Crítica | A Guerra Vingadores/Defensores

estrelas 3

“Sim, Hulk foi um Vingador uma vez. Não gostou.” – O Incrível Hulk dá seus pitacos sobre sua tão conhecida participação na superequipe dos maiores heróis da Terra.

2481739-avengers116Da mente imaginativa de Steve Englehart, duas revistas estavam sendo publicadas pela Marvel Comics com a sua assinatura, em meados de 1973: Os Vingadores e Os Defensores. A intuição do roteirista logo levou-o, com o auxílio dos ilustradores Sal Buscema e Bob Brown, a unir-las, intercalando a história que seria contada entre as duas revistas de sua autoria. A Guerra Vingadores/Defensores ganhava forma e logo permearia por oito edições o primeiro grande crossover da editora. Apesar de ainda estar no seu início de carreira (vide, aqui, a crítica da origem), a estranha equipe dos Defensores contava com alguns dos heróis mais famosos da companhia, e os Vingadores, é claro, eram os Vingadores. Mesmo que a história não fosse extremamente bem elaborada, a diversão certamente era uma garantia para os leitores da época que se deliciariam com a sempre atrativa luta de mocinho contra mocinho. E assim foi.

A premissa coloca os Defensores e os Vingadores em lados opostos, manipulados pela dupla maligna composta por Loki e Dormmamu. O macguffin da vez é o Olho do Mal, que recebe duas atribuições para cada time; dois objetivos diferentes atrelados ao objeto. Enquanto o Mago Supremo acredita que achar as partes do objeto e uni-las irá poder trazer o Cavaleiro Negro de volta de seu estado petrificado (culpa da vilã Encantor, em história passadas), os Vingadores acreditam, após intercessão de uma mensagem de Loki, que os Defensores usará a arma para fins malignos. De antemão, as duas primeiras revistas, uma de cada super grupo, embasa mais histórias decorrente de eventos prévios, colocando o crossover para pontuar apenas nas últimas páginas das respectivas. Destas, destaque para a bela sequência do Pantera Negra no escuro enfrentando os inimigos da história. Por mais, nada de realmente importante para o arco maior.

No campo dos vilões, Loki aparenta estar em uma forma muito melhor que Dormammu. Pelo fato do vilão estar cego, a traição do mesmo é completamente compreensível, sendo um “egoísmo” muito mais palpável que a oposição de dois males de diferentes conotações, como se costuma ver em casos de vilão contra vilão. Apesar de visualmente Dormammu não ser nada imponente, estando anos-luz da figura maquiavélica e medonha que um dia seria traçada, toda a ambientação e contextualização ao redor do vilão é espetacular, sendo de encher os olhos. É uma história graficamente lúdica, com cores absurdamente vivas.

RCO011_1463885554O melhor duelo deste arco.

O ápice dos embates entre os heróis está na batalha épica entre o Incrível Hulk e o Poderoso Thor. Muito da rivalidade entre ambos os personagens, abordada com bom humor no primeiro filme dos Vingadores, deve-se a esse arco e a essa sequência emblemática. O confronto é poderoso, e os traços transmitem os limites que ambos os personagens estão tendo que ultrapassar. A introdução do Gavião Arqueiro à equipe dos Defensores, em edições passadas, posicionam o herói em uma situação delicada, tendo de enfrentar seus antigos parceiros de profissão. Nada que seja explorado narrativamente, ou seja, nada que seja utilizado para desenvolver Clint Barton como personagem. A garantia dada por tal fato é apenas a existência de um pouco de background, diferente da maioria dos demais versus, na luta do arqueiro contra o Homem de Ferro.

Defenders_Vol_1_10A resolução das problemáticas, especialmente o descobrimento por parte dos heróis de que haviam sido tapeados, é apressada, mas ao menos elas não propõem serem algo maior. Como todo clássico encontro entre super heróis (no caso super equipes), e a consequente antagonização de lados, tudo poderia ter sido resolvido com uma pequena conversa. Isso ocorre, após o duelo do Capitão América com seu antigo aliado de guerra Namor, mas com o grupo todo dividido (um artifício narrativo que permite o encontro específico de membros com membros, e aventuras mais concisas), apenas quando todos já se enfrentaram é que a voz da razão os atende.

Sendo assim, a batalha final permite dar fim aos planos maquiavélicos de Dormammu e Loki, garantindo ao segundo uma interessante – e a ser explorada em aventuras futuras – recompensa punitiva pelas suas ações. As duas últimas histórias, em The Avengers #118 e The Defenders #11, ainda complementam os arcos desenvolvidos, conseguindo adicionar mais ao todo (a desenvoltura da narrativa dos universos) do que a própria guerra em si. A exemplificar, o retorno do Cavaleiro Negro e mudanças nos status quo das equipes. A Guerra Vingadores/Defensores é uma história de consumo fácil, que apenas encontra medidas significativas para o universo Marvel como um todo em seus epílogos. A justificativa para o confronto é clichê, e os artifícios narrativos explorados por Steve Englehart são os mais banais possíveis – funcionais, mas sem originalidade alguma. A história não é isenta de diversão, muito pelo contrário. Mas é difícil salvar uma história esquecível, mesmo com a existência de pontuais momentos memoráveis.

A Guerra Vingadores/Defensores (Avengers/Defenders War) — EUA, 1973
Contendo:
The Avengers #115 a #118, The Defenders #8 a #11
Roteiro: Steve Englehart
Arte: Bob Brown, Steve Buscema, John Romita
Arte-final: Frank Mclaughlin, Frank Bolle, Mike Esposito, Frank Giacoia
Capas: Bob Brown, Steve Buscema, John Romita
Letras: Artie Simek, Tom Orzechowski, Jean Izzo, John Constanza, June Braverman
Cores: Petra Goldberg, George Roussos
Editora original: Marvel Comics
Páginas: 136

GABRIEL CARVALHO . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidades, movido por uma pequena loucura chamada amor. Já paguei as minhas contas e entre guerra de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia. Eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar, não é mesmo?