Crítica | 11 Minutos

estrelas 1,5

A indicação da Polônia a candidato ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro seria marginalmente interessante se tivesse a duração de seu título e se fosse disponibilizado gratuitamente na internet. Com 81 minutos, a produção que sem dúvida parte de uma boa ideia, esvai-se em um monte de baboseiras que se resolvem em um final que, no estilo das piores obras de M. Night Shyamalan, é todo o objetivo do filme.

Escrito e dirigido por Jerzy Skolimowski, cujo último longa foi o ótimo Matança Necessária, 11 Minutos conta 11 minutos de diversas pessoas diferentes com diferentes graus de conexão entre elas (ou nenhuma conexão) em uma costura frenética com montagem não linear que faria Sally Menke revirar-se em seu precoce túmulo tamanha é a inabilidade demonstrada aqui. Temos um vendedor de cachorro quentes com passado escuso, um vendedor de drogas drogado, um produtor de cinema cafajeste, uma candidata a atriz, um senhor desenhista, uma equipe de paramédicos, uma moça e seu cachorro, um grupo de freiras e por aí vai. São personagens efêmeros, com quem não conseguimos ter sequer um semblante de identificação que entram e saem da história em um vai e vem que às vezes se repete (é o diretor e a montadora Agnieszka Glinska tentando dar de espertos), com elipses mal resolvidas e um quebra-cabeças que beira à bobeira total.

Nada convence. Os diálogos são forçados e entrecortados demais para realmente formarem um conjunto coeso. A trilha sonora é estridente como vários alarmes de incêndio tocando ao mesmo tempo, tentando forçar uma confusão mental que simplesmente não está lá. A fotografia não sabe o que quer, ora filmando em primeira pessoa com câmera tremida, ora com planos em close-up extremos sem significado, ora parecendo found footage, tudo para dar aquele ar de “inteligente”,  mas que só é inteligente se o público alvo fosse integrantes de um jardim de infância. O resultado é um conjunto cansativo de clichês que caminham lentamente (apesar da tecnicamente curta duração) para um clímax que, mais do que obviamente, juntará cada uma das tênues linhas narrativas em um grande momento (leiam “grande” com boas doses de sarcasmo, por favor).

Nem mesmo os poucos efeitos especiais são dignos de nota. Não que sejam tecnicamente terríveis, mas são tão comuns e poucos inspirados que qualquer novela da Globo mostra o que vemos em 11 Minutos praticamente todos os dias. Os efeitos práticos, por sua vez, são suficientemente interessante, porém, mas são pouquíssimo usados na produção para realmente chamar a atenção.

Com menos 70 minutos, 11 Minutos teria a minutagem correta para o que é, uma colagem de situações que não tem mensagem além do óbvio é que diverte unicamente nos poucos segundos do clímax. Um desperdício de celuloide que daria um ótimo projeto de faculdade de cinema.

11 Minutos (11 Minut, Polônia/Irlanda – 2015)
Direção: Jerzy Skolimowski
Roteiro: Jerzy Skolimowski
Elenco: Grazyna Blecka-Kolska, Anna Maria Buczek, Agata Buzek, Janusz Chabior, Paulina Chapko, Andrzej Chyra, Marta Dabrowska, Richard Dormer, Piotr Glowacki, Grzegorz Goch
Duração: 81 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.