Crítica | 7 Caixas

estrelas 4

As grandes produções cinematográficas latino-americanas contam com mais um importante nome. Agora é a vez do Paraguai provar que também sabe fazer cinema e pode competir de igual para igual com muitas superproduções por aí.

Juan Carlos Maneglia e Tana Shémbori conseguem reunir ação, drama e até suspense, em uma só história, além de escancarar, com muita ironia, a rotina mercantil presente no Paraguai. 7 Caixas conta a história de Victor (Celso Franco), um rapaz de 17 anos que trabalha como carregador no Marcado 4, a mais movimentada feira da capital paraguaia, Assunção.

O ponto central da história é o sonho de Victor em ser famoso, filmado e aparecer na televisão, como os astros de cinema que idolatrava. O rapaz vê num celular com câmera a oportunidade em poder ser gravado, podendo assim se aproximar do seu sonho de Hollywood. Sem ter dinheiro suficiente para conseguir comprar o aparelho, o rapaz aceita realizar a entrega de sete caixas, sob a promessa de receber 100 dólares de recompensa.

O filme possui uma proposta ousada: utilizar os moldes da indústria americana de produção, subvertendo seus valores e realizando uma abordagem crítica à pretensa soberania dos Estados Unidos a todo o sistema de comércio mundial. O elemento que mais ilustra essa perspectiva é a nota de 100 dólares, rasgada duas vezes durante a película.

Talvez por não estarmos familiarizados com um cenário pouco abordado na linguagem cinematográfica, 7 Caixas faz com que tudo pareça estranhamente novo, ainda que tão próximo à outras realidades encontradas no Brasil. É preciso também ressaltar que o roteiro é muito bem construído. As tramas paralelas se cruzam ao longo da história e são fundamentais para produzir o sentido esperado. 7 Caixas transforma uma ideia simples, que pode ser encontrada os montes na rotina de um mercado paraguaio, em uma história que consegue cativar até o mais chato dos espectadores, sem ser previsível nem cair em lugares comuns.

7 Caixas (7 Cajas, Paraguai, 2012)
Direção: Juan Carlos Maneglia e Tana Shémbori
Roteiro: Juan Carlos Maneglia
Elenco: Celso Franco, Lali Gonzales, Victor Sosa, Nico Garcia, Paletita, Manuel Portillo, Mario Toñanez, Roberto Cardozo
Duração: 100 min.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.