Crítica | A Bird Story

estrelas 3,5

A Freebird Games traz mais um game focado quase que totalmente na história. Dessa vez, A Bird Story vem no mesmo estilo do aclamado To The Moon, mas com duração muito menor e menos e sem tantas pretensões. Infelizmente, sem tanta complexidade narrativa, a experiência é fugaz e muito menos sentimental, apesar de ainda despertar no jogador momentos de suspiros dada a singela história que é apresentada.

Curto e sem diálogos, o game conta a vida de um menino solitário que encontra um pequeno pássaro com uma das asas quebradas. Vemos a aproximação dos dois e a bonita relação criada, cheia de preocupação, nos tradicionais gráficos de 16 bits bem trabalhados pela Freebird, sem as piadas e referências que nos acostumamos com os doutores do grande game da desenvolvedora.

Visitando as memórias e a imaginação do garoto, o jogo nos faz prestar atenção em cada momento para não perder algum tipo de detalhe artístico ou narrativo possível de ser importante depois, principalmente após o mostrado pelo incrível To The Moon e pela promessa de “A Bird Story” ser um prelúdio do segundo episódio dos doutores que conhecemos anteriormente, ainda sem data de lançamento prevista. Como a narrativa é fragmentada, por vezes, a observação é fundamental para se conectar com o que o personagem sente.

birdstory

Por mais interessante que seja tal opção dos criadores, e por melhor que tenha sido executado, há pouquíssimos elementos de um game aqui. A proposta é muito mais acompanhar a história e se emocionar do que realmente se sentir no controle do garoto ou ter algum desafio, o que acaba sendo um exagero por parte dos desenvolvedores. De qualquer modo, eles conseguem alcançar o objetivo proposto nos proporcionando acontecimentos sinceros e tocantes. Não vai trazer nenhum caminhão de emoção como To The Moon trouxe, mas até agora, sem o lançamento do próximo jogo que trará o garoto, provavelmente, já idoso, o que nós vemos é quase como a mente de um rapaz sonhador com um amigo inesperado.

As sutilezas dão o tom, principalmente, pela música. Praticamente presente do começo ao fim, ouvimos um piano que diminui e aumenta o som conduzindo o jogador às emoções que o game quer despertar. Assim, a trilha sonora se faz essencial no modelo narrativo e também vai bem no que se propõe, mesmo que não haja complexidade nem nenhuma grande reviravolta sentimental.

A ambientação varia bastante graças à viagem que fazemos pela cabeça do protagonista, indo ao deserto, à riachos, passeando pelas alturas, tudo muito rápido e também prazeroso. Uma noite cheia de luz ou a escola do rapaz também são constantes para dar um clima triste ao game, que parece sempre guardar algo a mais no próximo ato. Infelizmente, porém, o game dura pouco mais de uma hora e vai do ponto A ao ponto B sem muita frescura.

Talvez com sua continuação o jogo se torne mais completo e a experiência mais pessoal. Não que A Bird Story ignore o sentimento do jogador, muito pelo contrário. A impressão que se passa, contudo, é que falta um complemento, uma densidade maior ao enredo para que o jogador se relacione com o conto ali contado do jeito que se emocionou com To The Moon. Quando se trata da Freebird Games, a exigência de qualidade já é das mais altas entre os indie games.

A Bird Story
Desenvolvedor:
Freebird Games
Lançamento:
6 de novembro de 2014
Gênero:
Aventura
Disponível para:
 PC

ANTHONIO DELBON . . Ressentido como Vegeta, não suporto a beleza nos outros. Escondo minhas taras em falsas profundidades e não titubeio em dizer um taxativo não aos convites para experimentar os gostos do mundo. O mundo tem gostos demais, livros demais, críticas demais. Escrevo porque preciso – viver, não sobreviver - e viajo fluidamente sem sair do lugar. Na madrugada, nada melhor do que a guitarra de Page ou a voz de Yorke para lembrar da contingência do pó, ainda que nossa tragicômica vida mereça ser mantida, seja por distração ou por vício, como diria Cioran.