Crítica | A História Real de Um Assassino Falso

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estrelas 2,5

Levando em consideração que a última comédia de ação do Netfix, Zerando a Vida, foi um desastre colossal, é até reconfortante ver que A História Real de Um Assassino Falso (2016) consegue chegar ao posto de filme mediano e, querendo ou não, divertir o espectador. Também é possível perceber algumas boas ideias na fita, mesmo que não sejam novas, o que chama a atenção e faz valer a pena ao menos uma parte da sessão que, infelizmente, do meio para o final, ganha o status de estupidez coberta de clichês. Mas mesmo nesse caso, o espectador consegue se divertir um pouco.

O simpático canastrão Kevin James vive Sam um escritor estreante que após ter vários de seus manuscritos rejeitados por editoras, consegue um rápido e estranho contrato para publicar sua obra online. A agente editorial acaba descumprindo uma promessa e adicionando uma palavra ao título do livro, algo que irá mudar toda a vida do personagem, assediado e perseguido porque realmente acreditam que ele é um assassino internacional. Aqui, vale uma nota de pesar ao título em português, que dá um mini spoiler de cara e tira do espectador a brincadeira com essa realidade. A tradução literal do inglês seria perfeita para contextualizar o dilema do protagonista: Memórias Verdadeiras de um Assassino Internacional. A busca pelo riso imediato no título em português tornou a coisa meio boba demais. Mas tudo bem. O filme é meio bobo mesmo.

A apresentação do processo de criação literária de Sam é muito boa. Kevin James usa da sua familiaridade com o tipo de comédia física e coreografia de lutas para criar um bom herói na mente dele mesmo, como escritor. A isca funciona da melhor forma possível e o espectador embarca na aventura, rindo de uma piada ou outra e aos poucos torcendo para que o personagem consiga chegar ao seu objetivo. Diferente de Zerando a Vida, os mais enjoativos clichês do cinema raso americano são utilizados a favor da história e, exceto na parte final da obra, garantem boas cenas, considerando, claro, a proposta do filme.

Algo que já se esperava aqui era a maneira de representação estereotipada (ou mesmo errada) do cidadão sul americano, mas isso é de praxe, não há nada de novo. Ao mesmo, porém, tempo há algo curioso, a contemporaneidade do roteiro, abordando indiretamente o caso do deplorável governo de Nicolás Maduro na Venezuela, disfarçando bem as locações na República Dominicana para se parecer com parte da Amazônia venezuelana e o centro e subúrbio de Caracas, colocando da maneira como já conhecemos (há aqui ecos de Bananas, de Woody Allen) as revoluções latinas e as idas e vindas para matar ou afastar o presidente, o chefe do tráfico, o controlador da polícia, do Exército, os donos do poder.

Com algumas boas cenas de ação, momentos inteligentes no início da projeção e um resultado final parcialmente aceitável, A História Real de Um Assassino Falso consegue, de certa forma, ser aquilo que se propôs. A obra falha em expor determinadas atitudes dos personagens (o final peca pelo exagero e mal uso dos já citados e esperados clichês), mas diverte pelo tom improvável e cheio de “surpresas dentro de surpresas” que vão fazer muita gente rir. O humor não funciona sempre, mas não esperem nada tão ruim no nível de Zerando a Vida. Ainda é possível se entreter aqui. No entanto, ficam as perguntas para o Netflix: cadê a onda de bons filmes leves? Que tal uma comédia boa e inteligente, para variar?

A História Real de um Assassino Falso (True Memoirs of an International Assassin) — EUA, 2016
Direção: Jeff Wadlow
Roteiro: Jeff Morris
Elenco: Kevin James, Kim Coates, Maurice Compte, Zulay Henao, Andrew Howard, Ron Rifkin, Yul Vazquez, P.J. Byrne, Kelen Coleman, Leonard Earl Howze, Rob Riggle, Andy Garcia, Anthony Belevtsov, Jeff Chase, Katie Couric
Duração: 100 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.