Crítica | A Aventura da Cozinheira de Clapham (Agatha Christie’s Poirot 1X01)

A Aventura da Cozinheira de Clapham (Agatha Christie’s Poirot 1X01) plano critico

estrelas 4

Adaptar ShakespeareAgatha Christie, respectivamente, o primeiro e o segundo lugar na lista de escritores mais vendidos da História, nunca é fácil. Primeiro, porque falamos de obras muito conhecidas e valorizadas pelo público. Depois, porque as histórias contadas por ambos os escritores trazem dificuldades de força temática e de construção de personagens que exigem demasiadamente de um elenco bem escolhido, assim como de uma boa direção. Tendo isso em mente foi que a família Christie sugeriu David Suchet para interpretar Hercule Poirot em Agatha Christie’s Poirot, a série que se tornaria uma das mais longevas e de maior sucesso baseada nas obras da Rainha do Crime.

Com um conto da coletânea Os Primeiros Casos de Poirot, o diretor Edward Bennett e o roteirista Clive Exton iniciaram a jornada que duraria de 1989 a 2013, com 13 temporadas e 70 episódios que traziam para a telinhas os contos e romances de Agatha Christie contendo o detetive belga baixinho e bigodudo, sua maior criação. Em A Aventura da Cozinheira de Clapham, ele e Arthur Hastings (Hugh Fraser) são colocados no caminho de um crime incomum, a partir de um pedido absurdo. Uma excêntrica senhora chega ao escritório e, depois de reclamar da altura de Poirot, pede para que ele encontre… sua cozinheira.

A história coloca o detetive em uma espécie de conflito de ego. Na cronologia dos livros, esta aventura está na primeira fase de sua carreira como detetive particular, mas ele já tinha certa fama no meio policial pelo tempo que passou servindo na polícia de Bruxelas, Bélgica, de onde fugiu para a Inglaterra, durante a Primeira Guerra Mundial. Falamos então de um Poirot que só tem disposição para “casos de importância nacional“, pois ele tem afazeres muito mais importantes como limpar uma mancha de gordura de sua roupa ou arrumar o bigode.

David Suchet merece todos os louros possíveis pelo excelente trabalho que faz na caracterização de Poirot. Já neste primeiro episódio temos uma performance inteiramente relevante e muitíssimo bem clara quanto a personalidade, manias, bordões — como “as pequenas células cinzentas” — e a maneira bem peculiar do personagem pensar, analisar variantes, admitir que está errado e fingir algum tipo de descontentamento a fim de encontrar alguma coisa escondida nas reações das pessoas. Neste sentido, até as pequenas mudanças do roteiro em relação ao original são bem vindas, pois nos ajudam a vê-lo em mais de uma ocasião conflitante, especialmente junto ao Inspetor Japp (Philip Jackson) e à simpaticíssima empregada da família Todd, interpretada por Katy Murphy.

A direção de Bennett perde um pouco a mão quando sai do eixo Poirot-Todd e não lida muito bem com Hastings e Miss Lemon (Pauline Moran), a secretária do detetive. Isso também tem a ver com o roteiro, mas era algo que daria para ser contornado na imagem, ao menos com colocação mais orgânica dos dois ao longo das cenas (especialmente Hastings), o que não acontece. Felizmente, esses pequenos erros são minimizados pela fidelidade e boa escolha de representação dos mistérios do conto, tanto visualmente, na direção de arte e figurinos, quanto no enredo. Um crime cruel e inteligente que serve de porta de entrada para qualquer um que está chegando ao Universo de Agatha Christie; não foi à toa a sua escolha para abrir de maneira muito positiva esta icônica série.

Agatha Christie’s Poirot 1X01 – The Adventure of the Clapham Cook — Reino Unido, 8 de janeiro de 1989
Direção: Edward Bennett
Roteiro: Clive Exton (baseado no conto de Agatha Christie)
Elenco: David Suchet, Hugh Fraser, Philip Jackson, Pauline Moran, Brigit Forsyth, Dermot Crowley, Freda Dowie, Anthony Carrick, Katy Murphy, Danny Webb, Richard Bebb, Brian Poyser, Frank Vincent, Phillip Manikum, Jona Jones
Duração: 51 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.