Crítica | A História de Stephen Hawking

estrelas 3

A Teoria de Tudo, longa que conta a vida do físico Stephen Hawking, chega aos cinemas brasileiros no próximo final de semana. Mas esse não é o primeiro longa que acompanha a trajetória de vida deste cosmólogo que deu uma lição de vida para todo o mundo e ainda conseguiu criar e provar teorias incríveis acerca do universo.

Em 2004, a BBC produziu para a televisão A História de Stephen Hawking, telefilme de 90 minutos que também mostra as dificuldades e descobertas desta personalidade. O protagonista era alguém bem desconhecido na época, um jovem talento, promissor e que no longa mostra que ainda ouviríamos muito seu nome por aí: Benedict Cumberbatch.

Isso mesmo, antes de dar vida a Sherlock Holmes e também a outro cientista (Alan Turing em O Jogo da Imitação, onde bem concorre ao Oscar como Melhor Ator), Benedict interpretou Hawking e inclusive foi indicado ao Bafta de Melhor Ator por seu desempenho.

O filme mostra a vida do cientista a partir dos 21 anos, quando ele era um estudante de Cambridge e está apaixonado por Jane, que viria a ser sua futura esposa anos mais tarde. É nesta época que ele é diagnosticado com ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), na época também conhecida como Doença do Neurônio Motor, doença degenerativa que tem como principal sequela o atrofiamento dos músculos e a limitação dos movimentos. O longa é muito realista quando mostra o início do problema, e principalmente, os primeiros anos de vida de Hawking com a doença. Os médicos lhe davam apenas dois anos de vida, mas o físico mostrou ao mundo que é possível sim, fazer o impossível. Em meio a tudo isso, o cosmólogo inicia sua tese sobre a criação do universo que o faria mundialmente conhecido.

Talvez o maior defeito do telefilme seja fazer esse recorte da vida de Stephen Hawking. Centrar os 90 minutos apenas na criação de sua teoria torna a experiência um tanto maçante, ainda mais com explicações físicas um tanto complicadas para o espectador comum, como eu, por exemplo. O filme poderia ter explorado mais a vida do físico fora do ambiente acadêmico, tornando-o um pouco mais humano e menos uma máquina genial de criar teorias que explicariam a origem de todo o universo. Quando o filme deixa o estudo acadêmico um pouco de lado e mostra a vida pessoal do personagem narrativa a cresce e flui de forma harmônica.

Cumberbatch já mostrava que seria um grande nome da televisão e cinema britânico. Com uma interpretação contida, mas não menos impressionante do que a de Eddie Redmayne no filme que concorre ao Oscar deste ano, o ator dá um toque de doçura ao personagem, tão mergulhado em números e livros. No filme da BBC a história termina antes de Hawking sofrer com a decadência física que o tornaria um cadeirante e faria com que ele pudesse se comunicar apenas por um programa de computador.

A história de vida de Stephen Hawking, que agora em 2015 completou 73 anos, já daria um filme incrível mesmo que ele não tivesse sido um físico brilhante que contribuiu para a ciência mundial com todas as suas teorias de criação do espaço e buracos negros. O cinema é um ótimo veículo para contar a vida de superação de pessoas com doenças incuráveis, como a dele, que dão uma lição de vida e nos levam às lágrimas. A BBC, inglesa como é, conseguiu montar um filme didático, sem cair no sentimentalismo e fazendo um recorte de uma parte da vida de Hawking que viria a mudar a história da humanidade. Se você é fã do físico e está curioso para assistir A Teoria de Tudo, este telefilme pode ser um bom início para esta jornada. Uma espécie de aquecimento. Recomendo!

Deixo aqui uma frase que me impactou muito e reflete bem a essência que o longa retrata em seus 90 minutos: “Somos muito, muito pequenos. Mas somos profundamente capazes de coisas muito, muito grandes.”

A História de Stephen Hawking (Hawking, Reino Unido – 2004)
Diretor:
 Philip Martin
Roteiro: Peter Moffat
Elenco: Benedict Cumberbatch, Michael Brandon, Lisa Dillon, Adam Godley
Duração: 90 minutos

GISELE SANTOS . . Gaúcha de nascimento, mas que não curte bairrismos nem chimarrão! Me encantei pelo cinema ainda criança e a paixão só cresceu ao longo dos anos. O top 1 da vida é "Cidadão Kane", mas tenho uma dificuldade enorme de listar os melhores filmes da minha vida. De uns anos para cá, os filmes alternativos têm ganhado espaço neste coração que um dia já foi ocupado apenas por blockbusters pipoquentos.