Crítica | “.5: The Gray Chapter” – Slipknot

Slipknot-5-Gray-Chapter

estrelas 2

“This song is not for the living
This song is for the dead”

XIX – Slipknot

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Uma nova era do metal começava a surgir no fim dos anos 90 e início dos anos 2000, surgindo o famoso Nu Metal. O estilo se resume a uma mistura de influências de outros estilos, podendo inserir rap, grunge ou elementos mais eletrônicos com o Metal Alternativo. Entre as bandas mais populares do estilo surgiu um bando de 9 loucos com máscaras de palhaços monstruosos que virariam a ser uma das mais populares novas bandas de metal dessa década. Esse era o Slipknot.

.5: The Gray Chapter é o quinto trabalho de estúdio da banda e vem vendendo bastante nos EUA. Após quatro álbuns e sendo All Hope Is Gone (2008) o último registro em estúdio, os fãs já pediam por um novo álbum há muito tempo. Desde 2008 muita coisa aconteceu e abalou o grupo. Paul Gray, baixista da banda desde sua origem, faleceu em 2010 vítima de overdose, enquanto Joey Jordison, baterista e co-compositor, foi demitido no início do ano por razões desconhecidas. Em uma clara homenagem ao baixista (o nome do álbum referencia seu nome) a banda tenta se redimir sem a presença dos dois, mas soa bastante falha e se esquecendo de soar coesa e melódica.

XIX abre o disco como uma excelente introdução, uma versão quase acapella onde o fundo ruidoso e cheio de efeitos distintos combina com a tristeza e inconformidade na voz de Corey Taylor. O problema é que o álbum possui breves momentos de reais inspirações como essa.

Os singles lançados já viriam a ditar os principais erros. Uma grande ênfase no peso e nos efeitos eletrônicos, enquanto ocorria uma perda na melodia. The Devil In I até consegue se salvar com seu bom refrão, ainda que abuse demais dele. The Negative One, assim como outras faixas do álbum (como Sarcastrophe, Lech, Custer…) parece uma poluição sonora da pior qualidade. Tentando soar “pesada”, usa a velocidade da bateria somado com terríveis efeitos eletrônicos, soando como um Skrillex em um catastrófico dia. Boas ideias surgem com alguns bons riffs, mas são bastante desperdiçados com ruídos que fogem bastante do que pode ser chamado de metal.

Claro, há alguns poucos momentos onde a banda lembra seus bons tempos. The One Who Kill The Least é a que possui mais chances de estar no nível dos clássicos, sabendo misturar o peso e a melodia no mesmo estilo que The Subliminal Verses já fez. If Rain Is What You Want é um dos raros momentos onde se vê um verdadeiro destaque para solo de guitarra, visto que em várias faixas a bateria, os efeitos do DJ e a guitarra base extremamente pesada provocam uma grande confusão e ocultam grande parte da melodia que tenta sair da guitarra solo.

No quesito “competência técnica” os substitutos de Joey Jordison e Paul Gray (que ainda não foram revelados, mas que há rumores de serem Alessandro Venturella e Jay Weinberg, respectivamente) demonstram ser eficientes. Especialmente o baterista, que não deixa a bateria soar diferente com a falta de Joey, que já foi considerado um dos melhores bateristas do mundo. No entanto, o que se deve considerar é que os ex-membros não eram apenas instrumentistas, mas tinham papéis importantes na parte criativa, (especialmente Joey que era um dos líderes) o que agora vem ficando monopolizado por Corey. Isso influenciou muito .5: The Gray Chapter, soando bizarro e oriundo de uma só mente.

Após perdas que seguem irreparáveis, o Slipknot voltou como um daqueles valentões que apanham e tentam se fazer de durão. O nível de qualidade da banda varia em vários momentos do álbum e já não demonstra ser o mesmo de antes, não possui sequer uma canção que possa bater de frente com um Psychosocial ou talvez uma Duality. Afinal, .5: The Gray Chapter parece ser um capítulo bastante cinzento na discografia da banda.

.5: The Gray Chapter
Artista: Slipknot
País: Estados Unidos
Gravadora: Roadrunner
Lançamento: 17 de outubro de 2014
Estilo: Nu Metal, Metal

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.