Crítica | A Hora do Pesadelo (2010)

estrelas 2,5

Obs: Leia sobre os demais filmes da franquia, aqui.

Ficamos um bom tempo sem Freddy Krueger nos cinemas. Havíamos visto sua figura pela última vez em 2003, com Freddy vs. Jason, mas não tínhamos um filme de A Hora do Pesadelo desde 1996, com Novo Pesadelo. Remake era a escolha ideal para a produtora Platinum Dunes, ainda mais pela recepção calorosa ao novo Sexta-Feira 13. Adotando a política do “sombrio e realista”, Samuel Bayer parte para recontar o mito de Krueger em seu próprio A Hora do Pesadelo.

É exatamente a mesma trama do original, o que certamente facilitou o trabalho dos roteiristas Wesley Strick e Eric Heisserer. Temos início com o aparente suicídio de Dean Russell (Kellan Lutz), um sonâmbulo que vinha se privando do sono por um medo incontrolável. Seus amigos logo começam a experienciar pesadelos similares com a figura de um homem queimado com luva de garras, que eles logo descobrem ser o misterioso Freddy Krueger (Jackie Earle Haley), um sujeito que de alguma forma está ligado ao passado de todos eles.

Vamos ser honestos: Freddy precisava de uma reinvenção sombria. Nos últimos filmes, como vimos, sua figura estava mais associada à de um palhaço do que a de um serial killer sádico, então faz sentido que a Platinum opte por redescobrir o terror de Krueger. Isso já é nítido na estilizada fotografia de Jeff Cutter, que equilibra bem os tons quentes e frios para a estética dos sonhos, além de ser predominante sombrio por toda a projeção. A decisão de transformar Krueger em um pedófilo (enquanto no original era “apenas” um assassino de crianças) também revela-se forte e incômoda, e a performance de Jackie Earle Haley é sensacional em sua abordagem mais agressiva e com humor negro pontual, funcionando também graças à maquiagem que se aproxima mais de queimaduras reais e dos elementos dramáticos que traz de seu trabalho em Pecados Íntimos; onde também interpretara um pedófilo. Definitivamente tem presença, ainda que não se aproxime da figura icônica criada por Robert Englund.

Infelizmente, não há muito mais que seja capaz de salvar o filme. Samuel Bayer revela-se um diretor sem imaginação, incapaz de enxergar como as habilidades de Krueger poderiam render imagens e situações espetaculares, limitando-se a estragar momentos icônicos do original com efeitos digitais capengas; especialmente quando temos a imagem do assassino tentando sair da parede ou quando Kris (Katie Cassidy) é morta enquanto “voa” pelo quarto. Quase todos os ataques são baseados na vítima sozinha em um ambiente sombrio, uma leve perseguição e olhando para atrás apenas para encontrar Freddy e um efeito sonoro exagerado para um jump scare artificial. Não é surpresa que Bayer nunca mais tenha dirigido um filme após o resultado.

Bayer também não faz ideia do que fazer com o elenco. Todos sabemos hoje que Rooney Mara é uma ótima atriz, mas não temos nenhum indício de que a intérprete de Lisbeth Salander sairia daqui, já que da vida a uma Nancy inexpressiva e moribunda. Kyle Gallner como o amigo Quentin se esforça, mas seu personagem é tão interessante quanto… Bem, qualquer um dos outros jovens chatos e sem personalidade do filme. Thomas Dekker, Katie Cassidy e o banana Kellan Lutz são todos rostos descartáveis. Confesso que a situação tediosa aqui faz sentir saudade dos esterótipos dos anos 80, com a jovem promíscua e o valentão jogador de futebol.

Esta nova visão para A Hora do Pesadelo parte de uma premissa apetitosa e com gigantesco potencial, mas desaba por não mirar mais alto em suas intenções, além de sofrer com uma direção horrorosa. Jackie Earle Haley honra o suéter, mas Freddy Krueger merece um destino melhor.

A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, EUA – 2010)
Direção:
Samuel Bayer
Roteiro: Wesley Strick e Eric Heisserer
Elenco: Jackie Earle Haley, Rooney Mara, Kyle Gallner, Katie Cassidy, Thomas Dekker, Kellan Lutz, Clancy Brown, Connie Britton.
Duração: 95 min

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.