Crítica | Continuum – 1X03: Wasting Time

Dois dentre os três juízos que eu fiz em relação a Continuum no episódio passado mostraram-se verdadeiros em Wasting Times. Comecemos pela fail declaration. Eu havia dito que Kellog, personagem do ator canadense Stephen Lobo, em ótima atuação, seria usado como elemento surpresa ao final da temporada, já que tudo indicava seu afastamento pleno do Liber8. Mas eis que Simon Berry resolve trazê-lo de volta imediatamente, sem contradição nenhuma com a história já contada. Dado isto, o criador e roteirista da série consegue apresentar um episódio de muita ação, além de algo que eu já havia dito em Fast Times: um episódio de estruturas.

Conforme a volta para o ano de 2077 se torna mais difícil, Kiera Cameron empreende uma busca detalhada e tenta desarticular os planos do Liber8, que além de tentar fugir de um mundo onde uma raivosa e persistente protetora se encontra, lida com sérios problemas de gerência, saúde e organização. Até o momento, as forças legais e ilegais mantêm um equilíbrio espantoso nas jogadas, uma escolha louvável de Simon Barry, que evita ao máximo as facilidades narrativas e a criação de tramas pouco profundas. Vivendo em 2012, tanto Kiera quanto os membros do Liber8 (com exceção de Kellog, que declaradamente pretende permanecer aonde está) buscam alternativas para voltar para seus projetos em outras épocas, mesmo que para isso tenham que lidar com a realidade pouco convidativa de um mundo que eles não conhecem bem.

Estruturando bem essas questões, Wasting Times conseguiu manter o alto nível da série até agora, e deixou um bom arco para o próximo episódio. Ao passo que a centralização em Alec começa a arrefecer de maneira bem positiva, vemos nuances de importância surgirem no horizonte, como a do padrasto de Alec, um militante contra as corporações de alimentos que tentam dominar os produtores. Como eu havia chamado a atenção no episódio anterior, estava claro que alguma coisa iria sair dessa toca, e algo bem mais ativo deve aparecer muito em breve, especialmente se levarmos em conta que a série está praticamente em sua metade (faltam apenas 7 episódios para a Season Finale), o que nos leva a decisões nucleares importantes para que a história não seja trabalhada atropeladamente em poucos capítulos, e para que a trama permaneça em alto patamar.

A relação entre o mundo de 2012 e 2077 está cada vez mais presente, falta apenas a viagem do grupo acontecer ou uma maior exploração interna entre esse contato temporal. Algo positivo é que não temos os famosos romances de isopor para preencher lacunas emotivas, sobrando espaço para coisas mais importantes como as implicações morais da biomedicina e a ética no uso da tecnologia, coisas que estão nas entrelinhas desse episódio. Também me agrada a ideia de Kiera ser alguém que tem, literalmente, acesso a suas memórias, podendo reconstituir momentos que se tornam preciosos também para o espectador e trazendo a discussão sobre a importância de uma referência emotiva (especialmente a família) como motivador da jornada de alguém.

Continuum tem se tornado uma série ótima de acompanhar e analisar. Embora não seja propriamente simples, o espectador não tem dificuldade alguma em compreender os elementos de física nas entrelinhas e as discussões sociais e políticas que compõem os conflitos do show. O roteiro vez ou outra é bastante erudito, algo muito difícil de se ver hoje em dia. Até H.G Wells deu o ar da graça nesse episódio! O que será que aguarda o Liber8, Kiera e Alec no próximo domingo?

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.