Crítica | Continuum – 1X06: Time’s Up

Há duas coisas no mundo que podem desbancar qualquer governo, qualquer ordem social, qualquer situação dominadora existente: a união do povo e a força de um ideal para o qual lutar. Há muitos exemplos disso em nossa própria história, de governos massacrados pela força do povo, como a monarquia de Luís XVI, pela Revolução Francesa; o reinado de Nicolau II, pela revolução proletária de outubro de 1917; e o governo de Fulgêncio Batista, pela Revolução Cubana. Embora cada um desses movimentos tenham, em sua linha do tempo, se perdido da intenção original, todos eles representam a força popular contra uma ordem estabelecida, e foram inquestionavelmente vitoriosos em sua luta.

Nesse episódio de Continuum, vemos a decisiva guinada do Liber8 para um tipo ação menos física e mais ideal, muito embora alguns membros do grupo ainda não sigam essa prática à risca. A atitude nos pareceu inicialmente estranha, uma vez que eles começaram com o trabalho físico e direto. Todavia, a chegada de Kagame alterou os planos. E devo dizer que essa mudança tornou a série ainda mais instigante, porque de um ramo ideológico, um sem número de distorções e atitudes no sentido oposto podem acontecer, fator de importância máxima para a continuidade do drama na série, se realmente for bem trabalhado.

Os acontecimentos de Time’s Up são de grande importância para essa reta final da temporada. Tendo começado com apoio de tecnologia do futuro e planos para uma imediata viagem no tempo, percebemos que as coisas se enveredaram para uma adaptação ao presente, tanto do Liber8 quanto de Kiera, principalmente ela, que praticamente abandonou todos os seus  recursos após o problema com o uniforme, e passou a utilizar apenas a “visão de informações” quando extremamente necessário. Mesmo que ainda não saibamos qual é a teoria de viagem no tempo que está sendo trabalhada na série – A Test of Time deixou tudo ainda mais confuso – é de se aplaudir o trabalho cheio de possibilidades que Simon Barry e os outros roteiristas têm feito, nos dando o máximo de alternativas cabíveis para o que será do futuro dos protagonistas e o que se fará no presente.

Time’s Up é precisamente um episódio sobre o presente. Nele, vemos Kagame articular a mentalidade da população em relação às corporações, e como ele usa sabiamente a CEO da Exotrol a confessar seus crimes de lavagem de dinheiro. A linha sutil de construção ideológica se dá de maneira perfeita, ajudada pela montagem competente e pela bela fotografia. Paralelamente, duas tramas menores se arquitetam. A primeira, sobre Alec e seu irmão; a segunda, sobre Kellog, que invade o apartamento de Kiera e rouba a peça perdida do portal no tempo. É de se esperar que ele use-a como moeda de troca para Kagame, Lucas e os outros. Mas dado o novo mote de ação do grupo, não tenho certeza quanto a funcionalidade dessa proposta.

Já na reta final da temporada, Continuum apresenta mais um grande episódio, dessa vez, um para constar entre os cinco melhores. Kiera se defrontou pela primeira vez com a pertinência da causa do Liber8, e nessa reflexão, recorreu a lembranças do futuro, onde certo dia questionou a ação das empresas e como elas conseguiam se safar de crimes econômicos. Com um final poderoso, Time’s Up conseguiu mostrar com perfeição rara o surgimento de uma ideia. Resta-nos agora esperar ansiosamente pelos quatro episódios finais, e pedir aos deuses do tempo que façam-nos ser melhores ou tão bons quanto esse episódio.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.