Crítica | 007 – Na Mira dos Assassinos

Na Mira dos Assassinos é memorável por três razões: é o último filme de Roger Moore como 007, tem uma ótima canção título e nos brinda com a mais bizarra das Bond Girls, May Day, vivida por Grace Jones. Não que o filme entre na categoria das obras mais medíocres da série, pois ele se segura até surpreendentemente bem, mas não está entre os melhores da série.

Já com 58 anos, Roger Moore não tinha idade para viver o sedutor agente secreto James Bond. Se sua idade já ficava dolorosamente à vista em 007 Contra Octopussy, em 007 – Na Mira dos Assassinos, ela é responsável por um Bond lento, pesado e que, quando tenta fazer algo um pouco mais elaborado do que, digamos, descer ou subir uma escada, até revela boa vontade do diretor (John Glen pela terceira vez seguida), mas torna óbvio o uso de dublês.

O roteiro, mais uma vez co-escrito por Richard Maibaum e Michael G. Wilson, é um dos mais desnecessariamente complicados da série. Os dois conseguem misturar um esquema de doping eqüino em corridas de cavalos do magnata Max Zorin (Christopher Walken), com experiências genéticas nazistas, aquisições hostis de poços de petróleo, fabricação e dominação do mercado de microchips e mais um caminhão (de bombeiros) de situações que, por incrível que pareça, não desabonam tanto o filme, ainda que tenham costuras tênues.

No meio disso tudo, James Bond vagarosamente investiga Zorin, luta contra – e transa com – May Day, encontra a belíssima, mas completamente histérica geóloga Stacey Sutton (Tany Roberts) e faz parceria com Sir Godfrey Tibbett (Patrick Macnee), outro agente do MI6, e com Chuck Lee (David Yip), agente da CIA. A evolução de todos os acontecimentos demonstra uma necessidade de se incluir cenas longas e irrelevantes na construção da história, como as do leilão de cavalos na propriedade de Zorin. Durante algo como 25 ou 30 minutos, Bond e Tibbett vão de um lado para o outro para descobrir muito pouco. E o pior é que, depois dessa seqüência, a fita cai de velocidade e os espectadores passam a ouvir diálogos expositivos que tentam explicar a complicação da trama.

Mais para o final, porém, quando a produção se esmera em construir um cenário bastante realista de uma mina, a ação melhora substancialmente, culminando com uma batalha em cima da ponte Golden Gate em São Francisco. Não é nada tão espetacular, mas, pelo menos, não é desesperadamente maçante como diversas cenas de perseguição de filmes anteriores da franquia, ainda que a película tenha duração de 131 minutos que poderia ter sido cortada para não mais do que 100, sem que nada se perdesse.

A tendência de John Glen em fazer filmes mais situados na realidade ajuda um pouco Na Mira dos Assassinos, pois Bond se desvencilha completamente de seus gadgets. No entanto, Glen não consegue impor a seriedade que gostaria e acaba sucumbindo a piadinhas sem graça a todo momento, incluindo a re-introdução do “alívio cômico policial”, muito na linha do que foi feito em Com 007 Viva e Deixe Morrer.

Ainda que Roger Moore tenha sido um James Bond menos do que ideal (para usar um eufemismo), 007 – Na Mira dos Assassinos é uma despedida suficientemente elegante para o primeiro ator verdadeiramente britânico a encarnar o personagem.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.