Crítica | 24: Legacy – 1X12: 11:00 p.m. – 12:00 p.m.

Episódio e temporada:

estrelas 2,5

  • Contém spoilers.
  • Leiam aqui as nossas críticas dos outros episódios da série.

Repleta de subtramas e acontecimentos desnecessários que dilataram sua narrativa, a primeira temporada de 24: Legacy, enfim, chega ao seu episódio final, após sermos deixados com um grande cliffhanger na semana anterior. Ao contrário do capítulo passado, que parece ter se esquecido inúmeras vezes que o seriado se passa em tempo real, 11:00 p.m. – 12:00 p.m. apenas utiliza algumas poucas licenças poéticas para quebrar essa estrutura. Ironicamente, porém, é justamente ela que prejudica o andamento do finale, que soa exageradamente apressado e, no fim, “malandramente” consegue preencher as 24 horas presentes no título.

O roteiro de Manny Coto e Howard Gordon evidentemente gasta mais tempo do que deveria no trecho inicial, desconstruindo a situação na qual Eric se encontrava, que acaba sendo mais uma forma de inchar a temporada, enquanto deixa outros focos com menos atenção do que deveria. Ao tirar a filha de Naseri de seu cativeiro, Eric deve levar entregar a garota para Keith Mullins, para que ele a entrega para a embaixada de seu país. Após isso acontecer, Carter precisa tirar Rebecca das mãos de Naseri, que concordou em realizar a troca, caso sua filha fosse colocada em segurança. Evidente que nem tudo ocorre conforme o planejado e o CTU sofre uma grande perda.

Ao gastar um tempo desnecessário na situação da casa, ao início do capítulo e, é claro, por ter investido preciosos minutos no núcleo familiar de Carter, além de outras barrigas ao longo da temporada, a série acaba deixando a desejar em outros pontos, deixando muitas pontas soltas e outras mal-trabalhadas. Evidente que ganchos para um possível segundo ano seriam deixados, mas estamos falando de resoluções apressadas, como a morte de Naseri e Bin-Khalid, os dois principais antagonistas (ao menos dessa dupla de episódios), cujas mortes são tratadas de forma quase casual, sendo ignorados completamente após Ingram levar o tiro. É natural que os personagens ficariam mais preocupados com a ex-diretora do CTU, mas não custava nada ter alguns diálogos que, ao menos, citassem os dois vilões – ou melhor, custava tempo, algo que a temporada não tinha mais.

Dito isso, 24: Legacy mantém sua narrativa incessante, que não nos oferece tempo algum para respirar, mas, dessa vez, ao invés de nos envolver, ela somente nos faz desejar por um maior esmero por parte dos roteiristas. Por estarmos falando do season finale não há como não olhar para trás e nos perguntarmos a relevância de personagens como Amira ou a ex-namorada de Isaac, ambas com arcos próprios, que, no fim, não trouxeram nada de relevante para a trama principal, apenas preencheram espaços, que poderiam ter sido melhores utilizados por outros personagens. Vejamos a relação de Locke com Andy, por exemplo, que é esquecida nos capítulos finais – o próprio mestre da computação do CTU passa a servir como um personagem mais que secundário. E nem entrarei na questão de Daniel, que fora enviado para o CTU no capítulo anterior, é desacordado por Keith e nunca mais foi falado do sujeito.

São furos como esse que prejudicam a série como um todo, acabam com a nossa credibilidade em relação a ela. Mais agravante, porém, é a utilização de elipses para lidar com a morte de alguém tão importante quanto Rebecca. Não fosse o excelente trabalho (como de costume) de  Jimmy Smits, como John Donovan, sequer sentiríamos a perda de Ingram, visto que tal aspecto não é trabalhado a fundo com nenhum personagem. Tudo o que bastava era um episódio a mais, focado nas consequências de toda essa aventura – se tivemos o pulo de doze horas aqui, por que não treze capítulos com um pulo de onze? Claramente a estrutura rígida, portanto, atuou contra o desfecho desse ano. Mesmo a tentativa de referenciar O Poderoso Chefão, com Eric entrando em uma sala e fechando a porta para sua esposa, não chega a nos atingir verdadeiramente, já que tudo é solucionado com um diálogo curto, no qual a personagem feminina demonstra ter mudado de opinião de uma hora para a outra.

Felizmente, a direção de Stephen Hopkins diminui, um pouco, muitos desses problemas, sabendo empregar planos mais aproximados para lidar com as limitações de Corey Hawkins, que não demonstra muito em sua expressão facial. As cenas de ação e as mais tensas conseguem manter o espectador atento sem grandes problemas, construindo um belo suspense que, quase, nos faz esquecer dos deslizes do roteiro. Os cortes acabam sendo exagerados em alguns pontos, mas nada que prejudique nosso entendimento, somente incomodam levemente.

Essa temporada de estreia de 24: Legacy, portanto, começou de forma promissora, mas foi rapidamente desandando, nos entregando muitos altos e baixos ao focar desnecessariamente em personagens, os quais não contam com qualquer valor narrativo. Apressado e descuidado, 11:00 p.m. – 12:00 p.m., resume muito bem os vários problemas da série, que, no fim, é prejudicada pela sua estrutura de doze episódios em tempo real. Se ela for renovada esperamos que tais deslizes não se repitam, caso contrário, teremos mais do mesmo, o que não é nada bom, considerando o resultado final.

24: Legacy – 1X12: 11:00 p.m. – 12:00 p.m. — EUA, 17 de abril de 2017
Showrunner:
Howard Gordon
Direção:
Stephen Hopkins
Roteiro:
Manny Coto, Howard Gordon
Elenco: 
Corey Hawkins, Miranda Otto, Anna Diop, Teddy Sears, Ashley Thomas, Dan Bucatinsky, Jimmy Smits, Kathryn Prescott, Kevin Christy, Zayne Emory, Oded Fehr
Duração:
45 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.