Crítica | 13º Distrito

estrelas 3,5

Alguns filmes de ação, a maioria deles, são simplesmente despretensiosos. Servem ao único propósito de divertir, entreter seu público. Mesmo que algumas cenas sejam completamente absurdas, com explosões sem sentido, ainda assim, é animado e nos faz torcer para que o vilão, caso exista um, seja capturado no final.

Outros, vão um pouco mais além e nem se preocupam tanto com o roteiro, se empenhando muito mais no desenvolver da ação propriamente dita. Que é o caso de 13º Distrito, último filme do finado ator Paul Walker.

Em uma Detroit do futuro, a violência chegou a proporções épicas e o governo encontrou uma única solução: dividir a população. Colocar os ricos e bem sucedidos de um lado e do outro, os traficantes, bandidos e as pessoas de baixa renda. O modo que encontraram foi erguendo um muro nos limites da cidade e construir uma infinidade de edifícios. Lá dentro, sem polícia ou regras, impera a lei do mais forte.

Como o governo não se importa, restou ao Lino, morador local bancar o vigilante e tentar desmantelar de uma vez por todas a organização de Tremaine, o chefão do local. Acontece que Tremaine tem muitos asseclas prontos para perseguirem Lino até onde for preciso.

Do outro lado do muro, o Detetive Collier busca vingança pela morte prematura de seu pai. Por ser o melhor para trabalhar disfarçado, o Prefeito lhe designa uma nova missão, recuperar uma bomba que foi roubada pela gangue de Tremaine. Tudo o que Collier deseja já que o gangster é a única peça que falta para completar sua vingança. Porém, seu parceiro será ninguém menos que Lino, e juntos os dois irão recuperar não somente a bomba, mas também a dignidade dos cidadãos do 13º Distrito.

Esbanjando adrenalina pura, esse filme é um prato cheio para aqueles que buscam diversão desenfreada sem querer pensar muito. O enredo não é lá uma obra prima, mas serve bem ao seu propósito. Os diálogos, são espirituosos e engraçados. Contudo, o que interessa de fato, são as cenas de ação, repletas de lutas coreografadas e muito parkour, o que acaba deixando a história mais interessante, pois não existe o uso de dublês, já que é David Belle que interpreta Lino, o responsável por suas cenas. O ator já treinou dublês, coreografou cenas de luta em filmes de ação e é um dos precursores da modalidade parkour.

Com roteiro de Luc Besson e direção de Camille Delamarre, em 13º Distrito as personagens femininas, estão bem longe do estereotipado sexo frágil. Aqui, elas têm respostas na ponta da língua e sabem lutar tão sujo ou pior do que os homens. Mesmo em momentos de perigo, esperando para serem resgatadas, não esmorecem, nem se entregam, garantindo boas cenas.

Em sua última atuação Paul Walker estava em seu habitat natural, entre explosões, tiros, tramas de vingança e corrupção, além de claro, dirigir carros velozes e suntuosos. O ator tem um papel mediano e sua dupla com o francês Belle é ótima. A falta que fará em filmes desse gênero e em muitos outros é inegável.

13º Distrito é perfeito para aquelas tardes monótonas em que um pouco de ação vem bem a calhar.

13º Distrito (Brick Mansions – USA 2014)
Direção: Camille Delamarre
Roteiro: Luc Besson
Elenco: Paul Walker, David Belle, RZA, Gouchy Boy, Catalina Denis, Ayisha Issa, Carlo Rota, Andreas Aspergis, Richard Zeman, Robert Maillet, Bruce Ramsay, Frank Fontaine, Chimwemwe Miller, Bradshaw Anderson, Ryan Trudeau
Duração: 9o min.

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.