Taormina Film Fest – Dia 1

Férias são férias, mas, quando descobri que, por absoluta coincidência, havia marcado minha estadia em Taormina para exatamente os dias do Taormina Film Fest, não resisti e tive que acompanhar os acontecimentos. Afinal de contas, faço minhas contribuições para o Plano Crítico, não é mesmo?

Assim, decidi organizar um diminuto especial, com minhas experiências por aqui. Para começar, porém, achei mais interessante deixar nossos leitores cientes exatamente sobre Taormina e esse festival que, tenho certeza, poucos ouviram falar.

Taormina é uma pequena cidade de veraneio na Sicília, Itália, às margens do Mediterrâneo, mais exatamente no chamado Mar Tirreno, o estreito que separa a ilha da Itália continental. Para fins de localização mental imediata, imaginem a ponta do “bota” italiana. É lá de onde escrevo nesse momento.

A Sicília é certamente mais conhecida por ser o lar da máfia italiana, consagrada em filmes que tratam do assunto, como a trilogia O Poderoso Chefão. Aliás, chegando por aqui, logo me lembrei da famosa frase “Deixe o revólver, traga o cannoli” pois, em todo lugar que ando, vejo “cannoli” sendo oferecidos. Mas eu divago.

O que é verdadeiramente fascinante sobre a Sicília é sua história e a mistura de povos que a forma. Longe de querer dar uma aula de história, até por que o historiador aqui do Plano Crítico é o Luiz Santiago, basta dizer que a ilha, nos séculos VI e V antes de Cristo, era uma extensão da Magna Grécia. Afinal, foi em Siracusa, há meros 100 km de Taormina, que Arquimedes, conforme diz a lenda, saiu correndo de sua banheira gritando “Eureka, Eureka!” por ter descoberto o princípio do empuxo e, com isso, determinar se a coroa do Rei Hierão II continha prata além de ouro, sem precisar destruir o objeto.

Depois dos gregos, a Sicília foi dominada pelos romanos, vândalos, ostrogodos, normandos e árabes. O caldeirão cultural e o legado arquitetônico deixado por todos esses povos fazem da pequena ilha uma joia rara no mundo.

No século XIX, a Itália carecia de unificação e essa tentativa de criar uma identidade nacional ficou conhecida como “Risorgimento“. A Sicília, nesse processo, ficou, por muito tempo, quase que como um país independente, mas sem governo estabelecido. Nesse caos, os sicilianos passaram a adotar uma espécie de nacionalismo exacerbado, dando enorme valor para o que chamavam de “a coisa nossa” ou, em italiano, “la cosa nostra“. Nascia, então, a Máfia (palavra essa, aliás, de origem árabe). Hoje, a ilha, apesar de tecnicamente fazer parte da Itália, têm características bem próprias, que a destacam do continente.

Estabelecido todo esse cenário, volto para Taormina e o festival de filmes. Tudo começou com o Oscar italiano, chamado David di Donatello, entregue pela primeira vez em 1955, em Roma. A premiação variava de cidade mas havia uma constante: o uso do anfiteatro grego de Taormina. Isso acabou levando o festival a fixar-se definitivamente na cidade a partir de 1971.

Mas como assim um anfiteatro grego? A resposta é simples: há poucos lugares no mundo tão impressionantes para se ver um filme. Construído pelos gregos no século III a.C. e remodelado pelos romanos para servir de palco para lutas gladiatoriais no século I d.C., o anfiteatro é um primor de engenharia acústica. Além disso, em seus tempos áureos, 5 mil espectadores podiam sentar-se confortavelmente lá. Imaginem, além disso, que, ao fundo do teatro, bem ao fundo, é possível ver o Monte Etna, um dos vulcões mais ativos do mundo, com sua impressionante e, de certa forma, aterrorizante, coluna perpétua de fumaça sendo cuspida de seu cume. Não havia, assim, como não se fazer um festival de cinema em um dos mais belos palcos de arte dramática existentes.

Assim, apesar de haver na pequena cidade um centro de convenções para as reuniões menores, mais intimistas, a grande vedete do Taormina Film Fest é mesmo o magnífico anfiteatro e as projeções que lá acontecem. E foi lá que eu tive a oportunidade de ver a abertura de gala do festival, com convidados ilustres e a premiere europeia de Valente (2012), o mais novo desenho da Pixar.

No próximo post, contarei em detalhes minha experiência nesse primeiro dia. Há uma anedota, baseada inteiramente em fatos, que mostra exatamente como é quente o sangue italiano. Esperem para ler! Além disso, passarei minhas breves primeiras impressões sobre o novo esforço cinematográfico da Pixar.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.