Crítica | 24: Legacy – 1X07: 6:00 p.m. – 7:00 p.m.

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estrelas 3

  • Contém spoilers.
  • Leiam aqui as nossas críticas dos outros episódios da série.

Aparentemente a equipe de roteiristas de 24: Legacy simplesmente detesta a ideia de ter Eric Carter trabalhando em conjunto com o CTU, já que, pela terceira vez, vemos o protagonista sendo forçado a iniciar uma missão solo. O problema não está no fato de ele trabalhar sozinho em si e sim na maneira repetitiva como os textos são construídos, sempre o forçando a retornar para uma equipe em algum momento. 6:00 p.m. – 7:00 p.m. contava com o potencial de fazer as coisas melhorarem na série, já que uma das barrigas desnecessárias foram removidas com a explosão no capítulo anterior, infelizmente, não é isso o que ocorre, visto que a criatividade parece estar em falta no seriado.

Com sua esposa e irmão sequestrados, Carter precisa encontrar alguém que possa consertar o pendrive de Jadalla Bin-Khalid – evidente que Andy, que recentemente perdera seu acesso à rede da CTU, justamente por ajudar o protagonista, é escolhido. Dito isso, eles seguem, aparentemente sem ninguém saber, em direção a uma missão suicida. Enquanto isso, Rebecca Ingram chega à conclusão de que métodos convencionais de interrogatório não irão funcionar com seu sogro e decide utilizar uma equipe própria para usar meios mais agressivos, mesmo sabendo que seu marido jamais aceitaria isso.

Apesar de termos aqui um capítulo centrado em apenas dois focos (com poucas cenas desnecessárias envolvendo o drama da mulher e irmão de Carter), sentimos como se pouca coisa efetivamente acontecesse, o que pode significar uma certa enrolação do roteiro para que a série finalize com seus doze episódios. Curiosamente, mesmo tempo mais calma para desenvolver sua trama, o roteiro comete alguns erros consideráveis, começando pela equipe de Rebecca que surge simplesmente do nada, tendo sido jamais citada anteriormente. Em segundo lugar temos a decisão totalmente sem sentido de Andy seguir Carter sem mais nem menos, como se não houvessem mil e uma maneiras óbvias de realizar a troca com Jadalla envolvendo a CTU. O grande problema de 24: Legacy é esse: a aparente necessidade de fazer Eric trabalhar sozinho (ou quase), algo que soa completamente forçado e que emburrece a grande maioria dos personagens.

Do lado de Rebecca Ingram, as coisas não melhoram, nos passando a impressão de que o texto força um conflito entre ela e seu marido. Evidente que sua escolha de utilizar a tortura para extrair a verdade de seu sogro jamais seria aceito por John, mas, ao menos, poderia ter sido pensado em um plano melhor para distraí-lo. O mais gritante, contudo, é a já citada introdução da equipe de Ingram, algo que poderia ter sido mais trabalhado em capítulos anteriores ou até mesmo aqui, bastava uma fala para resolver tudo

Felizmente, a direção de Jon Cassar consegue se sair bem, minimizando muitos dos fatores negativos do roteiro. Para começar, ele cria um bom clima de instabilidade através de planos mais movimentados. Mesmo nos momentos de calmaria, temos uma câmera na mão, transmitindo um ar de incerteza que permeia todo o capítulo. As poucas sequências de ação que vemos aqui são marcadas por cortes pontuais, com planos ainda curtos, mas nada que atrapalhe nosso entendimento do que está sendo transmitido em tela.

Embora bem dirigido, 6:00 p.m. – 7:00 p.m. representa mais um fraco episódio de 24: Legacy, que, agora, apresenta sinais de que não há muito mais a ser mostrado pela série, visto que a costumeira agilidade do seriado foi abandonada. Com inúmeros pontos convenientes demais, a série nos cansa, ao passo que não conseguimos, de fato, acreditar em quase nada do que é exibido em tela. Resta torcer para que esse cenário seja revertido nas próximas semanas, caso contrário, a perda de audiência continuará, acarretando no quase inevitável cancelamento do seriado.

24: Legacy – 1X07: 6:00 p.m. – 7:00 p.m. — EUA, 13 de março de 2017
Showrunner:
Howard Gordon
Direção:
Jon Cassar
Roteiro:
Tony Basgallop
Elenco: 
Corey Hawkins, Miranda Otto, Anna Diop, Teddy Sears, Ashley Thomas, Dan Bucatinsky, Jimmy Smits, Kathryn Prescott, Kevin Christy, Zayne Emory
Duração:
44 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.