Crítica | A Bela e a Fera – O Natal Encantado

estrelas 2

A Bela e a Fera é, desde seu lançamento em 1991, um clássico instantâneo da Disney. Primeira animação a concorrer ao Oscar de Melhor Filme, o longa deu sustância ao Renascimento Disney, após o sucesso de A Pequena Sereiapossibilitando que filmes como Aladdin e Rei Leão solidificassem de vez a empresa como força matriz no ramo de animações cinematográficas. Com o fim dos anos 90, no entanto, estúdios como a Dreamworks e a Pixar (embora pertencente à Walt Disney Company) ganharam espaço e status criando uma concorrência acirrada com a companhia do camundongo falante. Com O Retorno de Jafar, em 1994, uma onda de produções feitas para lançamento direto em vídeo (o que nunca é um bom sinal) surgiu, e clássicos e obras contemporâneas ganharam sequências que ninguém nunca antes havia pedido.

A Bela e a Fera – O Natal Encantado é isso, uma obra sem o capricho do longa original, feita para lucrar um pouco mais. Inteligente, o estúdio não ousou lançar a produção nos cinemas e, talvez, manchar a reputação para sempre. Talvez, pois se a sequência de filmes fracos nos anos 2000 não conseguiu destruir a companhia, não seria esta obra responsável por isso. O ponto aqui não é a qualidade do produto em si, mas de fato, sua produção e a proposta em sua criação que transforma uma obra-prima, afinal, em um material, um produto como dito anteriormente, feito para lucrar sobre a arte.

Com uma história situada entre os acontecimentos do original, o enredo nos leva à véspera de Natal, após Bela (Paige O’Hara) ser salva dos lobos por Fera (Robby Benson). Ansiosa para comemorar a celebração, Bela descobre que Fera foi enfeitiçado nesse mesmo dia, o que fez com que o monstro proibisse a festa no castelo. Em paralelo à isso, Maestro Forte (Tim Curry), um dos empregados do castelo que se transformou em um órgão, descobre que Bela e Fera estão se aproximando e arquiteta um plano para impedir que os dois se apaixonem e consequentemente façam que ele torne-se homem novamente.

De início, é preciso ressaltar a ideia de um servente da casa se opor a ideia de retornar a ser quem ele era. Como órgão, Forte é muito mais importante para Fera do que ele era como um mero compositor. É uma motivação válida. No entanto, só o fato do personagem não estar na animação original, já revela que seus planos não passarão de mero fracasso. No final, a Bela ficou com a Fera, e de nada serviu os mirabolantes esquemas do personagem de Tim Curry. A única pergunta realmente relevante que o longa cria é: Bela conseguiu realizar o Natal daquele ano? E mesmo assim, essa dúvida é respondida na primeira cena do filme, já no futuro, onde a Madame Samovar (Angela Lansbury) revela que o Natal do ano passado foi salvo.

A animação regride de qualidade, com alguns traços, principalmente os fundos, tendendo mais à Dumbo, animação de 1941, do que ao filme de 1991. Por outro lado, as canções, mesmo não mantendo o nível do primeiro, conseguem ser um entretenimento eficiente, com As Long as They’re Christmas uma exceção excepcional de música com a mesma essência do original. Sem citar, o privilégio de poder assistir Tim Curry cantar Don’t Fall in Love, uma das músicas mais realistas e sensíveis já feitas para uma animação direta em vídeo da Disney. De fato, a trilha sonora de O Natal Encantado é muito boa, não sendo uma decepção como o filme em si é.

Com a inclusão de dois personagens esquecíveis, Angelique (Bernadette Peters) e Pífano (Paul Reubens), que são no máximo, engraçadinhos e fofinhos, A Bela e a Fera – O Natal Encantado é, enfim, uma reunião de ideias “bonitinhas”, utilizando o Natal, o evento mais gracioso possível. Todavia, estamos falando da continuação de um filme que é muito mais do que apenas bonito e que, portanto, contava com um grande legado para manter, algo que, evidentemente, não conseguiu fazer.

A Bela e a Fera – O Natal Encantado (Beauty and the Beast – Enchanted Christimas) — EUA, 1997
Direção: Andy Knight
Roteiro: Flip Kobler, Cindy Marcus
Elenco: Paige O’Hara, Robby Benson, Jerry Orbach, David Ogden Stiers, Bernadette Peters, Tim Curry, Haley Joel Osment, Angela Lansbury, Paul Reubens
Duração: 72 min.

GABRIEL CARVALHO . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidades, movido por uma pequena loucura chamada amor. Já paguei as minhas contas e entre guerra de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia. Eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar, não é mesmo?