Crítica | A Era de Ultron vs Zumbis Marvel (Tie-In de Guerras Secretas – 2015)

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estrelas 2,5

Obs: Leia a crítica da saga aqui e dos demais tie-ins aqui.

O que são os tie-ins: Em Guerras Secretas, saga de 2015, o Doutor Destino – agora Deus Destino – recriou o mundo ou, como agora é conhecido, Mundo Bélico, a seu bel-prazer, dividindo-o em baronatos, cada um normalmente refletindo de alguma forma um evento ou uma saga passada da Marvel Comics. Com isso, a editora, que, durante o evento, cancelou suas edições regulares, trabalhou como minisséries – algumas mais auto-contidas que as outras – que davam novo enfoque à situação anterior já conhecida dos leitores, efetivamente criando uma saga formada de mini-sagas, com resultado bastante satisfatório, muitas vezes até superior do que as nove edições que formam o coração de Guerra Secretas.

Crítica

A proposta desta minissérie é bizarra, para dizer o mínimo. Se o normal dos tie-ins de Guerras Secretas é reimaginar sagas da editora como regiões separadas do Mundo Bélico criado por Deus-Destino, aqui, como o título deixa bem claro, há a reunião de uma saga razoavelmente recente – Era de Ultron, em que Ultron muda o Universo Marvel completamente, eliminando a gigantesca maioria dos heróis – e uma linha editorial já sedimentada – Zumbis Marvel, que reimagina todo o Universo Marvel depois de uma praga zumbi – em uma história até divertida, mas tão estranha e rápida que quase não dá tempo do leitor parar para pensar.

A premissa é que, além do Escudo, enorme muro que protege as regiões mais, digamos, civilizadas do Mundo Bélico, há uma eterna luta entre os robôs de Ultron, que vivem na cidadela Perfeição, e uma interminável horda de zumbis composta por super-heróis e super-vilões Marvel que vivem nas Terras Mortas. Não tentem elucubrar muito sobre isso. Apenas aceitem que dói menos. Entrando nesse mix, temos o Hank Pym da cidade de Timely (nome da empresa predecessora da Marvel Comics), da minissérie 1872, também tie-in de Guerras Secretas. Por ter contrabandeado adamantium para fazer seu protótipo de robô, Pym é condenado a viver além do Escudo, mas ele logo é resgatado pelo Visão, Tocha Humana (o original, androide) e Simon Williams, o Magnum, os três, como os leitores reconhecerão, com ligações próximas a Ultron. Os heróis vivem em outra cidadela, chamada Salvação, em que tentam descobrir uma forma de derrotar Ultron que, eles sabem, foi criado por o Hank Pym de outras terras, morte por sua criação. A esperança que o novo Pym, vindo de uma terra sem tecnologia, seja o mesmo tipo de gênio de sua contraparte e consiga achar um meio para lidar com toda essa estranha situação. Enquanto isso, claro, Ultron, que de bobo não tem nada, faz uma aliança com Magneto, o líder dos zumbis, gerando híbridos de desmortos robôs para destruir Salvação.

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O problema da minissérie é que, quando ela começa, ela acaba. São quatro números apenas, como de praxe e o roteiro de James Robinson é desequilibrado na progressão narrativa. Muita preparação para um clímax apressado, em algumas páginas apenas, com conveniências para lá de exageradas e obtidas no último segundo e muitas vezes off panel. É como ler uma história pela metade e ter que adivinhar o resto. Não que a trama seja particularmente complexa ou original, mas a impressão que dá é que a editora só avisou para Robinson que ele teria quatro números para contar sua história quando ele estava feliz da vida escrevendo o terceiro número e achando que teria pelo menos mais cinco pela frente.  O que se vê, portanto, é um correria desenfreada que destrói todo o já simplista arco dramático de Hank Pym.

A arte, que ficou substancialmente ao encargo de Steve Pugh, transita bem entre o lado sombrio de Ultron e dos zumbis e o lado mais utópico de Salvação, com visuais convincentes para os monstros e clássicos para a trinca de heróis que recruta Pym. Há diversos flashbacks para o passado de Pym em Timely com sua namorada Janet van Dyne e construindo a versão beta de Ultron e eles ficaram ao encargo de variados artistas, cada um imprimindo seu estilo ao que vemos, mas sem grandes alterações que quebrem a fluidez visual da obra.

A Era de Ultron vs Zumbis Marvel é uma diversão rasteira e básica. Tinha material suficiente para que algo mais complexo fosse explorado, mas a escolha de Robinson acaba trazendo uma história que parece incompleta e mal desenvolvida. Às vezes, menos é mais e, aqui, o exato oposto aconteceu.

A Era de Ultron vs Zumbis Marvel (Age of Ultron vs Marvel Zombies, EUA – 2015)
Contendo: Age of Ultron vs Marvel Zombies (2015) #1 a #4
Roteiro: James Robinson
Arte: Steve Pugh (história no presente), Ron Garney, Matt Milla, Tom Grummett, Drew Hennessy, Jesus Aburtov, Paul Rivoche, John Rauch (flashbacks)
Cores: Jim Charalampidis
Letras: Clayton Cowles
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: agosto a novembro de 2015
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: setembro de 2016 (2ª história do encadernado Guerras Secretas: A Era de Ultron Vs Zumbis Marvel)
Páginas: 86

RITTER FAN. . . .Sou um carioca rabugento que não faz questão nem de sol (muito quente) nem de praia (tem areia e água salgada). Prefiro o escurinho do cinema onde, sozinho ou acompanhado da família ou de amigos, me divirto - ou não, depende - por horas a fio.