Crítica | Continuum – 1X08: Game Time

A vantagem de assistir a uma boa série é que o espectador precisa pensar muito para eleger um “melhor episódio”, ou fazer uma lista deles. Nada mais prazeroso em ter que classificar excelentes capítulos de um show que consegue se manter em alta qualidade a cada semana, uma característica não muito encontrada hoje na TV.

Continuum é um desses raros casos. Embora tenha nos mostrado algumas fraquezas no decorrer da temporada, nenhuma delas foi capaz de fazer com que os episódios recebessem o título de “ruim” ou “mediano”. Simon Barry tem uma enorme capacidade de criar subtramas inteligentes em seus roteiros, e mesmo que os acontecimentos de um capítulo “x” não sejam de todo maravilhosos, o corpo da história torna aquele capítulo necessário para a série.

Em Game Time, temos um exemplo de como uma história bem contada pode alcançar ápices maravilhosos mesmo antes de seu verdadeiro ápice. Eu achei esse episódio simplesmente fantástico. O alto uso da tecnologia de programação (me lembrou muito Matrix), as excelentes atuações do elenco principal e a direção rigorosa de Paul Shapiro nos transmitiram a ideia geral de “jogo do tempo”, tanto na esfera interna da trama, com o sabotador da empresa de jogos de RPG e afins, quanto na esfera da série, quando temos Alec como alvo, novamente. Está claro que nos próximos dois episódios a história vai abraçá-lo ainda mais.

O controle da mente de Kiera foi apenas uma isca para nos levar a algo maior e lançar algumas pistas para o Finale. Os caminhos estão se estreitando aos poucos, e ao passo que isso acontece, alguns coadjuvantes desaparecem de cena para dar maior espaço a histórias e personagens mais importantes da série. Há quem se incomode demasiadamente com isso. Particularmente, vejo a estratégia como algo muito positivo. Primeiro, porque esse direcionamento não é injustificável, ele vai afunilando a trama central para um número menor de caminhos (ainda no plural), mas todos eles passíveis de serem usados como alternativa no final da temporada. Segundo, porque os coadjuvantes estão lá para darem sustentação à trama. E no caso de Continuum, Simon Barry deixou muito claro o papel de cada uma das suas personagens, de modo que não podemos acusá-lo de abandoná-los nessa reta final.

Com uma sequência de luta eletrizante, um roteiro espetacularmente bem escrito e uma produção sem nenhum defeito, Game Time conseguiu brincar com o espectador através de suas personagens, e estabeleceu uma pista decisiva para que especulemos o futuro de Continuum. Até o momento, as apostas estão altíssimas.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.