Crítica | A 5ª Onda

a quihta onda 5ª onda

estrelas 2

Adaptação de um livro que faz com os aliens o que Crepúsculo fez com os vampiros, A 5ª Onda estabelece uma invasão ao planeta Terra feita de uma forma mais sistemática do que aquelas a que estamos acostumados. A trama tem como fio da meada a família Sullivan, especialmente os filhos Cassie e Sam a quem vemos passar por diversos problemas tentando se proteger dos alienígenas malvados que querem a Terra, usando, para isso, “ondas” de tragédias cujo objetivo é eliminar a espécie humana.

Algumas semelhanças com Jogos Vorazes se mostram claras na adaptação, mas não existe de fato uma sociedade organizada, um conflito fortemente estabelecido e um trabalho coerente de construção narrativa. A passagem da vida normal para a vida de perseguição e fuga se dá por um flashback pouco orgânico e curto, onde os roteiristas tentam ao máximo mostrar uma face dócil, unida e amorosa dos personagens a fim de ativarem um contraste que virá apenas parcialmente no futuro e de forma um pouco mais efetiva nos coadjuvantes.

Cassie, interpretada por Chloë Grace Moretz, tem uma mudança de tom em sua personalidade de um momento para outro, mas não em uma linha de contraste pelo amadurecimento (endurecimento) de sua persona mas sim pelo choque. A atriz não está ruim no papel, mas o roteiro não lhe dá a oportunidade de avançar além do básico clichê ou do repetitivamente impressionada com toda a situação. É evidente que essa postura condiz com a situação do mundo à beira da extinção humana, mas o fato do enredo se estacionar em um único caminho para cada bloco de personagens acaba tornando tudo chateante a ponto de chegar um momento em que o romance e a linha das emoções à flor da pele tomam corpo e dominam a história, piorando o que já não estava bom.

Entre efeitos visuais mais ou menos aceitáveis para a destruição do mundo via “causas provocadas” e uma exploração até interessante do espaço externo percorrido por Cassie, o espectador é jogado para um funil narrativo, onde todos os soldados-crianças e emoções diversas se encontram. Alguns desses elementos são realmente bons, como o jogo astuto dos alienígenas para enganar os humanos e usá-los como arma para destruírem a si mesmos (inspiração em Eles Vivem), partindo de uma “iniciativa crianças-vingadoras”.

Abrem-se aqui as portas para questionamentos de lógica do texto, como o fato dos aliens, com toda a sua tecnologia, precisarem fazer com que o planeta e as nossas fraquezas biológicas matem os mais fracos nas primeiras “ondas” e os humanos matem a si mesmos na quinta onda. Se o livro explora isso de alguma forma, o roteiro sequer sugere uma explicação. Em um momento, Ben Parish conversa com o Coronel Vosch a respeito desse domínio, mas daquele diálogo, onde surge uma crítica ao processo de colonização e extermínio de povos ao longo de nossa História, nada pode ser tomado como justificativa, explicação ou motivação dos “Outros” para o seu modus operandi. Nem a forma mais preguiçosa de explicar, como dizer que era apenas “algo cultural” o roteiro se permite falar. E tudo é dado apenas como fato consumado.

Nada melhora quando o romance entre Cassie e Evan surge na tela. Essa pate do longa só ganha um ponto bom e assistível na primeira missão das crianças e na revelação de quem são os “Outros”. Desse momento em diante, a caminhada pra o desfecho do filme é percorrida sempre entre esses dois grupos de ação, um interessante e mais ou menos bem executado e outro ruim, desnecessário e mal executado. Curiosamente, é no desfecho da fita que a trilha sonora é melhor utilizada e a perseguição ganha um nível intenso e chamativo, muito melhor do que o miolo insosso da película.

A premissa de A 5ª Onda se torna interessante à medida que entendemos o verdadeiro propósito dos invasores e imaginamos algo que o filme não mostra: a real luta entre humanos e alienígenas. Infelizmente, isto só será visto em uma [possível] sequência. Para a nossa tristeza.

A 5ª Onda (The 5th Wave) — EUA, 2016
Direção: J Blakeson
Roteiro: Susannah Grant, Akiva Goldsman, Jeff Pinkner (baseado na orba de Rick Yancey).
Elenco: Chloë Grace Moretz, Matthew Zuk, Gabriela Lopez, Bailey Anne Borders, Nick Robinson, Ron Livingston, Maggie Siff, Zackary Arthur, Parker Wierling, Madison Staines, Tony Revolori, Liev Schreiber, Maria Bello, Alex Roe
Duração: 112 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.