Crítica | A Casa dos Mortos

estrelas 2,5

Filmes como A Casa dos Mortos são do tipo que alimentam o preconceito de quem se mantém distante do gênero terror: de quem pensa que todos são iguais (repletos de clichês) e com roteiros de pouco ou nenhum sentido, que não se levam a sério. Filmes que se divertem um público segmentado com um susto ou outro, também mancham todo o potencial que uma história bem construída em torno do medo pode atingir.

Só que o caso de A Casa dos Mortos talvez seja ainda pior, já que a produção, embora decididamente não se possa levar a sério, parece querer que a levemos, ao menos pelos bem produzidos “fenômenos sobrenaturais”. No longa, um morador descobre jovens brutalmente mortos numa casa abandonada. Como consequência, as autoridades são chamadas e um policial (Frank Grillo) e uma psicóloga (Maria Bello) assumem papel central nas investigações. Em meio à chacina, um jovem ainda vivo é encontrado e se torna um dos suspeitos do crime. Logo o passado da casa vem à tona, onde, adivinhe, outros jovens já foram mortos. O adolescente que sobreviveu conta que o grupo foi à casa para filmar a assombração supostamente responsável pelas mortes anteriores.

Se existe um padrão nos assassinatos, porém, o mesmo não é plenamente justificado – pela abordagem, o número de mortes poderia ser de cinco ou de cinquenta pessoas. Clichês não faltam, do nariz de um dos jovens que começa a sangrar logo que o grupo entra na tal casa até o cúmulo de um comentário sobre a ausência de vento nas proximidades da moradia – repare bem, o problema não é a repetição desses elementos, mas a superficialidade com que são abordados, que dariam certo como sátira se não tentassem parecer sérios. O elenco, é verdade, não se destaca, mas claramente faltou apelo da direção no artifício dramático. O ritmo da narrativa é prejudicado pela priorização do clímax depositado exclusivamente nas investigações: tudo que vemos da chacina está em filmagens ruins, e o foco nos jovens dentro da casa antes do massacre, em flashbacks, é grande demais para não querermos acompanhar em primeira mão o horror pelo qual passaram nos momentos de mortandade. Para piorar, os acontecimentos precipitados na casa pela matança terminam pouco claros e tudo é facilitado demais em conveniência ao roteiro. Muitas falas também não funcionam, o extremo da constatação óbvia da psicóloga perante ao jovem sobrevivente quanto à repetição das mortes na casa é que o diga.

De fato, se não fosse pela boa produção do diretor do satisfatório Invocação do Mal, que proporciona para A Casa dos Mortos alguns bons momentos de tensão e um ou outro susto genuíno (elogie-se, também, a trilha de Dan Marocco, especialmente eficaz nos momentos de maior ação), o filme seria um grande desastre. Apesar disso, sequer pode ser acusado de não se levar a sério.

A Casa dos Mortos (Demonic, EUA – 2015)
Direção: Will Canon
Roteiro: James Wan, Will Canon, Doug Simon, Max La Bella
Elenco: Maria Bello, Frank Grillo, Cody Horn, Dustin Milligan, Megan Park, Scott Mechlowicz, Aaron Yoo, Alex Goode, Ashton Leigh, Terence Rosemore
Duração: 90 min

LUCAS BORBA . . Gaúcho e estudante de jornalismo, vê nessa profissão a sua porta de entrada ao mundo artístico, uma de suas grandes paixões. Cinema, séries e seriados, animes e animações, literatura e até radionovelas compõe sua ânsia insaciável pelo vômito da arte. Opa, não, só por arte mesmo. Sem falar, é claro, em paixões como batata frita, panquecas (destaque para as de espinafre e de guisado, com bastante requeijão, e para as de chocolate), estrogonofe, navegação e otras cocitas más - repare que a comida ganha destaque, apesar da sua, sim, magreza.