Crítica | A Entidade

estrelas 2

Sob a direção de Scott Derrickson, o mesmo do ótimo O Exorcismo de Emily Rose, A Entidade estreou em 2012 e se tornou estatística: mais uma produção sobre família assombrada por espíritos malignos com direção preguiçosa, falhas no roteiro e pouca empolgação do público e da crítica.

Ao longo dos seus tediosos 110 minutos, o filme nos apresenta a Ellison (Ethan Hawke), um escritor de narrativas policiais que se muda para uma casa cheia de mistérios: no sótão, ele descobre rolos de filmes que trazem imagens desagradáveis de pessoas mortas. Há também um estranho símbolo que acompanha as imagens, e, no projeto investigativo para desvendar o segredo por detrás das imagens, Ellison percebe que ele e a sua família correm perigo.

Os personagens são bons. Ethan Hawke encarna o estereótipo do escritor em busca de sua nova história. Os filhos são carismáticos e os problemas familiares cativam os espectadores. A seu favor, a narrativa possui uma boa direção de fotografia, bem como um competente trabalho de iluminação, o que colabora com a história que nos é apresentada. Mas é só isso. Não espere mais. A Entidade não se contenta em manter o poder da sugestão, perdendo o seu impacto inicial ao passo que aprofunda demais explicando coisas que deveriam ser deixadas no ar.

De volta a Ethan Hawke, para quem nuca havia embarcado numa história de terror, o ator consegue dar conta do seu papel. Ele se esforça para dar ao filme o caráter sério que se espera, mas sua postura profissional é prejudicada pela música intrusiva demais e o final clichê que se limita à histeria. A maquiagem dos personagens malignos também não ajuda, pois, por ser demasiadamente carregada, nos deixam entre a comédia e a tragédia, entre o cômico e o horrível.

Por ser um gênero extremamente comercial, o terror estará sempre em crise. Às vezes, surge um Pânico ou Invocação do Mal, reformulando ideias e agradando, para mais adiante sermos mergulhados num mar de produções equivocadas e repetitivas. Sempre foi assim, desde a primeira Idade de Ouro do Cinema de Horror. Como já exposto em textos anteriores, não precisa ser “original”, basta utilizar bem as ideias que pretende reciclar.

A Entidade oferece alguns sustos, certa dose de adrenalina em poucas cenas, mas, no geral, o resultado é pouco empolgante. Para os mais escolados, há os irritantes clichês que não são readaptados, mas apenas expostos de maneira pouco interessante. Para os menos exigentes, pode render um bom momento de descontração.

A Entidade (Sinister, EUA/Canadá/Reino Unido – 2012)
Direção: Scott Derrickson
Roteiro: Scott Derrickson, C. Robert Cargill
Elenco:  Ethan Hawke, Clare Foley, Juliet Rylance, Cameron Ocasio, Fred Thompson, James Ransone, Vincent D’Onofrio
Duração: 110 minutos

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.