Crítica | A Família do Futuro

Eu assisti A Família do Futuro em 2007, não muito tempo depois que o filme ir aos cinemas. Ele foi lançado em um momento em que o estúdio parecia estar lançando filmes de todos os tipos e tons na esperança de que um ficasse. A Família do Futuro é a segunda tentativa do estúdio de produzir um filme de animação totalmente em 3D, e é certamente divertido e criativo. Mas, como os filmes à sua volta, parecia mais uma tentativa fracassada de encontrar “a próxima grande novidade”.

O filme conta a história de Lewis, um jovem órfão inventivo que anseia por uma família própria. Mas, quando Lewis desiste de ser adotado e inventar algo que funciona, ele é levado para um futuro colorido e fantástico, que lembra o clássico desenho Os Jetsons, por um garoto misterioso chamado Wilbur. Aqui ele conhece uma família bizarra e excêntrica que rapidamente o aceita. de uma maneira que ninguém mais o fez.

Enquanto a história aborda alguns tópicos bastante sérios, como uma criança se perguntando por quê sua mãe o abandonaria quando bebê, ela não se esquiva de ter diversão em todas as oportunidades possíveis. Isso resulta em alguns momentos agradáveis. Em um certo ponto, um T-Rex é atingido por um trem em movimento. Infelizmente, isso também leva a coisas realmente estranhas.

Este tom ocasionalmente dramático, ainda que geralmente bobo, é resumido pelo Homem do Chapéu Coco, que talvez seja o mais vil vilão que o Walt Disney Animated Studio já produziu. Com seu longo bigode, traje preto e personalidade exagerada, ele rouba praticamente todas as cenas em que está.

Mas, por mais divertida que seja a sua imagem, o filme não envelhece bem. Muitos dos personagens têm uma aparência plástica, especialmente suas roupas. Mesmo comparado a Ratatouille e Shrek Terceiro, que saíram no mesmo ano, o filme parece datado. A história, enquanto isso, é divertida e imaginativa, mas basicamente previsível, e não vai muito além da mensagem central.

A Família do Futuro mostra que a forma como nós decidimos encarar aquilo que a vida nos oferece é determinante para o nosso sucesso pessoal e profissional. Muito mais do que ter uma vida boa, encarar a sua realidade com determinação para altera-la é algo de extrema importância. Talvez seja por isso que o filme termina com a frase do próprio Walt Disney que diz:

“Por aqui, contudo, não olhamos para trás por muito tempo. Seguimos em frente, abrindo novas portas e fazendo coisas novas… e curiosidade nos conduz a novos caminhos.”

Em última análise, enquanto A Família do Futuro não tem a profundidade e excelência técnica de muitos dos filmes mais conhecidos do estúdio, como A Bela e a Fera e Pinóquio, destaca-se no coração e charme e tem uma excelente mensagem sobre o importância de falhar e seguir em frente. Não é uma obra-prima, mas tem um senso de diversão e capricho que outros filmes modernos da Disney geralmente não têm.

A Família do Futuro (Meet the Robinsons) — EUA, 2007
Direção: Stephen J. Anderson
Roteiro: Jon A. Bernstein, Michelle Spritz, Nathan Greno
Elenco:
Daniel Hansen, Wesley Singerman, Angela Bassett, Tom Kenny, Steve Anderson, Laurie Metcalf, Adam West, Tom Selleck, Don Hall, Nicole Sullivan, Harland Williams, Nathan Greno, Tracey Miller-Zarneke, Jessie Flower, Matthew Josten, Joe Mateo, Kelly Hoover, Aurian Redson, Paul Butcher, Dara McGarry, John H. H. Ford
Duração: 94 min.

PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".