Crítica | 20th Century Boys (Volumes 01 ao 07)

estrelas 4

Existe uma enorme variedade de mangás em circulação no Brasil. Entretanto, muitos títulos importantes demoram ser publicados, ou às vezes nem chegam ao país. As duas famosas obras de Naoki Urasawa, 20th Century Boys e Monster, são esperadas por aqui há bastante tempo. Toda a espera terminou em 2012, quando a Panini anunciou o lançamento dessas séries no Brasil. Ambas foram muito elogiadas lá fora, em especial 20th Century Boys, que recebeu inúmeros prêmios, inclusive Eisner Awards, sendo considerado um dos melhores mangás já criados.

A sinopse é uma das mais peculiares já feitas, apesar de parecer simples, demonstra ser complexa com o desenrolar da trama: um grupo de amigos que em sua infância, na década de 70, se divertiam imaginando planos, aventuras e histórias sobre como eles salvariam a Terra de uma ameaça que tentaria provocar a destruição do mundo.  Vinte anos se passam, cada um segue seu rumo. Porém, um mistério surge quando uma seita liderada por um homem intitulado “Amigo” começa a realizar esses planos de dominação e destruição do mundo, criados por eles na infância. Assim, Kenji (o protagonista), busca reunir o grupo para tentar descobrir a identidade secreta do “Amigo” e os inúmeros mistérios da seita que ele lidera. Abaixo, o Amigo, o grande vilão do Mangá.

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Apesar de ter essa sinopse inicial, a HQ mostra grandes evoluções e mudanças, a cada edição vários personagens são apresentados, alguns desaparecem e voltam em edições mais avançadas (ou não), tudo isso devido à narrativa não linear de Urasawa, que foca em diferentes momentos do tempo. Acostumar com uma narrativa não linear nunca é fácil, entretanto, o autor organiza a história de uma maneira que o leitor não se perca. Esse tipo de narrativa pode ser um pouco confusa na primeira edição, mas logo o leitor se acostumará. A respeito dos traços do autor pode-se dizer que são bem distintos, com uma forte caracterização dos personagens, refletindo bem a personalidade de cada um.

As duas primeiras edições são centradas na apresentação dos principais personagens do grupo e nas primeiras ações do Amigo e sua seita. Não é preciso ler muitos volumes para perceber o ponto forte da história de Urasawa: seus personagens. A série possui um número grande de personagens e todos muito bem desenvolvidos. Essas primeiras edições, apesar de serem muito boas, não passam a impressão que a série é tudo isso que fora dito. Entretanto, demonstra um potencial enorme, com um mistério que vai ficando maior (e melhor!) a cada edição.

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As edições 3 e 4 preparam para o clímax que a história vai desenvolvendo: o dia em que um dos principais planos do Amigo será executado. Nessas edições a série adota um clima mais obscuro, apesar de ainda manter o bom humor. Os volumes 5, 6 e 7 já começam a narrar partes desse clímax. Paralelamente a esses acontecimentos, a partir do fim da 5ª edição começa o desenvolvimento de um novo arco que tem ênfase em outro período do tempo, apresentando uma nova rede de personagens. É perceptível que o volume 7 é um divisor de águas, até o momento é o volume de destaque de 20th Century Boys, uma ótima aventura que termina com o surgimento de novos e incríveis mistérios. Você passa a olhar a série de um jeito diferente e começa a concordar bastante com os elogios que lhe foram feitos.

O mangá foi encerrado no Japão em 2006, no Brasil o fim ainda está longe visto que é publicado bimensalmente e termina no volume 22 (atualmente ainda está no volume 9). Para finalizar, não posso deixar de citar o clássico do T-Rex que nomeia a obra. A famosa canção está nas primeiras páginas da primeira edição, sendo apresentada para o leitor através do protagonista, um guitarrista fracassado. A música tema é um som contagiante da década de 70 que se encaixa muito bem à divertida e dramática trama da série.

T-Rex – 20th Century Boys 

20th Century Boys
Roteiro: Naoki Urasawa e coproduzida com Takashi Nagasaki
Arte: Naoki Urasawa
Lançamento Oficial: 27 de setembro de 1999
Lançamento no Brasil: 2012
Editora: Shogakukan (Japão) e Panini Comics e Planet Manga (Brasil)
Volumes: 22

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.