Crítica | A Mão da Múmia

estrelas 2

O primeiro filme da franquia A Múmia, estrelado por Boris Karloff, um dos grandes filmes de terror da Universal, obteve enorme sucesso comercial e crítico na época de seu lançamento. Apesar disso, foi a única obra com esses famosos monstros que não gerou sequências diretas e sim releituras ao longo dos anos. A Mão da Múmia, lançado oito anos depois, é uma dessas, que introduz uma nova múmia, seguindo basicamente a mesma premissa do longa-metragem original. Com apenas sessenta e sete minutos de direção, esse filme acabou gerando mais três continuações, essas sim, dariam prosseguimento à história apresentada aqui.

O longa tem início com o sumo sacerdote Karnak (Eduardo Ciannelli), que conta ao egípcio, Andoheb (George Zucco), sobre a lenda da múmia Kharis (Tom Tyler). As imagens de Kharis sendo enterrado vivo, no antigo Egito, tomam conta da tela, utilizando sequências de A Múmia, de 1932, algumas das quais, inclusive, vemos Boris Karloff com clareza. Apesar disso, estamos diante de uma trama diferente, com uma nova criatura a ser temida. Conhecemos, então, Steve Banning (Dick Foran) e seu assistente, Babe Jenson (Wallace Ford), que lideram uma expedição arqueológica que os leva justamente para o local onde esse homem fora sepultado há tantos séculos. O que não esperavam é que ele se mantivera vivo até então.

Apesar de contar com um curto tempo de duração, A Mão da Múmia parece desconsiderar tal fator, seguindo uma estrutura narrativa típica de longa-metragens da época, com um bom tempo sendo dispensado para a preparação dessa expedição. Em razão disso, as sequências dentro da tumba ocupam menos da metade do filme, o que chega a cansar o espectador, que tem muito pouco tempo para realmente ser absorvido pela atmosfera de suspense e terror. Chega a ser risível como o média-metragem perde tempo com trechos como brigas em bar e outras mais que facilmente poderiam ter sido dispensadas no corte final.

Mesmo quando chegamos na antiga cripta da Kharis, não somos verdadeiramente imersos nessa trama, já que os personagens, pela maior parte da projeção, parecem ignorar os perigos representados pela múmia ambulante. Durante grande parcela dessas sequências os vemos transitando despreocupadamente, algo que somente é interrompido pelos gritos ocasionais de Marta Solvani (Peggy Moran), que acompanha a expedição. A obra, portanto, falha em nos cativar da mesma maneira que o longa de 1932, fator que é piorado pelo simples fato de não nos importarmos, verdadeiramente, com nenhum dos personagens.

Dito isso, não temos como não enxergar o desperdício da caracterização da criatura, que, embora não seja tão marcante quanto a versão de Karloff, consegue ser aterrorizante em razão de seus olhos pretos e a fotografia em preto e branco, que mais do que combina com a atmosfera almejada pela narrativa. Inúmeras vezes encaramos essa releitura como algo mais realista, correspondendo com o fato de que não se passa mais do que um corpo em decomposição, por mais que o homem mumificado tenha se mantido vivo durante todo esse tempo. Apesar disso, claro que alguns clichés dos filmes de monstros da época ainda se fazem presentes, como a clássica cena da criatura carregando a mulher em seus braços.

A Mão da Múmia falha, portanto, em captar a essência do original, por mais que seu enredo seja praticamente idêntico e que chegue a utilizar trechos do longa de 1932. Trata-se de um filme que não assume sua duração mais reduzida e perde tempo com elementos desnecessários, nunca chegando, verdadeiramente, a entregar o terror que promete. Apesar disso, o preto e branco, aliado dos trechos nos quais a fotografia é mais escurecida, fazem jus à caracterização da criatura, entregando alguns momentos que dão um certo frio na espinha. Uma pena que esses sejam tão poucos.

A Mão da Múmia (The Mummy’s Hand) — EUA, 1940
Direção:
 Christy Cabanne
Roteiro: Griffin Jay, Maxwell Shane
Elenco: Dick Foran, Peggy Moran, Wallace Ford, Eduardo Ciannelli, George Zucco,  Cecil Kellaway, Charles Trowbridge, Tom Tyler
Duração: 67 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.