “odiamos” e zombamos no herói. As duas primeiras edições esclarece para o leitor que Aquaman é um rei que abdicou de seu trono em Atlântida e que agora deseja viver entre os humanos, ao lado de sua companheira Mera. Já nas primeiras páginas da edição #1: The Trench: Part One, quando o herói decide ir almoçar em um restaurante de frutos do mar, temos uma sequência hilária de um blogueiro que decide fazer uma entrevista com o Peixoso e as perguntas se tornam cada vez mais embaraçosas — nosso senso de vergonha alheia ataca na hora.

Essas brincadeiras com a mitologia do herói são mantidas até o fechamento desse primeiro arco, embora em doses menores. Mas o interessante é que o roteirista escolheu os momentos apropriados e a dosagem certa onde essas provocações aparecem, de sorte que elas não se transformam em algo enjoativo ou deslocado, um erro que muito escritor engraçadinho comete só para dar uma maior leveza a um roteiro.

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Ao lado da trama heroica, temos nuances da vida pessoal do Aquaman, quando ele era apenas o “pequeno Arthur“. Seu relacionamento com o pai e outros pequenos ecos do passado fazem uma boa conexão com o atual estágio do Rei dos Mares, estabelecendo uma inesperada ligação com o leitor. É como se de repente nos afeiçoássemos a esse “herói do qual ninguém gosta“, mas que pode fazer coisas realmente incríveis como matar uma raça inteira de Abissais (certo, isso não é muito legal, mas a espécie em questão, apesar de só querer sobreviver, comia seres humanos, e muitos deles!) e também colocar no lugar uma parede da fossa oceânica para que não houvesse um cataclismo marítimo. Nesse primeiro momento, com as quatro revistas iniciais (embora o arco abarque as seis primeiras edições), Geoff Johns consegue conquistar o público para ler as histórias do Aquaman. Não há como negar que esta é uma realização incrível.

A história desacelera um pouco na parte final, e há uma sequência, quando Aquaman e Mera roubam a parede com os casulos humanos, que chega a incomodar muito o leitor (no bom sentido de construção de suspense), dada a impossibilidade de ocorrer sem que os Abissais entrassem em polvorosa, o que só ocorre quando Mera já está levando o pessoal para a superfície. E nesse ponto, não poderíamos deixar de citar a arte de Ivan Reis, a finalização de Joe Prado e as maravilhosas cores de Rod Reis.

As Profundezas é um arco muito competente de abertura para o “novo Aquaman”. Escrito de maneira fluída, bem humorada e sem acavalamento de ações ou exagero de personagens e vilões, temos enfim a vontade de partir para a leitura da saga seguinte. A promessa de que a próxima história vai se centrar no cataclismo de Atlântida, já anima bastante.

Depois da conclusão da primeira parte da grande história, formada pelas 4 primeiras edições, temos duas revistas de transição até o arco seguinte, Os Outros. Essas edições mostram de maneira muito interessante e inteligente como a trama das criaturas da fossa oceânica se conecta com a saga que virá. Na edição #5: Lost, temos o Aquaman perdido no deserto após um acidente com uma nave atlante. Ele então fica a par de um importante pedido de socorro e, após ser salvo pela marinha, vai para casa chamar Mera, a fim de que, juntos, busquem informações com o professor Setephen Shin.

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Na revista seguinte (Deserted!), há uma genial apresentação de quem é Mera, de sua função inicial em relação ao Aquaman e a mudança de planos ocorrida no meio do processo. Se no início da trama com os Abissais tivemos uma melhor visão em relação às motivações psicológicas e características pessoais de Arthur Curry/Aquaman, percebemos nessa edição de encerramento do arco a sensibilidade de Mera em relação ao sofrimento feminino e sua incompreensão da humanidade, contraste que gera uma história-ponte realmente muito boa. As subtramas então se afunilam e ambos os heróis partem para uma importante visita. Uma boa maneira de finalizar a primeira parte de uma Nova Era.

Aquaman: As Profundezas (Aquaman Vol.7 – #1 a 6: The Trench) — EUA, 2011 – 2012
No Brasil:
Mix Universo DC (2012) / Encadernado (2015) — Panini
Roteiro: Geoff Johns
Arte: Ivan Reis
Arte-final: Joe Prado, Eber Ferreira
Cores: Rod Reis
Letras: Nick J. Napolitano
Capas: Ivan Reis, Rod Reis
Editoria: Pat McCallum, Sean Mackiewicz
24 páginas (cada edição)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.