Crítica | Aquaman: Os Outros

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estrelas 3,5

Um bom arco deve ter uma boa premissa narrada de forma ágil e com um gancho dotado de enigmas e intrigas a longo prazo, o que dará motivos para que o leitor espere pelas edições seguintes. No caso de Aquaman, temos adicionado a essas características, o excelente trabalho da equipe artística, que faz com que este segundo arco do herói nos Novos 52 prossiga (a despeito de um número maior de incômodos) com a fantástica marca da surpresa e da boa qualidade geral que tanto chamou a atenção em As ProfundezasO que nos chama a atenção já no início da edição #7: The Others é o cuidado com que Geoff Johns constrói a história, não deixando peças soltas pelo caminho e compassadamente trazendo novas personagens para o enredo. O enigma dos “Outros” se estabelece tão logo vemos Kahina ser morta, na Amazônia. Quando a história se cruza com a linha do Aquaman e Mera, percebemos que ela é bem maior do que aparentou inicialmente e, dada a possibilidade do professor Shin estar envolvido, fica evidente que algo muito interessante está por vir.

O roteiro inicia a narrativa dando a entender que esses Outros são os vilões. Pelo menos foi assim que eu os percebi no início. Mas, conforme investigamos o ataque do Arraia Negra e o roubo da relíquia que pertencia a Kahina, temos a agradável revelação de uma equipe não formal de heróis, da qual Aquaman fazia parte. No atual estado das coisas, todos voltam a se unir para deter o incansável Arraia. Até então não sabíamos que essa importância estratégica do vilão seria minada quando do aparecimento de um “mandante maior”, na conclusão do arco — um erro de concepção do autor que provavelmente não poderia ser evitado, dada a natureza do desfecho.

Além dessa abordagem interessantíssima do passado recente de Arthur Curry/Aquaman, o roteiro aponta as mudanças pessoais e psicológicas do herói. Os eventos que cercam o seu mortal círculo vicioso com o Arraia Negra aparecem em uma narrativa paralela inteligente e orgânica quando ainda o professor Shin estava sob suspeita e custódia de Mera. Esse recurso é utilizado por Geoff Johns várias vezes durante o arco mas sem nenhum exagero, o que destaca ainda mais o seu bom papel na trama.

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A parte artística recebe a presença de alguns nomes diferentes na finalização, mas mantém-se a boa qualidade dos desenhos e a maravilhosa paleta de cores. Geralmente em arcos que se passam em dois ambientes naturais distintos (nesse caso, terra e mar) há uma variação estranha no uso das cores e os desenhos parecem não obedecer a mudança de espaço físico, mantendo certos movimentos e uso de força padrão em todos os lugares, o que eu particularmente não gosto de ver, embora isso aconteça a rodo em quadrinhos. No presente caso, Ivan Reis (desenhos), Joe Prado (arte-final) obedecem essas mudanças de ambiente e adequam muito bem os desenhos a cada uma dessas realidades. Rod Reis é outro que merece destaque porque suas cores são sublimes, especialmente o uso das tonalidades de azul — e aqui, tenho uma queda pessoal, porque gosto muito de histórias ambientadas em espaços litorâneos ou com presença de água.

A edição #0: Underwater, que nos traz algo em potencial para trabalhos futuros. Vemos um Artur Curry abalado pela morte do pai e visões sob outros ângulos de algumas lembranças mostradas nas edições anteriores. Gostei da opção do autor em trazer esses momentos sem sobrecarregar a revista com eles, colocando-os apenas para fazer um link satisfatório com a trama, o que funciona perfeitamente. Então presenciamos o encontro do Aquaman com Vulko, um atlante exilado na Terra. O interessante é que temos maior contato com a geração de Curry, o destino de sua mãe e a apresentação de seu irmão, Orm, que é cogitado como o cara que encomendou o serviço sujo para o Arraia Negra. Seja como for, a edição é interessante e cumpre à risca o papel de premissa de toda a história.

Os Outros é um bom arco do Aquaman dos Novos 52 e com certeza trouxe bastante riqueza e possibilidades para o futuro da revista. Ouvi reclamarem que o final teve um Deus Ex Machina, e andei buscando alguma coisa que indicasse isso, mas não encontrando nada. Para mim, é claro que o desfecho não foi plenamente bem amarrado e sim, faltou uma maior estrutura nessa ponte entre o fim da intriga e a paz que se segue à guerra, mas não é como se tivéssemos uma impossibilidade na vitória dos heróis sobre os vilões, tanto que nem foi uma vitória, de fato, já que o poderoso cetro atlante foi levado pela misteriosa nave. Como disse, existem muitas possibilidades para o futuro da revista, e certamente vale continuar acompanhando.

Aquaman: Os Outros (Aquaman Vol.7 #7 a 13 + #0: The Others) — EUA, 2012
No Brasil: Mix Universo DC (2012 – 2013) / Encadernado (2016) — Panini
Roteiro: Geoff Johns
Arte: Ivan Reis, Joe Prado
Arte-final: Joe Prado, Oclair Albert, Andy Lanning, Jonathan Glapion, Julio Ferreira
Cores: Rod Reis
Letras: Nick J. Napolitano
Capas: Ivan Reis, Joe Prado, Rod Reis
Editoria: Pat McCallum, Sean Mackiewicz
24 páginas (cada edição)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.