Crítica | “A Letter Home” – Neil Young

estrelas 3,5

Neil Young é um dos maiores artistas da história da música, seja cantando country, rock, folk, eletrônico (acredite ou não, ele já fez isso) ou qualquer tipo de música. No entanto, alguns ousam dizer que faz alguns anos que o cantor virou um chato e que seus trabalhos não possuem mais a relevância de antes. Bem, parte disso é verdade, mas Neil soube continuar fazendo bons trabalhos, ainda que nada do nível de Harvest ou After The Gold Rush. Sim, eu sei, existe o tal Americana que é fraco demais, além do Psychedelic Pill que é regular, um pouco chato devido ao excesso de solos psicodélicos. No entanto, o potencial do cantor sempre esteve ali, presente em suas músicas.

Esse ano, eis que Neil Young resolveu lançar A Letter Home, seu novo álbum que segue ideias bem interessantes. As faixas foram gravadas apenas com violão e gaita (um exemplo máximo de música folk) em um aparelho de gravação de áudio da década de 40 que parece uma cabine telefônica, o disco conta com a produção de Jack White. O álbum é bem pessoal para Neil – um fato que parte da crítica não consegue perceber – e contém covers de diversos cantores importantes para a sua vida, desde Bob Dylan até Bruce Springsteen. Seja If You Could Read My Mind ou My Hometown, todas as faixas são interpretadas de ótima maneira, são tranquilas e com melodias que merecem destaque pela simplicidade. Todas as faixas fluem muito bem, grande parte pela fusão do violão com a voz calma de Neil, que juntos parecem uma só sonoridade.

O som do aparelho é falho, cheio de chiados, o que pode incomodar os ouvintes mais chatos. No entanto, esse é o objetivo, o som é nostálgico pra qualquer pessoa, em parte devido à forma como o artista interpreta suas canções. A Letter Home Intro abre o disco de um jeito simples, segue a ideia de uma “carta pra casa” (A Letter Home). A faixa é isenta de música, Neil apenas faz uma ligação para sua mãe e resume todo o projeto do álbum. Parece difícil não encontrar sinceridade na conversa descontraída de Neil: “I think you should start talking to dad again…” (Eu acho que você deve voltar a falar com o papai novamente). Um erro do disco é não ter outros momentos como esse (ele só volta a fazer isso no início de Reason To Believe).

Neil Young se tornou um velhinho e não cansa de inventar moda ou de continuar investindo no mesmo som. Essa afirmação pode até ser verdade, mas prefiro não a levar em consideração. O cantor ainda faz música de qualidade e isso é o suficiente. A Letter Home é um de seus trabalhos mais pessoais e um dos mais relevantes entre seus últimos álbuns. Se você gosta de um bom violão e música folk não vai se decepcionar com a sinceridade nas melodias desse álbum.

A Letter Home
Artista: Neil Young
País: EUA
Lançamento: 19 de abril de 2014
Gravadora: Third Man Records
Estilo: Folk, Country

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.