Crítica | Continuum – 1X07: The Politics of Time

Continuum está na reta final de sua primeira temporada, e a posição de um “novo parâmetro de luta” proposto por Edouard Kagame continua a ser executado pelo Liber8, intricando ainda mais os roteiros desses últimos episódios. Não se trata de uma complexidade pontual, mas de algo maior, um longo caminho de pistas e possibilidades que se abrem e que nos fornecem um possível mapa de respostas para o que aconteceu no Episódio Piloto, além de rascunhar um futuro para os viajantes no tempo. É nesse caminho misterioso, entre pistas e perguntas, que me sinto cada vez mais curioso para saber o que Simon Barry nos prepara para o Finale.

À primeira vista, The Politics of Time parece ser um filler da série, ou seja, aqueles capítulos feitos apenas para encher linguiça e nada mais. Porém, antes que o espectador e leitor forme uma opinião definitiva, é preciso que analise como o showrunner da série (e seu principal roteirista), Simon Barry, programou cada episódio, e como as coisas se estruturaram no decorrer da temporada, obedecendo a uma linha segura de ações e mudanças de atitude por parte dos protagonistas. Eu não tinha certeza se gostara dessa reviravolta quase abrupta, mas tendo dado uma chance para “ver o que acontecia”, passei a analisar como a linha temporal da série tem se estabelecido, e cheguei à conclusão de que o argumento central não poderia ser mais correto, em termos de narrativa. Algumas vezes ela pode não ser escrita ou dirigida perfeitamente, mas não tem como negar a sua lógica. Vejamos alguns fatos importantes.

Kiera e o grupo vieram parar em 2012 por acidente, logo, precisavam voltar com urgência para o ano planejado, 2071. Nesse início, qualquer atitude (desesperada) estava valendo. Como Edouard Kagame estava perdido no tempo, as hipóteses do L8 eram de que ele havia se perdido ou aterrissado no ano certo. Com a chegada atrasada de Kagame a 2012, toda a proposta de luta do Liber8 mudou, ao mesmo tempo que Kiera também optou por confiar em seus instintos, principalmente após a pane elétrica em seu uniforme. Cada um dos lados da moeda, Kiera e o Liber8, se convence de que a luta deve acontecer em 2012. A hipótese da viagem para 2071 não está descartada, mas com as sementes de uma revolução começam a ser plantadas aqui. Para completar, temos a figura politicamente ambígua de Alec, a dissidência e o trabalho “por fora” de Kellog e o drama de Carlos, o agente parceiro de Kiera na polícia.

Vendo por esse lado, percebemos como The Politics of Time representa um passo importante para formar o corpo da série. Todo o episódio é uma trama elaboradíssima, que só acontece por ter o Liber8 como organizador. O grupo está cada vez mais convencido de que pode mudar o futuro através de uma alteração pontual na política vigente (quem não acha?), e por isso mesmo tem investido nessa esfera, colocando suas mãos na máquina estatal.

Embora a proposta de Kagame fosse a de não usar a violência, percebemos que o processo de preparo dessa “guerra” ou “revolução” tem feito algumas vítimas pelo caminho.

Depois de ter atingido a opinião popular no excelente Time’s Up, o Liber8 consegue fazer um influente líder de sindicato ser eleito para a diretoria. Não por acaso, esse futuro político é amigo de Carlos Fonnegra. Ao final do capítulo, tanto Carlos quanto Kiera percebem que essa eleição tem alguma coisa a ver com o Liber8, porque de líder dos sindicados, o próximo passo político seria a prefeitura da cidade. O plano está cada vez mais claro. Resta apenas saber como essa questão será mixada às viagens no tempo e qual dessas duas linhas a história tomará. Ainda temos os episódios Game, Family e End Times para nos responder essas perguntas. Que venha, então, a tríade final.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.