Caverna do Dragão | À Procura do Esqueleto Guerreiro
Em seu único episódio no seriado Caverna do Dragão, podemos concluir que Buzz Dixon realizou um bom trabalho, que não chega a ser um dos momentos mais memoráveis do show, mas que certamente guarda algumas passagens preciosas que merecem ser revistas.
Antes de mais nada atingimos um ponto nessa jornada pelos reinos fantásticos da série em que é necessário comentar que a troca de roteiristas nem sempre faz bem ao nosso amado programa. Evidentemente que alguns personagens acabam pouco afetados por novos escritores, já que suas personalidades são meros clichês, mas quando falamos de criações como Eric, logo notamos como o cavaleiro pode passar de apenas um covarde piadista, porém perspicaz, para um simples egoísta que não merece a devida atenção. Tal erro já tinha sido cometido anteriormente e volta a se repetir agora. Logo nos primeiros minutos, em que John Gibbs desenha os ótimos planos na ponte em meio a tempestade, vemos Eric assumir uma postura pouco digna ao, na queda da estrutura, escalar todos os seus amigos para chegar primeiro ao topo. Além de não fazer jus ao verdadeiro personagem como o conhecemos, a atitude só desconstrói boa parte da persona que tinha sido trabalhada até então. Ainda assim, podemos salvá-lo pela excelente tirada ao final em que, tendo reavido sua aparência original, ele solta a seguinte frase: “Eu nunca mais vou perder meu rosto de vista!”
Mas deixando Eric de lado, o fato é que, com exceção de problemas pontuais, a equipe de criação por trás do desenho se saí eficientemente bem ao compor todos os cenários da Torre dos Cavaleiros Celestiais. A estrutura externa por si só já é impressionante: um pináculo pontiagudo que se estende além das nuvens. Porém seu interior ainda guarda mais surpresas, numa verdadeira construção planar. Além das paredes, chão e teto se moldarem para transportar os heróis a outros planos, mesmo que contíguos, ainda contamos com salões tortuosos, escadas que se desfazem, colunas alienígenas e espelhos mágicos. Uma verdadeira inspiração para os apaixonados por fantasia.
Outros momentos também são igualmente belos, como a cena em que Dekion, o esqueleto guerreiro, conta sua história à luz de uma fogueira crepitante. A câmera de Gibbs foca nas sombras geradas pela criatura a fim de revelar que seu âmago guarda mais coisas que aquelas que os jovens podem ver. A batalha ao final onde uma estrutura similar à Stonehenge é remontada também apresenta instantes sagazes, como a coragem demonstrada por Presto e a redenção da trágica criatura que é Dekion.
Por falar em redenção, um ponto alto do episódio e do roteiro de Dixon reside justamente em explorar a bondade e a inocência dos nossos jovens aventureiros, criando um contraponto com a escuridão da alma do esqueleto guerreiro, ainda que erre em estabelecer cenas que não fazem parte da estrutura narrativa do capítulo em si, como a primeira aparição de Dekion aos jovens, já que esse evidentemente os ataca, para em seguida se justificar dizendo que queria apenas conversar, e o momento em que Presto convoca com seu chapéu um porta-aviões. Exagerada e desnecessária, a piada apenas assusta pela proporção desmedida, sem jamais fazer rir.
Servindo de curiosidade, podemos perceber aqui que o Mestre dos Magos, pouco presente no trama, surge mais abertamente como um Deus Ex Machina não só do enredo em si, como do mundo fantástico, já que na cena inicial na ponte o grupo é afligido por uma pesada tempestade, mas tão logo o velhinho surge, o clima amaina, voltando a ficar furioso após seu desaparecimento. Claro que podemos crer que tudo não passa do extremo poder mágico controlado pelo Mestre, mas indo além, fica evidente que cada jornada ou aventura, com raras exceções, é uma espécie de jogo proposto e sutilmente controlado pelo baixinho arcano, criando um paralelismo com o aprendizado e a evolução dos jogadores nos grupos de RPG e, principalmente, com o comando exercido pelo Dungeon Master.
Até o próximo capítulo!
Confira as reviews dos demais episódios aqui.
Caverna do Dragão: À Procura do Esqueleto Guerreiro (Dungeons & Dragons: Quest of the Skeleton Warrior, Estados Unidos, 1983)
Direção: John Gibbs
Roteiro: Buzz Dixon
Elenco: Willie Aames, Don Most, Katie Leigh, Adam Rich, Tonya Gale Smith, Teddy Field III, Sidney Miller, Petter Cullen e Frank Welker
Duração: 20 min
















