Crítica | A Maldição da Múmia / The Mummy’s Curse

estrelas 0,5

A Maldição da Múmia (o título é uma tradução direta de The Mummy’s Curse, já que não há versão oficial brasileira) é o quinto e penúltimo filme da franquia original da Múmia pela Universal Studios e o terceiro seguido – e último – com Lon Chaney Jr. vivendo o monstro do título. É, também, o mais curto de todos junto com A Tumba da Múmia, quase um curta metragem, com duração exata de 60 minutos.

Além dessas características, a produção, do mesmo ano que A Sombra da Múmia, é, em tese, uma continuação deste, ainda que tentar estabelecer a continuidade entre os filmes seja uma tarefa impossível. Afinal, para começar, o filme dirigido por Leslie Goodwins inexplicavelmente se muda da Nova Inglaterra para os pântanos da Louisiana, como se os pântanos das duas regiões fossem magicamente interligados como na mitologia do Monstro do Pântano. E, quando uso a palavra “inexplicavelmente” é isso mesmo que quero dizer, pois o roteiro (que roteiro?) de Bernard Schubert não se dá ao trabalho de explicar absolutamente nada sobre isso, apesar de muito claramente estabelecer que, assim como Dorothy, “não estamos mais no Kansas” por meio de um número musical estranhíssimo e deslocado na abertura.

E, como se isso não bastasse, o final de A Sombra da Múmia, apesar de também ter sido em um pântano (deve ser porque as múmias, vindas do Egito cheio de areia e com falta d’água, se sentem atraídos pelo lodaçal…), não se encaixa com a premissa estabelecida no novo filme: um lenda diz que há 25 anos uma múmia e uma jovem “morreram” por ali e que a drenagem do pântano feita por uma empresa de engenharia poderia acordar a maldição. Pensem bem: 25 anos se passaram, mas nada mudou entre um filme e outro, com figurinos iguais, tecnologia igual, penteados iguais. É como se o sujeito que servia o cafezinho da produção tivesse sido encarregado de escrever um roteiro de algo que nunca nem havia ouvido falar antes…

Como de costume, a múmia de Kharis (Lon Chaney Jr.) acorda de seu sono profundo depois mais um sumo-sacerdote egípcio (Peter Coe) faz seu encantamento e ela parte para mais uma vez achar sua amada princesa Ananka, aqui vivida por Virginia Christine e que acorda depois de uma escavação e magicamente transforma-se em uma bela mulher americana que fala inglês e não sabe que é uma múmia também. Seguindo o padrão que um dia seria adotado pelos slasher movies, o grande vilão anda lentamente (e aqui cambaleante, além de classicamente com um dos braços paralisados no peito como se estivesse perpetuamente tendo um ataque cardíaco), mas sempre logra alcançar sua vítima que mata praticamente com um toque, já que dar alguma veracidade a estrangulamentos devia ser algo complexo demais em 1944…

Com exceção do primeiro e clássico filme de 1932, os filmes desta série nunca primaram por elencos inspirados, mas, em A Maldição da Múmia, a falta de inspiração é endêmica, como se os atores tivessem sido escolhidos por sua incapacidade de atuar de forma convincente. E não falo de Lon Chaney Jr. aqui, pois o coitado passa o filme inteiro enfaixado e andando como bêbado. O problema está mesmo em todo o elenco de apoio que vai do teatralmente hilário até o abissalmente pândego, com especial destaque para o histriônico Kurt Katch como Cajun Joe (esse aí da imagem da crítica) e o “projeto-de-Vincent-Price” Peter Coe como o sacerdote egípcio. Pelo menos as risadas são garantidas mesmo considerando que não é um filme de comédia.

As risadas de vergonha também estão garantidas. Afinal, a produção é tão cara-de-pau que algo como 10 minutos do total de 60 são tirados de trechos de A Múmia e A Mão da Múmia, de forma que o sacerdote possa nos recontar a origem de Kharis e de Ananka, o que apenas evidencia o quão a produção é pobre em todos os seus aspectos.

Como continuação, o filme parece um remake. E, como remake, ele não funciona. A Maldição da Múmia pelo menos teria o efeito de fazer a Universal perceber que sua franquia precisava ser esquecida em seu sarcófago por um tempo, já que o próximo e derradeiro filme (até o primeiro reboot) só viria 11 anos depois.

A Maldição da Múmia (The Mummy’s Curse, EUA – 1944)
Direção: Leslie Goodwins
Roteiro: Bernard Schubert
Elenco: Lon Chaney Jr., Peter Coe, Virginia Christine, Kay Harding, Dennis Moore, Martin Kosleck, Kurt Katch, Addison Richards, Holmes Herbert, Charles Stevens, William Farnum, Napoleon Simpson
Duração: 60 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.