Crítica | 12 Dias de Terror

A fluidez da internet e a possibilidade de identificar um número cada vez maior de informações sobre coisas que acontecem ao redor do mundo ainda é surpreendente.  Se antigamente tínhamos notícias sobre ataques de tubarões apenas pelos telejornais, hoje temos estas informações disponíveis em fontes diversas, com direito aos vídeos de cobertura das tragédias, bem como fotos com bastante detalhamento. Numa leitura breve sobre o assunto, descobri que apenas em 2017, vários ataques de tubarão ocorreram mundo afora, o que nos reforça, mais uma vez, que os ataques oriundos destas criaturas marinhas não são apenas parte integrante do esquema de suspensão da crença: ao contrário, está cada vez mais intrínseco com a realidade.

O nadador de Miami que foi atacado por um tubarão-touro na Praia de Haulover em julho de 2017, além do corpo de um homem encontrado nas imediações da Igreja de Santana, Em Pernambuco, marcado com uma imensa mordida na perna esquerda, nos mostra que a quantidade de filmes sobre o assunto é simetricamente calculada com base nos acontecimentos que envolvem tais ataques, geralmente provocados por seres humanos que não sabem exatamente se colocar diante do espaço considerado habitat natural destes animais.

Em 12 Dias de Terror, telefilme dirigido por Jack Sholder, de A Hora do Pesadelo 2, tendo como embasamento o roteiro de Jeffrey Reiner e Tommy Lee Wallace, os telespectadores encontram-se diante de 86 minutos de tensão moderada nas cenas litorâneas produzidas na África do Sul. Baseado no livro de Richard Fernicola, o filme investe em todos os clichês já promovidos pelo subgênero, sem necessariamente recorrer aos elementos básicos do roteiro tradicional.

O filme foca em Alex (Colin Egglesfield), um dedicado salva-vidas preocupado com os frequentadores da praia e que se encontra em pânico por conta dos ataques violentos e o desinteresse das autoridades por resolução do problema. Diante dos infortúnios, a administração da cidade oferece uma recompensa para caçar a fera. Para ajudar, Alex vai se unir ao sábio do mar, interpretado por John Rhys-Davis, homem que acredita ter a manha certa para caçar o animal. Alex, dividido entre a missão e a subtrama romântica com Alice (Jenna Harrison), pode ser apontado como o personagem mais bem desenvolvido nesta produção de baixo orçamento.

Dizem que o escritor Peter Benchley, ao escrever o romance Tubarão, inspirou-se na história que envolve esse filme. No telefilme, os banhistas de uma praia em New Jersey estão apavorados com os ataques de tubarão que ocorreram durante o mês de julho de 1916, época em que o mundo vivia os temores da Primeira Guerra Mundial e um surto de poliomielite que assustava a população.

De acordo com os relatos históricos, não houve consenso em relação à espécie que atacou, podendo ser mais de uma, mas o que se sabe é que um dos tubarões que foi fisgado por um caçador que ao destroça-lo, percebeu que o animal possuía carne humana no estômago. O caso é bastante famoso nos Estados Unidos e reza a lenda que esta tenha sido a referência máxima para a formulação do clássico, imortalizado com a montagem de Verna Fields, juntamente com trilha sonora de John Williams e a direção eficiente de Steven Spielberg.

12 Dias de Terror (12 Days of Terror) — EUA, 2005
Direção: Jack Sholder
Roteiro: Richard Fernicola, Jeffrey Reiner, Tommy Lee Wallace
Elenco: Colin Egglesfield, Mark Dexter, Jenna Harrison, John Rhys-Davies, Jamie Bartlett, Adrian Galley, Colin Stinton, Patrick Lyster, Roger Dwyer
Duração: 104 min

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.