Crítica | A Atração (2015)

a-atracao-plano-critico-mostra-sp

estrelas 2

A Atração (2015) é o primeiro longa-metragem da diretora Agnieszka Smoczynska, um dos raros musicais vindos da Polônia. Com roteiro assinado por Robert Bolesto, o filme conta a história de suas sereias que são “adotadas” e vivem em um cabaré, onde passam a fazer parte da equipe, cantando, realizando apresentações exóticas, bebendo e flertando. O púbico não chega a ver a transformação delas acontecendo, mas as sereias aparecem com sua longa cauda e seios à mostra em boa parte do filme, o que é um ponto positivo para a diretora, pois essa escolha ajuda a fomentar o lado fabular e horrífico do filme.

Musicais, na maioria das vezes, possuem problemas narrativos vindos da dificuldade do roteirista orquestrar de maneira coerente as canções e os diálogos. Como acontece aqui em A Atração, as músicas parecem aleatórias, talvez como parte de reflexões ou fantasias das personagens, mas não são precisas o bastante para fazer avançar o roteiro. Elas mal conseguem justificar a sua própria validade no filme, uma vez que aparecem em sequências em quase tudo alheias, em reflexões ou fantasias pouco importantes para a história. À exceção das execuções no cabaré — essas músicas sim, justificadas, embora pouco importantes –, o caráter musical de A Atração é apenas um capricho mal inserido no filme.

Quanto a execução dessas faixas, a realidade é outra. Na maioria das vezes, temos boas canções, além de contarem com as belas vozes das duas protagonistas, especialmente nos solos (os duetos são pouco interessantes). Com a mistura de gêneros na maioria das vezes, algo entre o dance, disco, rock e pop romântico, o espectador não enjoa do que ouve. É de se lamentar que no roteiro, essas canções não sirvam para o desenvolvimento da história, apenas para falar de algo isolado.

Claro que em um filme com sereias — e elas só parecem boas criaturas no começo… depois veremos o seu verdadeiro lado — haveria uma abordagem crua da direção, um desenho artístico macabro ou claustrofóbico (aqui ocorre os dois casos), fotografia amparada em filtros/monocromatismo, que neste caso faz sentido, pois existem muitas cenas dentro do cabaré e bizarrices ligadas ao horror. À medida que decepções acontecem, a paixão entra em cena e algumas brigas tomam conta do grupo de músicos e sereias, o roteiro se torna mais claro, abraça melhor o Universo que resolveu retratar. Mas isso é por pouco tempo, até que o texto deixe de lado personagens e situações potencialmente interessantes para seguir a afirmação mais clichê da fábula sobre as sereias.

Confesso que causa surpresa e há algum tipo de beleza no final da história, talvez o melhor momento do roteiro e da direção em todo o filme, e isso acaba causando um impacto menos negativo no público em relação ao todo. A esta altura, estamos mergulhados no conflito moral e sentimental de uma das sereias com o baixista do cabaré, de modo que o impacto de tudo ali é conflitante, paradoxal, entre o tocante, o clichê e o notável.

Como musical, A Atração não funciona bem, mas como um horror erótico e um tanto bizarro, o filme tem o seu valor. O espectador pode esperar por bons figurinos, boas canções (deslocadas da trama) e interpretações condizentes com esse estranho Universo escondido no nosso imaginário ou em um subúrbio polonês qualquer.

A Atração (Córki Dancingu) — Polônia, 2015
Direção: Agnieszka Smoczynska
Roteiro: Robert Bolesto
Elenco: Marta Mazurek, Michalina Olszanska, Kinga Preis, Andrzej Konopka, Jakub Gierszal, Zygmunt Malanowicz, Magdalena Cielecka, Katarzyna Herman, Marcin Kowalczyk, Joanna Niemirska, Katarzyna Sawczuk, Roma Gasiorowska
Duração: 92 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.