Crítica | A Aventura do Pudim de Natal (Grandes Detetives de Agatha Christie: Poirot e Miss Marple – 1X19 e 20)

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estrelas 3,5

Com base na coletânea de contos de mesmo título lançada em 1960 (com republicação de pequenas histórias do início da carreira da autora, alguns modificados para esta edição), esta dupla de episódios da série Grandes Detetives de Agatha Christie faz uma boa adaptação televisiva ao colocar Poirot em busca de uma joia familiar valiosíssima de uma “nação amiga” do Reino Unido, cujo príncipe, por imprudência, perdeu para uma ladra, em um momento de bebedeira e flerte.

Escrito por Yukiyoshi Ôhashi, o roteiro é bastante fiel ao original, mudando apenas o necessário para tornar o arco dinâmico — o fato de serem dois episódio de 24 minutos ajuda, em parte, a manutenção da estrutura do conto e exige alguns extensões ou trocas de eventos –, errando apenas na concentração inteira da resolução em um único bloco ou em uma sequência direta de eventos, algo que funciona melhor no texto do que na TV.

Poirot é contratado, depois de alguma resistência, para investigar o desaparecimento da valiosa joia do príncipe e para isto precisa ir até o campo, seguindo uma pista forte que uma organização policial londrina tem do paradeiro do objeto roubado. Toda a forte atmosfera natalina que Agatha Christie coloca no conto é abraçada por esta adaptação. Claro que neste caso, um narrador ajudaria muito mais o estabelecimento da data, a preparação das comidas e a convivência familiar tradicional, que é o centro das atenções desta história. Todavia, não há nenhuma decisão comprometedora por parte da direção ou do roteiro, capturando bem o espírito natalino.

O que sempre me chamou a atenção nos episódios desta série é a forma como os personagens, em boa parte dos cenários familiares, parecem isolados, o que é ao mesmo tempo um problema da direção e dos animadores. A manutenção de grandes planos gerais reforça essa impressão, que poderia ser remediada com uma aproximação maior e foco em mais cenas de ação nos pequenos grupos do que em contextos do espaço físico, já que o tempo do episódio é menor e isso poderia ser facilmente apreendido pela colocação dos personagens nesses cenários. Seja como for, o calor familiar e o ajuntamento de pessoas em reunião de Natal parecem se perder um pouco aqui, devido a essa distância visual proposta pela animação.

O bom uso dos adolescentes torna o miolo e o final da história bem divertido. Apenas fica solto o animal de estimação de Mabel, e Hastings é jogado de um lado para o outro como um serviçal simples, o que não me agradou. Embora eu não goste do personagem nos livros — pelo menos na maioria das vezes em que ele aparece — vê-lo como um assistente meio bobo e quase sem importância não é algo bom. Mesmo assim, a história nos mantém interessados e se conclui bem, como um inesperado e muito feliz Natal de Poirot, que mata dois coelhos com uma cajadada só nessa investigação.

Agasa Kurisutî no meitantei Powaro to Mâpuru (Kurisumasu pudingu no bôken (zenpen) Purinsu kara no Irai / Kurisumasu pudingu no bôken (kôhen) ôke ni tsutawaru rubî) — Japão, 5 e 12 de dezembro de 2004
Direção: Joji Shimura, Naohito Takahashi
Roteiro: Yukiyoshi Ôhashi (baseado na obra de Agatha Christie)
Elenco (vozes): Yuriko Hoshi, Masako Jô, Hirofumi Nojima, Fumiko Orikasa, Kôtarô Satomi, Nami Tamaki
Duração: 24 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.