Crítica | 24: Legacy – 1X10: 9:00 p.m. – 10:00 p.m.

estrelas 2

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Estamos na reta final dessa primeira temporada de 24: Legacy e a aproximação do fim já fica bastante clara pela agilidade da narrativa, trazendo grandes acontecimentos ao longo de todo o episódio. Estamos falando, porém, de uma série que se passa em tempo real, com um grande compromisso ao realismo e não há como não notar a forma como essa velocidade assumida pelos capítulos soa totalmente fora da realidade, especialmente considerando que, no episódio passado, a grande ameaça era Naseri e, agora, isso já foi alterado, nos passando a impressão de que a temporada enrolou o máximo para que desenvolvesse tudo nesses momentos finais.

O senador John Donovan foi capturado pelos terroristas e, agora, todo o CTU está tentando encontrá-lo. Nesse momento, Rebecca é contactada por Jadalla, que propõe trocar sua vida pela de seu marido. A antiga diretora da agência, contudo, planeja, junto de Eric Carter, utilizar essa oportunidade para acabar com os terroristas. Os dois saem, portanto, para encontrar Jadalla sem que o resto do CTU tenha conhecimento. Enquanto isso, Bin-Khalid revela estar vivo para seu filho e parece, acima de tudo, querer se vingar da mulher que quase o matara – descobrimos, porém, que seus planos são mais profundos do que isso.

Mais uma vez 24: Legacy arranja alguma forma de fazer seu protagonista atuar solo e, é claro, que os planos dele e Ingram acabariam indo por água abaixo, ou até piorariam a situação ainda mais. Por mais que essa manobra do roteiro tenha funcionado no princípio do seriado, agora isso já soa como pura e simples repetição, afinal, já presenciamos a mesma história do personagem ao lado de Ben e Andy. É bastante óbvio que isso não se passa de uma desculpa para que algo saia errado, prolongando, portanto, a narrativa, já que Rebecca poderia muito bem ter envolvido Keith Mullins e o restante da agência.

Para piorar, a revelação de que Bin-Khalid está vivo ocorreu muito próxima ao surgimento de Nasari, passando a impressão de que temos um vilão novo sendo introduzido a cada semana, por mais que o terrorista já estivesse sendo mencionado durante toda a série. O que não soa nem um pouco realista, contudo, é como eles planejaram toda essa troca e encheram um estádio de futebol com gasolina em apenas uma hora. Vale lembrar que a captura de John Donovan foi por mero acaso, não tendo sido algo pré-programado pelos antagonistas. Simplesmente não há como aceitarmos que tudo isso foi feito em um período tão curto de tempo, especialmente levando em conta que muitos dos terroristas foram mortos no bombardeio há dois capítulos. A estrutura da série, em tempo real, portanto, acaba por prejudicar seu próprio desenvolvimento, pedindo demais de nossa suspensão de descrença.

Outro ponto negativo, que já se firmou como uma constante na temporada, é o foco familiar de Carter. Qual era a necessidade de, no meio daquela crise, sua esposa querer discutir o futuro de sua família? Pior ainda é o irmão de Eric tentando conseguir Nicole para si. Não há espaço para isso tão próximo do clímax da temporada, mas os roteiristas parecem querer insistir nesse núcleo, que novamente se estabelece como algo desconexo da trama principal, já que estão todos sãos e salvos (à exceção de Eric, é claro). Sentimos como se não tivessem história o suficiente para preencher os doze capítulos e acabaram inserindo alguns fillers no meio do caminho, como foi o caso da terrorista que se explodiu na ponte, não sendo sequer mencionada depois.

Ao menos, no meio disso tudo, Henry Donovan, enfim, teve um surto de sanidade, revelando que o tio de John fora quem mantivera contato com Jadalla. Dito isso, o fato do pai do senador não ter sido preso por confessar à Rebecca sua culpa soa como algo totalmente fora da realidade, mas ainda há a esperança de que ele seja encarcerado posteriormente, quando toda essa crise terminar. Infelizmente, essa revelação significa que o foco da série provavelmente irá se dividir em dois, dilatando ainda mais a narrativa.

9:00 p.m. – 10:00 p.m., portanto, nos encaminha para o desfecho da temporada, mas o faz errando em inúmeros pontos, pedindo demais de nossa suspensão de descrença ao retratar acontecimentos que não podem ter sido feitos de uma hora para a outra. Se apoiando demais na mesma fórmula, que torna tudo uma experiência extremamente repetitiva, 24: Legacy certamente já nos cansou, a tal ponto que queremos ver o final não por curiosidade ou tensão e sim para nos livrarmos dessa série que se perdeu consideravelmente desde o seu première.

24: Legacy – 1X10: 9:00 p.m. – 10:00 p.m. — EUA, 03 de abril de 2017
Showrunner:
Howard Gordon
Direção:
Stephen Hopkins
Roteiro:
Manny Coto, Gabriella Goodman
Elenco: 
Corey Hawkins, Miranda Otto, Anna Diop, Teddy Sears, Ashley Thomas, Dan Bucatinsky, Jimmy Smits, Kathryn Prescott, Kevin Christy, Zayne Emory, Oded Fehr
Duração:
44 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.