Crítica | A Missão do Contrabandista – Uma Aventura de Han Solo e Chewbacca, por Greg Rucka

estrelas 3,5

Série Literária: Jornada Para Star Wars: O Despertar da Força
Espaço:
Planeta Cyrkon — cidade de Motok (ação principal)
Tempo: 2 d.BY, mais precisamente entre Uma Nova Esperança (Episódio IV) e O Império Contra-Ataca (Episódio V).

Eis aqui uma história que começa com um enorme potencial, cria uma excelente jornada de perseguição e, na tentativa de realizar um final chocante, confunde o leitor obrigando-o a revisar alguns conceitos do prólogo do volume, subtraindo um pouco a aura heroica construída a tanto custo no decorrer da narrativa.

A trama começa em um bar suspeito visitado por pessoas suspeitas conversando e bebendo. Assim como em A Arma de um Jedi, o prólogo e o epílogo deste volume são uma história em continuação e claramente mostram o “presente” dos personagens da trilogia original. Resta saber o quão à frente está esse presente: literalmente no período de O Despertar da Força (34 d.BY) ou em algum outro ponto, talvez um pouco antes disso. O fato é que o livro se inicia e finaliza com as ações nesse “presente”, sendo a última parte uma revelação um pouco confusa que deveria ter ficado mesmo entre personagens desconhecidos.

Todavia, resta a pergunta sobre a situação de caça aos “antigos rebeldes” e esse “quase início de uma outra guerra” que a Princesa Leia cita no início do livro seguinte dessa série, Alvo em Movimento. Ao que parece, o prólogo e o epílogo dessas obras mostram uma grande ação acontecendo, talvez uma batalha ou sequência importante para o novo filme que de alguma forma são consequências de ações do passado. No caso de A Missão do Contrabandista, temos Han Solo e Chewbacca com a missão de resgatar o tenente Ematt, que volta a aparecer em Alvo em Movimento, portanto temos um personagem importante nos acontecimentos do passado e do “presente” da saga.

A trama avança bem e com alto nível de ação no melhor estilo space opera. O início traz um excelente trabalho de exposição para o ponto de vista de Chewie, detalhando seus sentimentos e pensamentos sobre a Rebelião e o Império logo após Uma Nova Esperança. A ligação de seu ponto de vista com o de Solo é feito, claro, através de uma conversa com a Princesa Leia, que “encomenda” a missão para resgatar Ematt, e desse momento até o verdadeiro ponto de partida da missão, com a chegada dos amigos ao planeta Cyrkon (cuja história se parece muito com a da Terra daqui a alguns séculos: antes um lugar maravilhoso que foi apodrecido pela poluição), há um bom número de informações que não disfarçam ser as primeiras sementes para o futuro filme de Han Solo, previsto para 2018.

Smugglers_RunA chegada a Cyrkon e a apresentação da Comandante Alecia Beck, ensandecida militar a serviço do Império, tornam a missão ainda mais perigosa e grandiosa, mesmo antes da batalha espacial final.

Greg Rucka cria excelentes personagens, tanto do lado do Império quanto do lado da Rebelião, mas infelizmente tem problemas em dar substância à história que os cerca, muitas vezes abordando algo de maneira bastante intensa para depois finalizá-la de maneira insatisfatória, como é o caso do Stormtrooper TX-828, o Torrente. Todos, porém, acabam tendo bons momentos de caça e caçador no livro, além de alguns bons pontos cômicos, normalmente protagonizados por Solo e Chewie.

A Missão do Contrabandista está acima da média e tem momentos que capturam com exatidão o clima de  Star Wars, especialmente nas cenas de batalha. O livro explora um pouco mais a personalidade da dupla Han e Chewie, dá importantes informações sobre alguns métodos de localização e informação compartilhada pelos Rebeldes e abre as portas para muita revanche da parte da comandante Beck. Mesmo com sua finalização um pouco menos interessante que o desenvolvimento, a obra prende o leitor e, no final das contas, consegue um bom lugar no cânone da saga.

A Missão do Contrabandista – Uma Aventura de Han Solo e Chewbacca (Jornada Para Star Wars: O Despertar da Força)
Título original: Smuggler’s Run: A Han Solo& Chewbacca Adventure (Star Wars: Journey to the Force Awakens).
Lançamento no Brasil: 16 de outubro de 2015
Autor: Greg Rucka
Ilustrações: Phil Noto
Tradução: André Czarnobai
Editora: Seguinte (Cia das Letras)
200 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.