Crítica | Continuum – 1X10: Endtime – Season Finale

Tudo bem que Endtime foi provavelmente o melhor episódio dessa primeira temporada de Continuum e que forneceu um cliffhanger competente e intrigante para o próximo ano. Tudo bem que a direção de Pat Williams merece efusivos aplausos e que o roteiro de Simon Barry foi um grande estrondo de dinamismo. Tudo bem o apuro técnico desse episódio é realmente muito bom e que há apenas um único erro evidente, de montagem, literalmente nas três últimas cenas. Mas não creio que esteja tudo bem as surpresas e os elementos que fizeram parte desse primeiro desfecho da série.

Mesmo que seja tecnicamente incrível, Endtime peca pela ausência de ousadia nos eventos apresentados como “finais”. O roteiro de Simon Barry funciona perfeitamente de forma isolada, considerando este apenas um episódio comum da série, mas se o localizarmos, como deve ser, como o Finale de uma temporada, era de se esperar que houvesse mais lenha na fogueira do que apenas confirmações oficiais do que já imaginávamos ser verdade, coisas que inclusive já haviam sido aludidas por algumas personagens nos outros capítulos, como o fato de o “erro” no dia da execução do Liber8 não ser apenas um “erro”, mas sim algo programado pelo Alec do futuro. Além disso, não tivemos mais nenhuma citação do marido de Kiera, algo que até o episódio anterior poderia ser aceitável, mas que nesse desfecho não poderia passar batido. Digo isso porque os capítulos iniciais insinuavam que ele tinha algo a ver com o plano. Vai ser realmente muito estranho se ele voltar a aparecer como uma provável peça da máquina, na Segunda Temporada.

Enfim somos informados de que Kiera foi enviada para 2012 com um propósito. A revelação não foi bombástica ou mesmo essencial para o desfecho, embora eu creia que ela teria funcionado perfeitamente em qualquer outro episódio da temporada. A revelação de Julian como Teseu (isso sim foi uma surpresa absolutamente genial!) me causou muito mais impacto do que o ponto escolhido pelo roteirista e criador da série para ser dado como o temporário final.

Na linha da revelação de Julian como Teseu, algo que também funcionou muito bem foi a organização off de Kagame para “o grande dia”, um plano que foi desde a explosão à sua sucessão no Liber8. Enfim, entendemos perfeitamente todo o trajeto do grupo. O que me incomodou nesse ponto, foi apenas constatar que Kagame não era o cérebro de toda a operação, ou mesmo o ponto de partida para um novo mundo. Em um dos episódios da temporada, vimos que ele tinha engajamento político contra o governo e as corporações, mas ao que parece, toda a educação estratégica veio após os ensinamentos de Teseu/Julian. Gostei muito dessa surpresa, mas esse escorregão na construção da personagem não pode deixar de ser observado. Afinal de contas, se Simon Barry tinha essa visão de Kagame, seria até interessante ele ter citado um mentor no decorrer da temporada.

Kellog aparece ao final do episódio de maneira muito insossa. Não entendo como ele fará parte desse novo mundo que se estrutura. As interrogações ainda são muitas, mas a principal delas é sobre o modelo de viagem no tempo que está sendo trabalhado na série. Nem os paradoxos temporais foram definidos, apenas citados e ironizados pelas personagens, mas definição nenhuma aconteceu. Desse modo, ficamos imaginando o verdadeiro propósito para o envio de Kiera e o Liber8 de volta no tempo.

Para finalizar, o surgimento nos bastidores de um certo Sr. Esher pode ser algo muito bom na próxima temporada. Talvez o alucinado Jason também volte, com sua máquina do tempo de brinquedo e tudo o mais. Há duas possibilidades para essa nova personagem: ou trata-se de um Freenlancer do Sr. Esher ou de um legítimo cidadão de 2077 que enlouqueceu de verdade.

Endtime é um maravilhoso término de temporada, muito embora eu não aprove totalmente o caminho de confirmações dado por Simon Barry ao roteiro. Mesmo que tenha adorado sua história para esse desfecho, imaginava-a, dentro da mitologia da série, algo épico e de tirar o fôlego, quando na verdade tive apenas um assentimento verdadeiro para o que apenas imaginava ser verdade. Mas não se enganem: este Finale é uma maravilha, e fechou de maneira excelente a primeira temporada dessa viagem no tempo e suas conspirações políticas e corporativas. Há muitas e boas promessas de Continuum para 2013.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.