Crítica | A General (1926)

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estrelas 4,5

A comédia de Buster Keaton sempre foi muito sofisticada, com um apelo físico milimetricamente programado, riscos reais do ator e diretor, já que ele fazia todo o processo de gags, e uma inocente forma de trabalhar eventualidades da história, literatura ou do cotidiano, como é o caso deste icônico A General (1926), baseado nas memórias sobre o evento da “Great Locomotive Chase”, de William Pittenger, ocorrido durante a Guerra Civil, nos Estados Unidos, em 12 de abril de 1862.

A perseguição militar entre locomotivas já traz um caráter cômico pronto, e foi nisso que Buster Keaton se sustentou para escrever, ao lado de Clyde Bruckman — com quem também dividiria a direção — a história de Johnnie (Buster Keaton), um engenheiro ferroviário que tem dois grandes amores na vida, sua locomotiva, A General, e Annabelle (Marion Mack). Devido ao seu importante papel para o país (ou melhor, “para o Sul”) no comando da locomotiva, não permitem que Johnnie se aliste, o que faz com que ele seja rejeitado por sua amada e mal visto pelo pai e irmão da garota. A perseguição ganha corpo quando A General e Annabelle são sequestrados pelo Exército do norte.

O espectador se incomoda um pouco com os personagens do pai e principalmente do irmão de Annabelle, dado o mal desempenho dos atores, mas consegue relevar isso tranquilamente, assim como o princípio romântico da obra, que só passa a ter uma boa perspectiva dentro da comédia depois do início da perseguição. As trapalhadas do protagonista são medidas com cuidado, não tornando o filme um puro slapstick, mas não negando a inocência e sutilezas típicas desta era do cinema. Keaton e Bruckman se preocuparam em não só contar uma história engraçada, mas também em representá-la como tal, cabendo até um uso lírico e inovador da íris — editada em tela –, na cena em que Johnnie vê Annabelle através de um furo na toalha da mesa.

Os esforços para enquadrar a perseguição dentro de uma comédia física são notáveis e protagonizam o melhor momento do filme (mais da metade da obra, na verdade). Os momentos passados próximo às linhas inimigas, as ótimas sequências entre Johnnie e Annabelle na General, a famosa cena da ponte e os arranjos finais da batalha — onde a obra volta a ficar mais burocrática, mas não menos engraçada — nos mostram que é possível tirar o riso das coisas mais simples e improváveis, muitas vezes objetos do cenário utilizados para surpreender um personagem desatento ou compor uma cena mais engenhosa.

A General é um clássico que sempre vale a pensa revisitar. Sem o devido reconhecimento na época em que foi lançada, a obra alcançou, com os anos, um maior público e o seu devido lugar no coração de todos os cinéfilos. E se mantém firme como uma das comédias mais engenhosas já realizadas.

A General (The General) — EUA, 1926
Direção: Clyde Bruckman, Buster Keaton
Roteiro: Clyde Bruckman, Buster Keaton (baseado no livro The Great Locomotive Chase, de William Pittenger)
Elenco: Buster Keaton, Marion Mack, Glen Cavender, Jim Farley, Frederick Vroom, Charles Henry Smith, Frank Barnes, Joe Keaton, Mike Donlin, Tom Nawn
Duração: 67 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.