Crítica | Detective Comics: A Ascensão dos Homens-Morcego (Renascimento)

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estrelas 4

Leiam aqui as nossas críticas do Universo DC: Renascimento.

Certo. Então a DC retomou a contagem da revista Detective Comics, considerando o cumulativo da fase dos Novos 52 e, neste primeiro arco após a retomada, trazendo as edições #934 a 939, apresentando uma história que mata dois coelhos com uma tacada só: primeiro, ao fazer uma coerente passagem até o momento pré-Novos 52, e segundo, ao transformar esse retorno em um recomeço que, na verdade, é uma continuação. Parece complicado, mas não é. Levando em conta a passagem do tempo, o roteirista James Tynion IV seguiu com o drama de Gotham em um “estado de sítio mudo”, com coisas medonhas se erguendo atrás das cortinas e Batman preparando-se para combater a ameaça. Parece mais do mesmo. Mas só parece…

Velhos rostos, velha dinâmica e uma nova forma de levar adiante um drama ameaçador, eis a grande sacada do texto de Tynion IV e a verdadeira proposta da DC para a fase de Renascimento. Em A Ascensão dos Homens-Morcego, estamos diante de um “novo grupo” convocado pelo Morcegão. São recrutados Robin Vermelho (Tim Drake), Salteadora (Stephanie Brown) e Órfã (Cassandra Cain), que devem seguir não a liderança de Batman, mas de uma personagem sensacional que nunca esteve em trabalho de destaque — e de maneira regular — junto ao Cavaleiro das Trevas, a badasss Batwoman (Kate Kane). Existe um outro personagem no grupo, mas não vou falar quem é. Apenas ressalto que o leitor precisará ter a mente aberta e muito boa vontade para poder aceitá-lo nessa formação. Isso, e a revelação de quem é o vilão/organização que enfrentam nessa precoce ascensão.

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Uma [bat] caverna bem diferente… Um novo propósito…

A primeira impressão que temos é que não houve nenhuma interrupção dramática na sequência de histórias para os personagens do arco. Isto é, se o leitor está relativamente ciente de quem é quem no Universo DC. Existe uma grande naturalidade na narração e o desencadeamento da história é forte o bastante para nos manter ocupados, procurando por pistas e torcendo para que cada membro dessa [bat]família consiga fazer o seu trabalho a contento, uma prece muda atendida com louvor pelo autor, que só não consegue melhores resultados porque adota uma linha que conta com a desconstrução rápida de conceitos por parte do leitor (para um dos membros do time de Homens-Morcego e para o vilão da saga), o que não é nada fácil de se fazer e que acaba pesando um pouco na verossimilhança. Por ser apenas uma escolha pautada por desconstrução, não temos, de fato, algo ruim aqui, mas certamente é uma peça que diminui a força que a história teria se as escolhas fossem outras.

Mas sabem de uma coisa? Ainda bem que o roteirista fez isso. E que bom que a DC permitiu esse tipo de ousadia. O choque demora um pouco para passar, mas o roteiro elenca esses personagens de maneira tão cativante que não há como fugir deles ou rejeitá-los, mesmo achando estranho as ações de um ou outro. O bom dessa história é que não existe descaracterização, apenas uma readequação de espaço e condições de luta. Cada um mantém as principais características pelas quais os conhecemos no passado, e isso é realmente muito bom [importante: levem em consideração a passagem do tempo!].

A equipe artística realiza um trabalho excepcional do começo ao fim. Há algumas mudanças no grupo de desenhistas, finalistas e coloristas ao longo do arco, mas a qualidade da arte não cai. A escolha para momentos bem específicos de diagramação imaginativa é bem-vinda, não sobrecarregando o leitor e fazendo das páginas onde aparecem cenas únicas de boa estrutura visual a serviço do texto, a mesma coisa que podemos dizer das páginas duplas, que mesmo não trazendo sempre épicas cenas, servem como uma melhor distribuição de diálogos mais densos, dentre os quais a conversa entre Kate e seu pai Jacob e entre Kate e Renee Montoya são as mais marcantes.

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Um outro ângulo do passado: Bruce Wayne e Kate Kane.

O término do arco, na verdade, não é um término. Existe uma ação suspensa que dará início ao segundo volume de aventuras dessa fase Rebirth da Detective Comics, mas o drama da ascensão dos Homens-Morcego (que tem duplo sentido na história) é bem narrado e se completa aqui. As “pontas soltas” foram escolhidas a dedo e a capacidade de deixar o leitor curioso pela sequência da história só prova que com um pouco mais de leveza e imaginação é possível fazer personagens clássicos e algumas batalhas já bastante manjadas parecerem mais novas do que realmente são. E isso é algo bastante positivo. Que bom que a Detective Comics foi retomada em alto estilo!

A Ascensão dos Homens-Morcego/The Rise Of The Batmen (Detective Comics #934 – 939: Renascimento) — EUA, 2016
Roteiro: James Tynion IV
Arte: Eddy Barrows / Álvaro Martínez / Al Barrionuevo
Arte-final: Eber Ferreira / Raúl Fernández / Al Barrionuevo
Cores: Adriano Lucas / Brad Anderson
Letras: Marilyn Patrizio
Capas: Eddy Barrows, Eber Ferreira, Adriano Lucas, Álvaro Martínez, Raúl Fernández, Tomeu Morey
24 páginas (cada edição)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.