Crítica | A Hora do Pesadelo (Trilha Sonora Original)

nightmare_on_elm_street_1_poster_01

estrelas 4,5

Quando se tem uma ideia tão original e fascinante quanto a do assassino Freddy Krueger, como garantir que todos os elementos audiovisuais o concedam o status de lenda? Wes Craven acertou em cheio na direção e visual de A Hora do Pesadelo em 1984 e Robert Englund sem dúvida incorporou com perfeição a persona maníaca e sádica do Mestre dos Sonhos. Mas olha… Que atire a pedra quem nunca saiu cantarolando o tema icônico de Charles Bernstein, ou no mínimo cantou “1, 2, Freddy’s coming to you…”

Primeiro de tudo, como a maioria dos filmes lançados na década de oitenta, Bernstein também brinca experimenta bastante com a novidade da trilha eletrônica. As batidas e percussões típicas do período (não é preguiça, literalmente é o som dos anos 80) marcam forte presença aqui, servindo tanto para criar uma sequência mais empolgante como Laying Out the Traps, que também garante certa força para a protagonista Nancy Thompson, ou algo que de fato cause pavor e tensão; duas exigências que Rod Hanged/Night Stalking cumpre com facilidade ao apostar em um crescendo enlouquecedor e batidas violentas que vêm acompanhadas com o brilhante tema principal.

Ainda que tenha menos de um minuto, o tema principal – não só do filme, mas de toda a franquia – ouvido em Prologue é magnífico. Com pouquíssimas e quase delicadas notas, Bernestein captura o espírito do filme e da persona de Freddy Krueger, propondo uma melodia que ecoa como uma caixinha de som sinistra, tendo em Freddy o bicho papão definitivo. Como nos esquecer da tenebrosa canção que aparece constantemente durante a franquia? Um trio de garotinhas de vestido pulando corda enquanto falam sobre como o assassino dos sonhos estaria chegando para matar. Arrepios.

https://www.youtube.com/watch?v=d_b8hbLDec0

Claro, aqui e ali o estilo de Bernstein parece saído de algum fliperama, especialmente a exagerada Dream Attack (cuja curiosidade por acordes mais originais quase o transforma em uma variante da ficção científica camp), mas ele é bem capaz de usar isso a seu favor. Fountain of Blood também sofre da mesma comparação, mas traz uma percussão que ajuda a tornar a morte de Johnny Depp um incômodo festival de gore. Da mesma forma, Terror in the Tub utiliza as mesmas batidas enquanto traz uma variação memorável do tema principal.

https://www.youtube.com/watch?v=nWtF7OOe9AY

No geral, Charles Bernstein fornece um padrão respeitável para as trilhas sonoras do terror oitentista, mesmo que não seja algo realmente assustador. A Hora do Pesadelo é a obra-prima do mestre Wes Craven, e sua música teve um papel importante para que Freddy Krueger ficasse para sempre em nossas memórias. E nossos pesadelos.

A Nightmare on Elm Street: Original Motion Picture Soundtrack
Composta por Charles Bernstein
País:
EUA
Lançamento: 1992
Gravadora: Ais
Gênero: Trilha Sonora

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.