Crítica | “1989” – Taylor Swift

taylorswift-1989

estrelas 2

O desenvolvimento de Taylor Swift na indústria da música é algo muito interessante. Uma garota que já bem jovem (14 anos) foi jogada no cenário musical cantando aquilo que aparentemente mais gostava: música country bastante pop, um gênero que domina grande parte do solo americano. E como Taylor parece ter relações com gente muito poderosa do show business e de sua gravadora, conseguiu alcançar a cada disco uma fama cada vez maior, mesmo com sua imagem tímida e sem personalidade. Antes dominando um gigantesco público jovem, a partir deste tão comentado 1989 (o nome é devido ao ano de nascimento de Swift) a cantora assumiu a típica postura de 80% das cantoras pop (genéricas) atuais, expandiu ainda mais seu público e fez um álbum extremamente bem produzido e bem divulgado. O grande problema é que o dinheiro que comprou toda a produção e marketing não consegue comprar talento.

Primeiro, darei as razões para minhas 2 estrelas avaliadas. Tais estrelas são devido a três principais fatores: 1) a produção do álbum é de extrema qualidade, tudo é muito bem remixado e editado, 2) A cantora demonstra um mínimo de técnica vocal eficiente, ainda que o abuso de auto-tune quase faça meus ouvidos sangrarem. 3) Eu bem que poderia dizer que Shake It Off é meu guilty pleasure, mas a verdade é que realmente se trata de uma ótima canção pop. A letra descompromissada – sem os chatíssimos dramas românticos – aliada a uma excelente bateria, bom arranjo de vozes e aos metais com direito a Luiz Santiago na corneta (fica esse segredo entre nós, ele foi convidado a gravar uma participação no álbum de sua ídola) fazem as batidas perfeitas para o objetivo da música: fazer dançar. É frustrante ver a cantora acertar tão bem em uma canção e errar tão fortemente no resto do disco…

Bem, e então falemos dos defeitos. Pra começar, as letras são um problema enorme aqui. E aqui não peço letras filosóficas nem nada, afinal, é música pop e precisa ser realmente simples. Mas Taylor Swift não consegue fugir em quase nenhum momento do típico drama juvenil “Ah, será que ele gosta de mim?“, “Ai, que gato“, “Diga que lembra de mim!” e inúmeras outras besteiras. E vou repetir, o real problema não é falar disso, mas SÓ SABER FALAR DISSO. O clímax disso tudo chega na vergonhosa How You Get The Girl. Não há variação ou criatividade, parece um caminhão de clichês. E não me venha com discurso de que “se trata de uma canção pop”. Existe uma imensa quantidade de canções pop melhores escritas e com temas mais variados que isso.

Algumas boas batidas aqui, outros bons arranjos de vozes ali não conseguem salvar o disco do vale comum. É tudo muito artificial e pouco original, com pouquíssimas exceções. Não dá nem pra encaixar o disco em uma categoria “menos pretensiosa” já que a cantora e toda equipe de marketing realmente pensam e divulgam o trabalho como se tratasse de uma revolução do mercado. Bem, pode procurar o quanto quiser, não encontrará muito mais do que canções para garotas de 16 anos aqui. Parece que Taylor Swift não superou o fim das boybands e girlbands, muitas das canções soam datadas, tão genéricas quanto músicas das Spice Girls. E, no fim, todo aquele papo furado de “um novo passo na carreira de Swift” – tentando segurar uma postura de menina má e se apoiando na direção que a indústria musical navega (ou naufraga) –  vai por água abaixo. Wildest Dreams é só um exemplo de como sua música ainda soa imatura, do tipo que ainda espera um príncipe chegar a cavalo. A cantora até tenta flertar com gêneros interessantes como synthpop, mas faz isso de maneira tão tímida que soa amadora demais.

1989 surfa na onda que tantas cantoras pop vinham surfando, Swift definitivamente veste a camisa do pop. No entanto, ela só abandona o estilo ingênuo de seu country pra abraçar um estilo mais moderno. É simples: pra sobreviver a indústria da música pop você precisa se adaptar, seu pop country não ia durar muito. Mas, no fundo, não houve amadurecimento. Se trata de sua velha música teen camuflada por baixo de batidas eletrônicas e uma boa produção. Se for pra ser assim, mesmo não me agradando, prefiro ficar com seu country meloso. Pelo menos ele é bem mais honesto.

Aumenta!: Shake It Off
Diminui!: How You Get The Girl

1989
Artista: Taylor Swift
País: Estados Unidos
Lançamento: 27 de outubro de 2014
Gravadora: Big Machine
Estilo: Pop

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.