Crítica | A Era do Gelo 4

estrelas 2

Após comandar os três primeiros longas da franquia A Era do Gelo, o diretor Carlos Saldanha decidiu abandonar o projeto para dedicar-se ao filme Rio. Apesar de o brasileiro ser competente em criar uma obra que entretêm, com essa mudança surgiu à expectativa de que nas mãos de novos diretores o quarto filme pudesse quebrar a monotonia. Será que essa esperança tornou-se realidade?

A obra conta como o esquilo Scrat provoca, sem querer, a separação dos continentes, provocando mudanças no terreno de vários locais, entre eles onde os amigos Manny (Ray Romano), Diego (Denis Leary) e Sid (John Leguizamo) estão alojados. Um terremoto faz com que o trio fique preso em um iceberg, enquanto Ellie (Queen Latifah) e a pequena Amora (Keke Palmer) permanecem no continente. Em alto mar, Manny promete que irá encontrá-las a qualquer custo, mas para tanto precisará enfrentar vários perigos.

Com uma breve leitura das críticas anteriores, percebe-se que desde o segundo filme o grande problema da franquia era apresentar mais do mesmo, desenvolvendo pouca coisa realmente relevante ou diferente. Apesar dos diretores Steve Martino e Mike Thurmeier estarem pela primeira vez comandando o projeto, eles não trazem junto com eles idéias novas, pelo contrário, a obra apresenta exatamente os mesmos defeitos e qualidades dos trabalhos anteriores, logo, o que havia de bom permanece, mas os defeitos também continuam.

Portanto, a já batida trama familiar é novamente abordada, com foco no relacionamento entre pai e filhos, destacando como Manny não compreende que Amora está crescendo, enquanto ela culpa o pai por um fracasso sentimental, mas mais uma vez o roteiro, escrito por Michael Berg, Jason Fuchs e Mike Reiss, abandona essa premissa e não a desenvolve em prol do entretenimento e o pouco que a história mostra sobre esse relacionamento é de forma estereotipada sobre a adolescência.

Já Diego não é tão ignorado como nas duas últimas sequências, sendo desenvolvido um relacionamento dele com a tigresa Shira, que questiona o quão manso ele é como tigre, fazendo-o temer mais uma vez a monotonia da vida familiar, mas assim como qualquer outro arco do filme, essa trama é apenas apresentada, mas não explorada, o que ocorre também com o relacionamento de Sid com sua avó. Por fim, mesmo em meio a tantos personagens, os melhores momentos do longa são protagonizados por Scrat, uma vez que, pelo menos as tarefas que ele precisa executar para alcançar sua noz não se repetem nunca.

Enquanto no terceiro filme o fato de Sid ter sido levado ao mundo jurássico incentiva os outros animais a irem à sua procura, aqui o motor da trama é divisão dos continentes que afasta Manny de sua família, precisando então ir até ela. Mas assim como nos longas passados, diversos obstáculos são colocados no caminho dos protagonistas, dessa vez saindo os dinossauros e plantas carnívoras para tomarem lugar piratas e sereias. Todas essas cenas entretêm, mas não adicionam peso a narrativa, parecendo que tudo ali é apenas mais um obstáculo, um problema recorrente em todas as sequências da franquia.

Um dos fatores que eram elogiados nas obras anteriores são as abordagens sobre temas importantes, mas ao invés de incitar assuntos diferentes, aqui os roteiristas preferem mais uma vez alertar sobre os riscos do aquecimento global, o que apesar de importante, soa repetitivo.

O destaque do longa acaba ficando,novamente, a cargo da parte técnica que desenvolve vários cenários belos, dessa vez, devido a divisão dos continentes, com várias geleiras soltas pelo oceano e ilhas, contrastando com os demais filmes o que destaca a alteração drástica que o planeta sofreu. O desenho dos animais progrediu, uma vez que, suas feições, pelos e movimentos estão ainda mais bem definidos, dando ainda mais personalidade para cada um.

Mesmo não sendo de todo ruim, ao término de A Era do Gelo 4 há a sensação de que o filme já foi visto antes, isso devido ao ciclo repetitivo que a franquia se encontra. Enquanto os produtores tratarem seu produto como um mero meio de arrecadar dinheiro não se pode esperar muito mais da franquia que tinha potencial, mas foi jogada na mesmice.

A Era do Gelo 4 (Ice Age: Continental Drift) – EUA, 2012
Direção: Steve Martino, Mike Thurmeier
Roteiro: Michael Berg, Jason Fuchs, Mike Reiss
Elenco: John Leguizamo, Ray Romano, Queen Latifah, Denis Leary, Seann Willian Scott, Josh Peck, Keke Palmer, Peter Dinklage, Jennifer Lopez, Chris Wedge, Nicki Minaj, Wanda Sykes, Josh Gad, Kunal Nayyar, Nick Frost, Karen Disher
Duração: 88 min.

FERNANDO CAMPOS . . . Depois que fui apresentado para a família Corleone não consegui me desapegar da cinefilia. Caso goste de "O Poderoso Chefão" já é um belo início para nos darmos bem. Estudo jornalismo, mas amo mesmo escrever críticas cinematográficas. Vejo no cinema muito mais que uma arte, mas uma forma ensinar, inspirar, e o mais importante, emocionar. Por isso escrevo, para tentar incentivar às pessoas que busquem se aprofundar nesse universo tão rico. Não tenho preconceito com nenhum gênero, só com o Michael Bay mesmo.