Crítica | A Hora do Pesadelo 2: A Vingança de Freddy

estrelas 2

Obs: Leia sobre os demais filmes da franquia, aqui.

Cerca de um mês após sua estreia, A Hora do Pesadelo já era um sucesso. Seu orçamento de aproximadamente 1,8 milhões de dólares foi devolvido em lucrativos 10 milhões, que logo cresceram para um total de 25 milhões durante sua estadia nos cinemas americanos. Ainda contando a recepção positiva para o personagem de Freddy Krueger, uma continuação era prioridade para a New Line Cinema. Porém, ignorando a saída do criador Wes Craven e apressando as máquinas para lançar o filme com apenas um ano de diferença do original, não é surpresa que tenhamos tido algo pavoroso e capenga quanto A Hora do Pesadelo 2: A Vingança de Freddy.

Assinada pelo estreante David Chaskin, a trama parte de uma premissa interessante. Nancy Thompson e seus amigos não estão mais por aí, mas sua casa é comprada pela família do adolescente Jesse Walsh (Mark Patton). Tentando se adaptar à vizinhança e a nova escola, Jesse começa a ser assombrado em seus sonhos e na vida real pela presença maligna de Freddy Krueger (mais uma vez, Robert Englund), que tenta possuí-lo para cometer assassinatos.

De imediato, é uma ideia admirável pelo fato de não se limitar a uma mera repetição da fórmula original. É até ousado que o roteiro de Chaskin aposte em pouquíssima presença de Krueger, concentrando-se principalmente no promissor jogo mental entre Jesse e o assassino onírico e imagens impactantes, como o adolescente subitamente se dando conta da luva de garras em sua própria mão ou a cabeça de Freddy tentando estourar de seu estômago.

Ideias promissoras, mas que são desperdiçadas em um dos roteiros mais frouxos e sem profundidade alguma. Aliás, o próprio Chaskin admitiu que fez todo o texto para sugerir um subtexto homossexual, algo que seria interessante e inédito no gênero se bem trabalhado, mas que acaba soando risível quando temos diálogos como “Há um homem tentando sair de dentro de mim!” ou uma sequência de pesadelo que envolve Freddy torturando um professor de ginástica ao acertar toalhadas em seu traseiro nu… Em uma sauna… Logo após uma perseguição em um clube de S&M. É, isso realmente é classificado como um filme de terror. Não é nenhuma surpresa que Wes Craven não quis nenhum envolvimento com o projeto.

Nenhum dos personagens é cativante como a Nancy do primeiro filme, e mesmo que Jesse traga os clichês necessários para um personagem de terror que gera empatia, a performance de Mark Patton é forçada e absolutamente irritante, como se ninguém ali – nem Patton ou o diretor – levassem algo ali a sério. Não há muito o que falar sobre o restante do elenco, a menos que Robert Englund é malignamente divertido como no original e que Kim Meyers é assustadoramente parecida com uma jovem Meryl Streep. Só na aparência, claro.

O diretor Jack Sholder também falha ao compreender a figura de Freddy e seu imenso potencial. Não há uma única sequência capaz de provocar suspense ou pelo menos dinamismo visual (com exceção da abertura em um ônibus escolar, mas o fato de a melhor cena estar nos segundos iniciais é preocupante), deixando o brilho para o departamento de maquiagem e efeitos especiais, que mais uma vez exploram bem o gore provocado pelo assassino.

Não sabendo aproveitar as boas ideias e o gigantesco potencial de seu glorioso monstro, A Vingança de Freddy é uma decepcionante e esquecível continuação, lembrada apenas por sua mediocricidade. Felizmente, Wes Craven estava observando tudo de longe, e as coisas se saíriam melhor no próximo capítulo.

A Hora do Pesadelo 2: A Vingança de Freddy (A Nightmare on Elm Street 2: Freddy’s Revenge – 1985, EUA)
Direção: Jack Sholder
Roteiro: David Chaskin
Elenco: Robert Englund, Mark Patton, Kim Meyers, Robert Rusler, Clu Gulager, Hope Lange, Marshall Bell
Duração: 87 min.

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.