Artigo: Tudo pelo Poder

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Posted 2 de maio de 2012 by Matheus Fragata in Cinema
Ryan Gosling

A partir deste primeiro texto, inauguro a nova coluna do Plano Crítico. E logo de início já dou um conselho aos que tem preguiça de ler: não há muito o que fazer nos textos dedicados a esta seção do site se você não estiver interessado em ler… Muito. Aqui, discursaremos de maneira ampla sobre os filmes. Transcenderemos a barreira da “quarta parede”. Mergulharemos na diegese fílmica tecendo um estudo que busca sempre o primor da qualidade de forma muita bem elaborada. Digo desde já que os artigos que serão apresentados são parciais, ou seja, não ficamos “em cima do muro” ao expressar nossas opiniões sobre determinado assunto. Ah, quase ia me esquecendo. Obviamente, os textos estão repletos de spoilers em quase todos os parágrafos.
Sabendo disto, não desejo nada mais além de uma excelente leitura.

We’re not in Ohio anymore…

Muitos leitores devem se perguntar, naturalmente, sobre o significado do título original de “Tudo pelo Poder”. Permitam-me explicá-lo. Ides é Ido em inglês. Os idos definem a metade – exatamente o dia 15, dos meses de março, maio, julho e outubro. Nos demais meses corresponde ao dia 13. Uma curiosidade que ninguém faz questão de saber – isso inclui a distribuidora nacional que traduziu o título com o ar de sensacionalismo.

Entretanto, o fato histórico mais interessante que assombra os idos até os dias atuais aconteceu durante o Ido de Março do ano 44 a.C. Naquela noite, no senado romano, Julio César foi friamente assassinado por vários de seus protegidos, entre eles Marco Júnio Bruto e Caio Cássio Longino. Segundo o poeta Dante Alighieri, as almas de Brutus e Cassius ainda sofrem no Círculo da Giudecca – círculo mais profundo e implacável do Nono Círculo do Inferno, o reduto dos traidores.

O título original do filme fala por si só. Clooney definiu sua obra com apenas quatro palavras muito bem selecionadas. “Tudo pelo Poder” não é apenas um filme de disputas políticas em meio à corrida presidencial estadunidense. Ele é muito mais do que isso e certamente lhe deixará espantado ao término da sessão.

O Gov. Mike Morris está confiante com sua candidatura a presidência estadunidense. Ele tem tudo o que a oposição não tem: carisma, um rosto simpático, marketing de qualidade e, principalmente, o jovem Stephen Meyers – o melhor assistente de campanha presidencial no mercado. Entretanto seu assessor-chefe, Paul Zara, inveja o sucesso rápido de seu protegée e não perderá a oportunidade de despedi-lo em qualquer momento oportuno. Apesar de seu talento, Meyers ainda é ingênuo para perceber a magnitude do jogo perigoso no qual trabalha. Tom Duffy, assessor do partido Republicano, percebe que o jovem é vulnerável e o convida para uma conversa casual. Tomado pelo desejo de reconhecimento e de crescer, Meyers não recusa o convite e encontra o seu adversário. Infelizmente, essa escolha traz diversas adversidades ao rapaz que se encontra com o emprego em jogo quando descobre que seu encontro com Duffy virou matéria de tablóide. Além de ter que resolver sua situação problemática, Meyers encontra outro desafio ainda pior que põe em risco a própria candidatura do Gov. Mike Morris – este, vindo de seu affair amoroso, a estagiária Molly Stearns.

O Preço do Orgulho

Uma das melhores características de “Tudo pelo Poder” é o seu roteiro. Há tempos que não tinha o prazer de assistir a um filme com uma história tão boa, densa, coesa, intrigante e bem amarrada. Créditos ao trabalho esplêndido de George Clooney, Grant Hesloy e Beau Willimon ao adaptar a peça “Farragut North” com extrema maestria. Sua escrita evolui com muita calma. O início possui um tom cômico que se esvanece até atingir a tragédia.

Tudo que uma corrida presidencial tem direito está presente no longa. Os conflitos são inúmeros graças a gama extensa de personagens muito bem trabalhados. Os três roteiristas não temeram a política americana e lançaram críticas duras, porém eufemizadas, ao sistema eleitoral estadunidense e às atitudes dos seus governantes. Entretanto, como havia dito na introdução do texto, o filme quebra esse ato ineficaz e já explorado em inúmeros filmes políticos logo em seus primeiros minutos. “Tudo pelo Poder” é muito mais do que personagens discutindo sobre a vã filosofia política atual e candidatos se atacando através da imprensa, afinal isso já vemos cotidianamente. Aqui o destaque são os bastidores, os famosos e desconhecidos backstages – nesse caso, os escritórios que organizam as campanhas dos candidatos e os vários desafios que são impostos em pleno ano presidencial.

A eleição americana é um evento tão importante para o mundo quanto a Copa e as Olimpíadas. Todos esperam com aflição o resultado que define quem será o homem mais poderoso e influente do planeta. Às vezes, os eleitos nos trazem esperanças e outros, profundo desprezo e decepção – leia-se George W. Bush. O roteiro retrata apenas uma fase da corrida presidencial que já proporciona ao espectador a amplitude do desafio que é ser eleito nos EUA. O estado escolhido é Ohio e, com ele, diversos conflitos nos backstages para o público conhecer no meio de sua narrativa.

A história nos prende através da afeição gerada pelos personagens. Clooney soube muito bem criar fortes vínculos na relação personagem/público. Infelizmente, a narrativa sofre de um forte problema: a previsibilidade – não é preciso ser cartomante para adivinhar quais rumos os conflitos vão seguir. Logo no fim do primeiro ato, já é possível desvendar todo o desenlace e destino final de cada personagem de “Tudo pelo Poder”. Isso acontece por um simples motivo, as histórias já são conhecidas pelo público. Não por ser clichê, copiada de outros filmes. Mas sim do fato que a maioria do material apresentado na tela já ter acontecido algumas vezes na realidade. Ou seja, a narrativa do filme pode ser resumida com uma boa manchete de jornal.

Além da previsibilidade, o filme possui outra característica que pode ser encarada negativamente por alguns. Eu, pelo contrário, achei a decisão dos roteiristas muito ousada. O longa possui reviravoltas ordinárias – aquelas que servem apenas para manter o público acordado e os rolos do filme girando. Entretanto, existem três plot twists de magnitude tão forte que conseguem criar, temporariamente, subgêneros adicionais em seu enredo. A última vez que havia visto isso foi quando assisti ao interessante “Repo Men” – neste, o roteiro ficou completamente comprometido graças à inconsistência da história, mas a violência gráfica compensou o deslize.

“Tudo pelo Poder” é um filme de drama baseado em conflitos políticos. Todavia, com essas três reviravoltas, ele passa a ser também um longa de personal vendetta com toques extremamente mínimos de investigação. Felizmente, Clooney teve a capacidade e inteligência de não deixar que isso acabasse sendo maior que a história em si. A solução brilhante dos roteiristas foi simples: a reviravolta seguinte a anterior tinha mais impacto na narrativa. Impacto o suficiente a ponto de encaminhar o roteiro novamente para os trilhos certos mantendo uma unidade narrativa formidável. Repare que isso causa um diálogo muito criativo com a trajetória do protagonista – o início, equilibrado, o meio em completa desarmonia e o fim, o retorno a um novo equilíbrio imperfeito muito mais pesado e sombrio.

O roteiro não teria a força narrativa que possui se não fosse pelo trabalho do elenco invejável do longa. A mais recente promessa de Hollywood, Ryan Gosling, mostra que não brinca em serviço mais uma vez. Seu Stephen Meyers é uma mistura de suas atuações em “Amor a Toda Prova” e “Driver” com alguns elementos novos. No início do filme, Gosling mantém uma atmosfera serena e pacífica em seu personagem vidrado no trabalho. Através de seus olhares significativos, o público rapidamente percebe que Meyers confia cegamente no Gov. Mike Morris e que possui grande afeição e admiração pelo mesmo. Entretanto, após sua primeira decepção com o candidato, seu olhar torna-se ofendido e magoado. Agora, percebemos que Meyers já não estima mais o governador como antes. Ryan Gosling entende que os olhos são a janela da alma.

Após a segunda decepção com Mike Morris e por outras razões, Gosling torna-se extremamente melancólico carregando um semblante sombrio cheio de ódio e rancor. Boa parte da transformação do personagem é mais visível através de sua caracterização externa. Stephen é um homem que cuida muito de sua aparência – sempre o personagem se mostra arrumado e bem penteado. Consequentemente, o exterior físico acaba refletindo o emocional do personagem. Nos últimos atos, o espectador encontra um Stephen Meyers muito diferente do que o apresentado nos minutos iniciais da projeção.

Gosling constrói com extrema competência o perfil de seu personagem, mas muito da qualidade de sua atuação aparece quando contracena com George Clooney, Phillip Seymour Hoffman, Marisa Tomei e, principalmente, Evan Rachel Wood que interpreta a doce e simpática Molly Sterns. Tanto Rachel Wood quanto Gosling transformam seus personagens ao decorrer do longa. Ambos são manipulados, ingênuos e inocentes no primeiro ato, porém acabam com seus destinos sofrendo mudanças amargas e consequências pesadas. É a partir do grande conflito que Molly sofre no meio do filme que conhecemos, de fato, os dois personagens. Molly acaba desesperada tomando medidas extremas evidenciando sua imaturidade, provavelmente influenciada pelos mimos do pai político. Já quando Meyers se depara com o mesmo conflito em consequência de seu envolvimento com Molly, Gosling revela a principal característica de seu personagem: o orgulho. Meyers condena de maneira abusiva e severa o erro que a estagiária comete gerando um grande desconforto psicológico em Molly – Rachel Wood consegue transmitir competentemente os sentimentos de sua personagem. Entretanto, o protagonista é completamente incapaz de reconhecer seu próprio equívoco ao se encontrar com Paul, além de não aceitar o efeito dominó negativo proveniente da escolha.

Enquanto Gosling e Rachel Wood se esforçam ao criar personagens complexos, Clooney, Tomei e Hoffman se divertem com seus papéis. Não é novidade para ninguém que conheça George Clooney que o ator aparenta interpretar a si próprio, mas isto não é ruim. Na verdade, toda a aptidão do ator vem disto. Clooney encaixa tão bem em seus papéis que é difícil acreditar que sua personalidade seja diferente daquela apresentada em cena. Ou seja, mais uma vez, George Clooney atua com muita competência ao encarnar o contido Mike Morris. Seu momento que merece mais destaque ocorre durante o diálogo situado em uma cozinha entre Clooney e Gosling. Naquela cena, as expressões moldadas pelo ator são fantásticas.

Já Phillip Seymour Hoffman retorna com outro desempenho estupendo. Hoffman caracteriza Paul Zara através da cobiça, do ciúme, do mau-humor e pelo seu perfil linha-dura paranóico ranzinza. Hoffman não torna seu personagem caricato, mas demonstra com muita sutileza a razão de suas ações contra Meyers. Tente reparar bem nos olhares que ele lança discretamente à Gosling em algumas cenas. A outra antagonista é Ida Horowicz interpretada por Marisa Tomei. Particularmente, não gostei da atuação da atriz. Achei-a por demasiado caricata. Entretanto, é interessante notar que Ida representa os esquemas indignos que alguns jornalistas realizam para alavancar a carreira. Fora isso, a relação dela com os assessores da campanha simboliza a cautela que os últimos devem ter com a imprensa. Por último, mas não menos importante, vem Paul Giamatti com seu Tom Duffy. O personagem aborda a corrupção moral e ética, fora a manipulação sábia do jogo político. Este sim é o verdadeiro antagonista. Com apenas um evento simples, conseguiu causar uma reverberação negativa de proporções cósmicas.

I Like Mike

Muitos são os méritos de George Clooney na direção de “Tudo pelo Poder”. Depois do megadeslize em “O Amor não tem Regras”, ele soube retornar ao padrão de qualidade de “Boa-Noite e Boa-Sorte”. Aqui, o diretor já se mostra presente nos segundos iniciais do filme ao botar a sua criatividade combinada com a do diretor de fotografia Phedon Papamichael. Na cena, os dois organizam um contraste inteligente com a iluminação que realça a figura de Gosling em relação ao cenário enquanto o ator profere, sem entusiasmo durante o teste de som, o discurso do candidato. Com esse jogo de luz, Clooney cria uma forte ironia entre a importância do argumento com o desinteresse do resto.

O diretor tem muita criatividade ao organizar a linguagem do filme. Inúmeras vezes, ele cria diálogos interessantíssimos apenas com a estética perfeita de sua fotografia. Obviamente, por ser um filme de corrida presidencial estadunidense, as cores da “verdadeira América” esbanjam em diversas cenas. O branco, o vermelho e o azul são saturados toda vez que aparecem no cenário, todavia isto não significa que até mesmo Clooney se perdeu no fanatismo ufanista de seu país. Novamente, Clooney e Papamichael criam outra cena estupidamente rica de significado.

Em determinado momento do filme, Mike Morris está discursando para o público. Em terceiro plano, atrás de George Clooney, está a bandeira dos EUA. Depois, segue para outro plano, situado atrás da bandeira, no qual Gosling discute com Hoffman. Assim temos Clooney, bandeira, Hoffman e Gosling. Agora que vocês estão situados no espaço da cena, posso comentar o porquê dela ser tão importante para o filme. Toda a mensagem se encontra nos excelentes enquadramentos do diretor. Repare que George Clooney enquadra seu personagem de tal forma que apenas a parte azul estrelada da bandeira acompanha o candidato no quadro, além de utilizar câmera baixa para lhe proporcionar grandeza. Este enquadramento confere uma força subjetiva sem tamanho ao personagem. No plano, entende-se que Mike Morris é apoiado pelas estrelas – os estados americanos, e sendo assim, terá sua vitória garantida. Além disto, temos o azul que significa a perseverança, vigilância e justiça – tudo o que um candidato precisa ter. Claro que ao término da sessão, o espectador poderá comparar essa cena com o epílogo e perceber, novamente, a ironia que Clooney tanto trabalha.

Já atrás da bandeira, o diretor escolhe outro enquadramento. Durante a discussão entre Gosling e Hoffman, Clooney os fotografa acompanhados das listras vermelhas e brancas da bandeira em primeiro plano no esquema típico de cenas de diálogos – o famoso “Plano e Contra-plano”. O branco representa a pureza e a inocência (Gosling) enquanto o vermelho simboliza resistência e valor (Hoffman). Ao finalizar a cena, o diretor fotografa Gosling com um plano aberto de inestimável beleza. A silhueta do ator cabisbaixa, angustiada e arrependida numa contraluz suave com a bandeira gigantesca em terceiro plano simbolizando a “traição” que Meyers cometeu contra o seu próprio país ao sentir peso avassalador das consequências de sua atitude. Certamente esta foi uma das cenas mais ricas e inteligentes que já vi na vida.

Além desta metáfora visual, existem outras duas que merecem ser citadas. Uma acontece assim que Tom Duffy liga para Meyers tentando combinar o encontro. No plano, Clooney e Papamichael utilizam reflexos para demonstrar o quanto o protagonista está dividido e tentado em aceitar o convite. O outro ocorre com a brilhante projeção de sombras das gotas da chuva na face de Gosling. Uma metáfora simples para demonstrar que o personagem está arrasado, chorando em seu interior, mas por ser extremamente orgulhoso, se recusa a demonstrar seu sofrimento.

Clooney tem muito cuidado com sua produção. Com apenas US$ 12,5 milhões, o diretor conseguiu fazer maravilhas. A direção de arte é impecável com os detalhes do marketing fictício do candidato inspirado em diversas outras campanhas. Fora isso, Clooney também cria uma relação de personagem/cenário muito bacana. Em qualquer filme, o espectador consegue ter uma idéia do perfil e dos hábitos de seus personagens através dos cenários, sejam eles, casas, salas ou escritórios. Em “Tudo pelo Poder” isto acontece de maneira difícil de interpretar. Perceba que boa parte do filme se passa em quartos de hotel ou em escritórios de campanha – locais totalmente uniformes e desprovidos de identidade. Novamente, algo que era para ser negativo torna-se fantástico pela ousadia. Assim, o espectador só passa a conhecer os personagens única e exclusivamente pelas suas atitudes.

Outro fato curioso, desta vez vindo da edição, é que o espectador nunca conhece satisfatóriamente o candidato Mike Morris. Repare que toda vez em que o personagem abre discurso a fim de expandir suas ideias ao povo, Clooney corta a oração e joga uma cena envolvendo os assessores no backstage.

O diretor não se limita apenas ao visual. O cinema também é, obrigatoriamente, uma experiência sonora e Clooney captou isso muito bem. Tudo se inicia com a excelente trilha sonora de Alexandre Desplat encaixada com um olhar muito clínico sobre as cenas. O compositor firma um toque melancólico em inúmeras músicas definindo e modelando ainda mais a atmosférica trágica, seja com o sopro fatigado no saxofone ou com as teclas débeis do piano. Simplesmente sensacional. Fora isso, o compositor também faz alguns experimentos com instrumentos totalmente eletrônicos como o sintetizador – influência direta do Oscar ganho por Trent Reznor e Atticus Ross pela trilha de “A Rede Social”. Em outros momentos, Desplat compõe marchinhas patrióticas com flautas saltitantes, tambores afetados, distorções maneiras da guitarra e violinos nervosos para a campanha de Mike Morris. Esta foi uma das melhores trilhas sonoras do ano passado. Não deixo de recomendar a vocês que procurem ouvi-la em algum canal do Youtube. Garanto que não haverá arrependimentos.

Não só a trilha sonora é fantástica, mas como também existe um detalhe de sonoplastia muito legal. Em determinada cena, Gosling liga para Clooney – este, completamente vidrado em descobrir de onde vem a ligação. Para enfatizar isto, o diretor abafa o áudio ambiente e destaca o som perturbador do vibra call do celular. Segundos depois, quando Clooney encontra o protagonista, há outra inserção de som – desta vez barulhos truncados dos flashes das câmeras fotográficas. E isto tudo ocorre com o zoom muito bem organizado na cena. Neste aspecto, George Clooney tirou nota 10.


Midas Touch

Com “Tudo pelo Poder”, George Clooney virou um dos meus diretores favoritos. Sua técnica é impecável, apesar das transações bruscas nos planos de alguns diálogos. Ele sabe assustar e emocionar com precisão assustadora no meio do suspense de seu filme. Além disso, ele provou ter paixão pela arte ao elaborar imagens densas cheias de sentimento e valor.

Assim como quando Stephen Meyers caminha pelo corredor envolto pelas sombras, perde o último resquício de sua ingenuidade e torna-se um homem amargo, implacável e egoísta enquanto se prepara para fazer o pronunciamento sobre o seu sucesso, George Clooney caminha para fora do ostracismo, para o reconhecimento, para a imortalidade. O seu momento como diretor ainda não aconteceu em “Tudo pelo Poder”, mas eu sei que ele está muito próximo de conseguir. Como eu sei disto? Ora, Clooney tem um dom raro que apenas seletos diretores têm. Este dom chama-se Toque de Midas, o toque de saber finalizar sua obra na hora certa e deixar seu público totalmente atônito.

“You can lie, you can cheat, you can start a war, you can bankrupt the country,
but you can’t fuck the interns.”

Tudo pelo Poder (The Ides of March, USA, 2012, 101 min.)
Direção:
George Clooney
Roteiro: George Clooney, Grant Hesloy e Beau Willimon.
Elenco: George Clooney, Ryan Gosling, Evan Rachel Wood, Phillip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Marisa Tomei e Jeffrey Wright.

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About the Author

Matheus Fragata

Estudo cinema na UFSCar seguindo o sonho de me tornar Diretor de Fotografia. Sou apaixonado por filmes desde que nasci, além de ser fã inveterado do cinema silencioso e do grande mestre Hitchcock. Acredito no cinema contemporâneo, tenho fé em remakes e reboots, aposto em David Fincher e me divirto com as bobagens hollywoodianas. Tenho sonhos em 4K, coloridos e em preto e branco. Sempre me emociono com as histórias contadas por esta arte. Agora busco a oportunidade de emocionar alguém com as que tenho para contar. Prazer, este sou eu.

5 Comments


  1.  

    The Ides of March foi um dos meus filmes preferidos de 2011.

    George Clooney soube conduzir uma história tensa e surpreendente. Ryan Gosling está perfeito no papel.




  2.  
    Marcela Bianchi

    [em off] por que todos os seus artigos possuem aspas, Matheus? Posso dar uma sugestão a você? Eu sou professora de LP e é só um toque, por favor, não leve a mal! Embora seja gramaticalmente correto as aspas acompanharem títulos de artigos ou periódicos, quando nomeiam um filme, música, livro ou peça teatral, aos poucos a academia tem aconselhado a não usar. Pede-se que se crie um título que dê o tom do texto ou publicação seguinte, para evitar o título do objeto com suas aspas. Um exemplo: você poderia usar um dos seus subtítulos desse texto como “O Preço do Orgulho” ou “I Like Mike” para nomear o artigo. Sei que não é o ideal, mas é só um exemplo.

    De qualquer forma é só um toque em off.

    Me perdoe se o ofendi.

    Marcela




    •  

      Imagina, Marcela. Aliás gostei do seu conselho.
      Vou procurar criar títulos singulares para os artigos.
      E, em off, eu sou um fã assumido das aspas (simplesmente as adoro).
      Agora, se puder me responder, por que raios a academia esta aconselhando o desuso destas belezas gramaticais?
      Um abraço o/




  3.  
    Marcela Bianchi

    Olhe, o problema não é para todos os usos não. Se dá apenas com titulação, e existem dois motivos, um muito bobo e outro legítimo, embora não seja novo e nem criado para essa categoria de sinal gráfico, mas serviu como uma luva.
    Esteticamente (esse é o motivo bobo), as aspas teriam o poder de poluir um título e torná-lo mais longo. Serei sincera com você: isso é babaquice das grandes. E digo aonde isso surgiu: no meio editorial. Editores de jornais não gostam de gastar papel com anda que em sua visão seja “desnecessário”, de modo que o preconceito com as aspas na titulação foi se tornando um vício no final dos anos 1990 e explodiu após a “Era-Twitter”, onde economizar caracteres virou moda.
    O segundo motivo é derivado do primeiro, mas a colocação é gramaticalmente correta e faz sentido. Ao escrever um tratado, artigo, livro sobre alguma coisa, o escritor deve ter o mínimo de pensamento no marketing do produto. Colocar apenas o título do objeto de análise é limitar à máxima potência o número de leitores. Logo, a saída de alguns escritores foi criar um gênero qualquer, ou um pequeno subtítulo, e usar entre aspas o título do objeto de estudo. Exemplo: O estudo das grafias e mudanças linguísticas no século XXI, ou, vivendo em “Alice no País das Maravilhas”.
    Tampouco essa saída à francesa agradou os acadêmicos mais durões. Foi quando, no início do ano 2000, a reformulação acadêmica restringiu ao máximo o uso de títulos de objetos de estudo no título do trabalho em questão. Exceto dissertações Universitárias, dissertações de Mestrado e teses de Doutorado. O mais aceito nesse caso é você usar um termo específico como “pedagogia do oprimido” entre aspas, porque é uma literal citação de um termo específico.
    No caso de artigos, que é uma categoria mais densa que crítica, por exemplo (vi que vocês usam corretamente a nomenclatura, sem aspas e com a definição do gênero no começo), convencionalizou-se que a titulação seria o tema geral do trabalho, cabendo até a citação do nome de algum autor ou outro indivíduo que será o foco do trabalho. Perceba a pertinência gramatical da questão.
    Por isso, a minha sugestão no comentário acima. Se você utilizasse apenas o artigo e o nome do filme, sem as aspas, seria algo mais dentro de uma tendência atual que é um caminho sem volta (sinto informar que em poucos anos será norma da língua). Ou, se for o caso, utilizar um título que dê um tom geral da obra. Na home do site de vocês tem um artigo assim nomeado: Artigo: Germaine Dulac e o Surrealismo no Cinema. Este seria um exemplo de modelo considerado pela “nova regra” como algo correto.
    Você pode usar ou um ou outro, mas espero que tenha lhe apresentado os motivos pelos quais chamei sua atenção para o uso das aspas em títulos.
    Até mais, querido.
    Um beijo.




  4.  
    Cassio

    Só uma correção ao bom texto. Tom Duffy não é assessor do partido Republicano, mas do candidato adversário nas primárias do próprio partido democrata.





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