Crítica | A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos

estrelas 3

Obs: Leia sobre os demais filmes da franquia, aqui.

Seguindo o sucesso de público e crítica de Guerreiros dos Sonhos, a New Line já apressou a produção para o quarto capítulo de A Hora do Pesadelo. O anterior já havia estabelecido elementos que agora virariam regra na franquia: mortes elaboradas mega elaboradas, Freddy com senso de humor e mais detalhes sobre sua origem. Com isso, O Mestre dos Sonhos alavanca os ingredientes, ainda que não chegue no mesmo nível de seu anterior.

A trama continua diretamente os eventos do antecessor, nos reunindo com os Guerreiros dos Sonhos, agora de volta ao colégio. Kristen (sai Patricia Arquette, entra Tuesday Knight) começa a pressentir o retorno de Freddy Krueger (Robert Englund) e logo vai atrás do velho grupo, ao mesmo tempo em que uma nova geração de adolescentes começa a sofrer com os pesadelos mortais.

É uma sinopse vaga, sim. Mas a questão é que a partir deste filme, A Hora do Pesadelo passa a ficar mais interessado na forma como mata seus personagens do que com a história em si. Tudo bem, o roteiro de Brian Helgeland, Jim Wheat e Ken Wheat (os dois últimos sob o pseudônimo de Scott Pierce) até tenta explorar um pouco mais do passado de Krueger e a figura misteriosa da Freira Nan, mas também nos faz engolir ideias como o fato de um cachorro urinar um jato de fogo e ressuscitar Krueger. Não deixa de funcionar como diversão trash despretensiosa, mas é uma nítida queda do nível alcançado pelo terceiro filme, que trazia uma trama forte e que compreendia a linha tênue entre exagero e camp.

Mas se há um elemento que realmente não decepciona é o trabalho do departamento de maquiagem e efeitos especiais. Dessa vemos, temos pérolas como um “planeta” todo formado por um gigantesco ferro velho, um colchão de água que acaba se transformando no pior sonho molhado da história e, minha preferida, a fascinante sequência em que Freddy transforma uma jovem em uma barata, algo que certamente deixaria Kafka muito orgulhoso. A direção de Renny Harlin também é inventiva, desde a delicadeza dos créditos iniciais até a cena em que a protagonista é sugada para dentro de uma tela de cinema, encontrando ali uma envolvente cidade fantasma.

Bem, O Mestre dos Sonhos certamente honra o trabalho fantástico de maquiagem do anterior ao elaborar mortes criativas, mas não chega aos pés em termos de história e personagens. A partir de agora, Freddy Krueger estaria condenado ao pior pesadelo dos fãs: repetição e ideias ruins.

A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos (A Nightmare on Elm Street 4: The Dream Master, 1988 – EUA)
Direção:
Renny Harlin
Roteiro: Brian Helgeland, Jim Wheat e Ken Wheat
Elenco: Robert Englund, Lisa Wilcox, Tuesday Knight, Ken Sagoes, Brooke Theiss, Andras Jones, Rodney Eastman
Duração: 93 min

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.