Crítica | Continuum – 1X09: Family Time

Definitivamente, Family Time foi o pior episódio de Continuum, e isso não só é ruim porque quebra uma estrutura de oito grandes episódios anteriores, mas porque este é o penúltimo episódio da temporada. Não consigo entender o motivo de uma trama tão desconectada de propósitos. Parece-me que Simon Barry resolveu, enfim, juntar Kiera e Alec por mais tempo, mas a situação foi tão forçada, que o espectador até se espanta, tal a súbita mudança de caminhos em relação aos episódios anteriores.

Primeiro temos a boa introdução de sempre, mostrando um evento do futuro que de algum modo está ligado a um momento do presente. Vemos então Kellog e sua irmã serem impedidos por Kiera de uma fuga de um prédio do governo. A ligação com o título do episódio nunca foi tão barata quanto dessa vez. Sempre havia um desenvolvimento da história, algo a que o espectador pudesse pensar, mas aqui, até o cliffhanger é estranho e fraco, porque, mais uma vez, está afastado de uma linha narrativa que a série veio apresentando nos últimos meses.

A história se passa, portanto, na fazendo onde Alec mora. Eu já havia dito, nos primeiros episódios, que de alguma forma o padrasto do garoto e seu meio-irmão poderiam ser envolvidos com o planos do futuro, especialmente com Kagame. A ligação era clara, já que havia um engajamento político ligado ao ramo de alimentos. Aqui, Carlos e Kiera são enviados para investigar uma compra de grande quantidade de fertilizantes, sempre um alerta para possibilidade de alguém usar isto para fazer bomba, mas mesmo assim, um motivo absurdamente banal e fraco. Seja por orçamento apertado ou qualquer outra coisa, o fato é que não temos a boa passagem do recebimento do caso e do plano de ação e sua execução. Até aí tudo bem. Seria uma mudança aceitável se o episódio fizesse sentido. Mas não faz.

O foco deixa de ser o padrasto e Alec e passa a ser Julian, seu meio-irmão. Ele já estava ligado às manifestações do Liber8 que vimos no ótimo episódio Time’s Up. Agora como um integrante do grupo, Julian e alguns amigos julgam assumir o controle da situação na fazenda e fazem Kiera, Carlos e a família toda de reféns. O início desse jogo de gato e rato é bastante interessante, já que há a mudança de arma e controle da situação de um para outro, de maneira muito divertida e rápida. As coisas aparentemente pareciam ir bem. Mas eis que a trama vai se arrastando no resgate dos policiais e em tentar atrelar o sentido familiar de tudo ao grande propósito. Sinceramente, não vejo sentido algum para que esse episódio pudesse existir dentro da mitologia da série. Ele se salva apenas por momentos de tensão e alusões vagas a acontecimentos prévios, mas de importância nula para o avenço do show até o seu Finale.

Por fim, com o impasse resolvido, temos Kiera indo até Kellog e deixando-se seduzir por ele. Ou seja, isso é algo absolutamente contra tudo o que foi planejado para o caráter da personagem. Mas isso veremos na próxima semana. Se tal sedução foi apenas um jogo, vindo de pelo menos uma das partes, eu retiro o que disse aqui. A sedução, afinal, teria um propósito. Caso contrário, mantenho minha decepção em relação ao roteiro de Simon Barry, que agora, pela primeira vez, nos faz sentir medo do que pode vir para o desfecho.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.